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Entenda como funciona e como escolher um fogareiro

Fogareiro com gás butano é indicado para trekking e acampamentos (foto: André Pascowitch)
Fogareiro com gás butano é indicado para trekking e acampamentos (foto: André Pascowitch)

– “Leviiiii!!!!!! Já está pronto?

– Tá quase – respondi, já meio enraivecido. O sol acabou de se recolher e já estou na cozinha improvisada atrás de uma pedra. A batata cozinhando dentro do arroz já começa a exalar seu cheiro característico e por isso já estão me cobrando a janta prometida.

E assim, enquanto termino minha “penitência”, começo a me perguntar: “Como seria cozinhar em montanha sem toda essa tecnologia que dispomos hoje?, Como faziam os primeiros excursionistas?, Afinal, por que, em vez reclamarem, eles não vêm aqui me ajudar a picar esse charque?”.

O fato é: o fogareiro é um item indispensável na mochila de qualquer excursionista e, brincadeiras à parte, ninguém deve ficar fazendo fogueiras (sem levar em conta o impacto ambiental que elas trazem), simplesmente para aquecer uma refeição, já que existem outros métodos mais simples.

Boas refeições fiz nas montanhas e tudo isso graças aos pequenos e maravilhosos “fogões de montanha”. Mesmo aqui no Brasil temos ótimas opções que podem ser encontradas nas lojas especializadas. Os fogareiros que existentes no mercado facilitam, e muito, a vida do excursionista. Eles são pequenos, compactos, leves e seguros, permitindo que uma boa refeição fique pronta em pouco mais de 20 minutos e necessitando apenas de uma pequena limpeza de vez em quando, para que ele não lhe deixe na mão em uma próxima aventura.

Conheça os tipos – Os mais populares são os fogareiros movidos a gás de butano, que vem pressurizado dentro de um pequeno cartucho de 200 gramas. Porém, esse tipo de fogareiro acabou se mostrando muito limitado para o uso em montanha. Seu uso é indicado apenas para camping em praias e pequenas caminhadas, já que não se consegue a reposição de seus cartuchos em qualquer lugar e sua chama acaba perdendo a intensidade com o aumento da altitude e com a queda da pressão atmosférica.

Há também os fogareiros multi-combustíveis, ou seja, os que funcionam com vários tipos de combustível (benzina, gasolina, querosene, etc…). Os principais combustíveis utilizados são a benzina, que fornece uma chama forte e limpa, e o querosene, que pode ser encontrado em qualquer lugar, mas possui um cheiro desagradável e uma certa oleosidade que incomoda a muitos.

MSR, o mais usado – Dentre eles, os fogareiros do modelo MSR destacam-se desde o seu lançamento pela praticidade de seu tamanho, segurança e pelo seu desempenho. Lançado em meados dos anos 80, eles tornaram-se os fogareiros mais usados no mundo. Desde simples excursionistas a alpinistas em ascensões aos mais altos cumes do planeta optam por eles.

Seu uso é simples: basta pressurizar um garrafinha, onde está o combustível, pré aquecer seu queimador para que quando o combustível passe pelo acesso ao queimador seja transformado em gás e, assim, queime. O modelo mais usado no Brasil é o Internacional 600 que funciona à benzina e querosene. Já o XGK, queima qualquer outro combustível e o Dragon Fly possui uma segunda regulagem, o que permite cozinhar em fogo baixo, já que a regulagem da chama baixa nos outros é um pouco difícil.

Americanos – Há também os clássicos fogareiros americanos de camping, o Climber e o Crampon Tech, que possuem a mesma lógica de funcionamento do MSR (na verdade, foram os precursores do MSR), porém funcionam apenas com benzina.

Não podemos nos esquecer das espiriteiras, que não passam de pequenas latinhas de álcool que, de tão simples, não apresentam complicações para o uso. Basta colocar o álcool e acender. São leves e extremamente compactas. Ainda por cima são as mais baratas do mercado e por isso têm conquistado cada vez mais os consumidores brasileiros.

Sendo assim, compre seu fogareiro e mostre seus dotes culinários aos seus colegas, fugindo dos macarrões instantâneos e dos tradicionais macarrões com sardinha e outras combinações sem muita criatividade.

Este texto foi escrito por: Levi de Oliveira, especial para o Webventure

Last modified: outubro 26, 2001

Redação Webventure
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