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Strade Bianche (Estrada Branca): a poeira mais sonhada pelos ciclistas

Karol Meyer/ Aventura

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Já pensou numa viagem de ciclismo que une o lado competitivo e o lado contemplativo? Foi assim que parti para a realização de uma viagem dos sonhos, conhecer a Toscana, o Lago Garda, acompanhar uma prova da equipe profissional world tour dos prodígios BORA Hansgrohe, treinar e participar de um dos Granfondos mais concorridos da Europa, na famosa “Strade Bianche” (Estrada Branca), largando com mais de 5.000 ciclistas fanáticos.

A Toscana é única, suas paisagens são patrimônio universal, terra de muitas histórias desde a arte, arquitetura, culinária, vinhos e ciclismo com a famosa ĹEroica (evento que busca resgatar as raízes do esporte, de caráter não competitivo, no qual todos participam com roupas e equipamentos antigos ou lembrando a época clássica, passado pelas regiões de Chianti a Montalcino).

A viagem englobava cinco dias na região, com pacote VIP para assistir a prova feminina e masculina das equipes profissionais, sendo três dias de treinamento na região, com carro de apóio e guias experientes, tudo fazendo parte do pacote especialmente criado pelo Garda Bike Hotel.

As bicicletas você pode alugar ou levar a sua… por comodidade e pela assistência dada, preferi optar pelo pacote com a bicicleta especial para o terreno, chamada de “gravel”.

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Jamais me esquecerei do dia em que passei pelo primeiro segmento de cascalhos, que é como chamam os trechos de estrada branca, que na verdade são pedras calcárias que, com o clima seco e a quantidade de bicicletas passando, levanta a famosa poeira branca que dá nome a prova.

È uma poeira fina, que se compacta ao suor e fica colada ao seu corpo até a chegada.
“A poeira não é evitada, mas sonhada, procurada, abençoada até. Nas estradas de cascalho da Toscana, o ciclismo descobriu que nada é mais moderno do que o antigo; que há vida – vida espetacular – além do asfalto”, Giovanni Battistuzzi.

Há dois percursos do Granfondo, o médio (86,6 km 1300m de altimetria, sendo 21,6km de “strade bianche”) e o longo (139,2km, 2300 de altimetria sendo 31,4km de “strade bianche”) e você pode decidir mesmo durante a prova se qual percurso fará, até o momento no qual chegará na divisão da estrada que define a rota a seguir. Eu e meu marido decidimos fazer o percurso mais longo.

Os trechos de asfalto são velozes, largamos já num local com descida e saber que você está largando ao lado de 5000 ciclistas já é uma emoção, ainda mais tendo que acelerar para que não te deixem lá para trás… Muita atenção, cuidado de sobra. Ao entrar nos trechos de cascalho, a terra muito seca, era um convite para uma derrapagem. Foram 10 trechos assim, intercalando asfalto e cascalhos.

Os últimos metros guardavam a cereja do bolo, a famosa subida da Via Santa Caterina, lá os torcedores se alinham e como muita energia torcem por cada um dos ciclistas que por ali passam com garra e com a energia que ainda possuem. A subida possui trechos de até 16% de inclinação, nas estradas antigas de Siena, finalizando com a chegada na belíssima Piazza di Campo.

A temperatura estava agradável, ainda que tenha sido um choque sair do Brasil no qual treinamos com sensação térmica de 40 ºC, para pedalar em condições frias variando de 5 a 12º C. As roupas apropriadas da Sol Sports ajudaram muito tanto nos treinos, quanto na prova. Decidi carregar tudo nos bolsos, com o foco em realizar somente uma parada para hidratação se fosse necessário. Foi no meio da prova que encontrei com um dos guias do Garda Bike (Davide Magoon) , que me ajudou muito a manter o foco, a alimentação e a orientação na prova.

Minha meta era tentar realizar uma média de 30km/hora. Me senti muito bem até o 110km mas depois não consegui manter a performance, perdi um pouco de rendimento, talvez pelo fato de nunca ter feito uma prova tão longa, pelos dias de viagem, mudança de clima, afinal tudo interfere… Mas consegui fazer média de 31km/h e conquistei um belíssimo 5º lugar na categoria W2 (a mais forte) e 12º lugar geral feminino. Tiago também se deu super bem na
concorrida categoria Master1, ficou em 35º lugar. Bravo! Bravissimo!

Nestes dias, entre os treinos e a prova, visitamos vinícolas e provamos pratos típicos da região, como a bisteca a Fiorentina, e o delicioso vinho Chianti. Jantamos com a equipe profissional BORA, visitamos o carro oficial e pudemos matar muitas curiosidades e absorver muitas dicas, além do belo presente que ganhamos: livro, boné, bolsa personalizados.

Seguimos para Peschiera del Garda, cidade base do Garda Bike Hotel, lá percorremos novos e belíssimos trajetos entre cidades que contornam o lago. O melhor de tudo é que você tem um pacote flexível no qual pode optar por passeios curtos, médios ou longos, sempre haverá um percurso especial para você pedalar. Entre um trajeto e outro, aquela pausa para um café italiano e uma boa conversa, sobre ciclismo, sobre o local e porque não sobre a próxima viagem!?

A noite regada por um belo Valpolicella, agora sim entendo bem o termo BiciViniVivi…
Quer saber mais e seguir na viagem dos seus sonhos?
Pacotes com estadia, passeios e treinos na região
https://www.gardabikehotel.com/pt/Bici-Love-ALL-INCLUSIVE
Pacotes com participação em competição
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Last modified: março 29, 2019

Karol Meyer
Karol Meyer