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Educação ambiental – a nova disciplina

Redação Webventure/ Aventura brasil

Independente de receber ou não contribuição monetária  de ser iniciativa privada ou estatal  o objetivo é único: conscientizar as pessoas contra o desperdício  o excesso de consumo e contra agressões ao meio ambiente. (foto: Arquivo pessoal)
Independente de receber ou não contribuição monetária de ser iniciativa privada ou estatal o objetivo é único: conscientizar as pessoas contra o desperdício o excesso de consumo e contra agressões ao meio ambiente. (foto: Arquivo pessoal)

“…O que acontecerá com a Terra, se continuarmos a queimar carvão, óleo e gás, duplicando a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera? Qual será o aumento de temperatura? Quanto gelo polar se derreterá? De que magnitude será a elevação dos oceanos? Por que estamos despejando tanto dióxido de carbono na atmosfera? E se colocarmos cinco vezes mais dióxido de carbono nela? E mais, como alguém pode saber como será o clima no futuro? Tudo isso faz pensar…”. (trecho do livro ‘O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, Editora Companhia das Letras, 1996).

O movimento ambientalista obriga hoje o homem a refletir sobre a atual situação do nosso planeta. A se perguntar como a humanidade intervém no meio ambiente e quais serão as reações da natureza promovidas pelo desenvolvimento tecnológico. Através de protestos, ONG’s (Organizações Não-Governamentais) ecológicas e o próprio governo alertam contra o desmatamento florestal, a caça de animais silvestres, o aumento da poluição no ar, na água e na terra.

Mas como tornar efetiva a preocupação com o meio ambiente? Criar a harmonia entre o homem e a natureza? Esta problemática está diretamente ligada à educação ambiental, uma nova disciplina que ainda não é obrigatória nas escolas, nas grades curriculares das faculdades ou nos treinamentos internos das empresas, porém é lei federal e compromisso firmado por mais de 100 países.

“A educação ambiental é importante porque, aparentemente, é a única maneira de conscientizar as pessoas sobre a importância do meio ambiente em geral, construído ou natural. E nós também fazemos parte dele. A grande a maioria das pessoas acredita que o meio ambiente é nada mais um ser servil ao homem, manda e desmanda para o seu prazer. E, na verdade, não é assim”, comenta Marcelo Krings, proprietário da Uggi Educação Ambiental.

Neste Aventura Brasil você conhecerá como surgiu este conceito, quais são as suas bases e programas. Tudo para o bem do planeta.

Segundo Genebaldo Freire Dias, autor do livro Educação Ambiental Princípios e práticas ((Ed.Gaia, 4ª ed., 1992), a expressão “environmental education” (educação ambiental) foi citada, pela primeira vez, na Grã-Bretanha, em 1965, durante uma conferência em educação. Especialistas concluíram ser fundamental que a educação ambiental fosse parte da educação de todos os cidadãos.

Em 1972, na Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano (The United Nations Conference on the Human Environment) realizada em Estolcomo, Suécia, a preocupação com os problemas ambientais ganharam proporções mundiais, reconhecendo a necessidade do desenvolvimento de uma educação específica. Cinco anos mais tarde, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura -, organizou a primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em Tbilisi, Georgia, Rússia, ratificando de vez a importância de uma nova ordem para a meio ambiente.

Brasil – A primeira lei de caráter ambiental no país surgiu em 1981, com a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938, de 31.8.81), um marco histórico no desenvolvimento do Direito Ambiental dando definições importantíssimas de meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor, recursos ambientais, entre outros. Entretanto, foi com a Constituição Federal de 1988 (título VIII- da Ordem Social, no capítulo VI, art. 225) que as normas de preservação e proteção dos recursos naturais, incluindo a fauna e flora, foram estabelecidos para o bem comum de todos.

“As pessoas falam que educação ambiental é só para crianças. Não, é para adultos também. A legislação fala que é para todos. Todos nós temos que ter educação ambiental. É obrigação por lei. Temos uma legislação ambiental considerada uma das melhores do mundo, no mesmo patamar que a dos EUA e Alemanha. O problema é aplicar”, explica o juiz de direito e idealizador do programa ambiental filantrópico ‘A Última Arca de Noé’, Antônio Silveira.

Rio Eco-92 – Na Conferência sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, (UNCED – United Nation Conference on Environment and Development), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992, reunindo a maioria dos chefes de estado do planeta, a educação ambiental incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável através da Agenda 21. “O desenvolvimento da tecnologia não pára, não tem jeito, mas se tem que fazer agredindo o mínimo possível o meio ambiente. Isto é desenvolvimento sustentável e é o conteúdo do documento. Acho uma idéia genial”, opina Antônio.

O Brasil está fazendo sua parte no compromisso assinado em 1992. Depois de criado o Ministério do Meio Ambiente, o governo federal aprovou, em 1999, o Programa Nacional de Educação Ambiental PRONEA, que constitui em diretrizes para a participação dos diferentes segmentos da sociedade, tanto na formulação de políticas para o meio ambiente, quanto na formulação de decisões que afetam o meio natural, social e cultural.

O texto legal diz: “o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constróem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (art.1º, Lei Federal nº 9.795, de 27/4/99).

Para atingir o proposto, o governo está implantando o projeto Pólos de Educação Ambiental e Prática Sustentável nos estados brasileiros. “São três as bases do programa: o socialmente justo, o ambientalmente correto e o economicamente eficiente”, descreve Fernanda Bocorny Messias, coordenadora do projeto.

Segundo ela, um pólo é dividido em núcleos espalhados pelo estado, cada um promovendo pesquisas, palestras e atividades de educação ambiental. “Neste ano, os quatro primeiros serão entregues: em Alagoas, Espírito Santo, que é o mais adiantado, no Rio Grande do Norte e Goiás. Até 2002, os 27 estados terão seus pólos”, complementa.

União – Fora do âmbito governamental, são muitas as instituições filantrópicas e agências que promovem a educação ambiental. Com dez anos de experiência, a Uggi Educação Ambiental realiza viagens com escolas particulares para a aplicar os conceitos na prática.

São mais de 80 excursões por ano para as mais diversas regiões, como o Parque Nacional do Maciço de Itatiaia (RJ) e Chapada da Diamantina (BA). Segundo Ana Lúcia também proprietária ao lado de Marcelo Krings, a idéia é “recuperar a sensibilidade perdida dos adolescentes na relação com o meio natural, com o objetivo de ter uma relação mais equilibrada com o meio urbano”. Para que isso seja conseguido, monitores especializados em geologia e biologia coordenam uma série de atividades e brincadeiras relacionadas ao meio. “Toda a excursão é baseada no conteúdo que o professor está trabalhando”, completa Ana.

Já o Instituto Pau-Brasil de História Natural, entidade sem fins lucrativos, utiliza-se da pesquisa para implementar programas de educação ambiental. “30% de nossas atividades são voltadas para a pesquisa e o restante para a educação, que serve como ferramenta das pesquisa que desenvolvemos. Decodificamos estes dados para a população através de palestras, de exposições, contato diretos com as escolas e publicações”, conta Ana Lúcia Ramos Auricchio, secretária de educação ambiental do instituto.

Independente de receber ou não contribuição monetária, de ser iniciativa privada ou estatal, o objetivo é único: conscientizar as pessoas contra o desperdício, o excesso de consumo e contra agressões ao meio ambiente.

“A saída é desenvolver projetos que sejam sustentáveis. Desenvolver a agricultura, as cidades mas sem degradar o meio. Ver a predisposição do local a nível social, econômico, biológico. Um fator está ligado a outro. Não conseguimos trabalhar a questão da conservação puramente biológica. Todos devem caminhar paralelamente”, afirma Ana Lúcia.

Para Fernanda Bocorny, “não temos mais como adiar a ação. Estamos todos no mesmo barco”. Já o juiz Antônio Silveira finaliza dizendo que “com eventos, protestos em todos os setores, as pessoas aderem ao programa. E vamos todos juntos dentro da Arca tentando salvar o mundo”. “A natureza constrói um montanha em milhões de anos e o homem se apropria desse de bem para exploração e o desfigura. Será que vale a pena? Será que é correto?”, finalizou Marcelo Krings.

A participação do homem nesta viagem é vital. A mobilização da humanidade em prol à natureza é o salvamento da vida no planeta. Conscientização é a palavra-chave da educação ambiental.


Colaboraram com a matéria os sites www.institutopaubrasil.org.br, www.aultimaarcadenoe.com, www.uggi.com.br, www.mma.gov.br

Este texto foi escrito por: André Pascowitch

Last modified: abril 6, 2001

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