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Fiadi dividiu com o público a paixão pela Antártica

Redação Webventure/ Outros, Vela

Júlio Fiadi fala sobre suas aventuras na Antártica para a platéia atenta (foto: Luciana de Oliveira)
Júlio Fiadi fala sobre suas aventuras na Antártica para a platéia atenta (foto: Luciana de Oliveira)

São Paulo (SP) – “Quem lê Jorge Amado morre de vontade de ir à Bahia. Eu cresci lendo sobre expedições polares e sempre sonhei em ir à Antártica”. Esta é a explicação de Júlio Fiadi para sua paixão por uma porção tão misteriosa do mundo e ainda pouco conhecida das pessoas em geral. As viagens de Fiadi pela Antártica foram o tema de estréia do Circuito Webventure de Palestras de Aventura, na noite de ontem.

Cerca de 40 pessoas enfrentaram a chuva na capital paulistana e foram à academia BioRitmo ouvir do navegador que não há nada de monótono em viajar até o continente antártico. Durante uma hora e meia, ele mostrou inúmeras imagens que comprovaram isso, com diversas paisagens, fauna e muitas histórias colecionadas pelo brasileiro.

No sonho – A palestra foi contagiante. “Eu gostaria de fazer uma expedição à Antártica, se tivesse dinheiro. Mas por enquanto fica como um sonho, acho que não teria coragem de abandonar tudo”, comentou Juliana Vieria, uma das expectadoras. Ligada à natureza por profissão, a monitora ambiental do Vale do Ribeira Noeli Floridi encarou 200 km entre a cidade de Registro (SP), onde mora, e São Paulo apenas para conferir o evento. “Gostei da iniciativa do Circuito e quero voltar para assistir às próximas palestras”, prometeu.

O público pode participar da palestra durante todo o tempo. “Encontrei um pessoal interessado, foi um prazer conversar com eles”. Como Fiadi já tinha adiantado em entrevista ao Webventure na véspera do evento, os jovens tiveram curiosidade sobre as possibilidades de escalar no gelo da Antártica. “É uma tentação escalar lá”, disse Fiadi em resposta. “Mas é um risco, é preciso ter muito cuidado. Na maioria das vezes você bate a piqueta (equipamento usado na escalada em gelo) e o efeito é como se você batesse num vidro: o gelo estilhaça, não prende.”

Entre os que se interessaram pelo assunto estava Gabriela Hies, que escala e também pretende realizar uma expedição, só que dentro do Brasil. “Vim aqui para obter dicas sobre expedição. Eu pretendo descobrir um roteiro arqueológico de ecoturismo pelo agreste brasileiro”, conta a estudante.

Perigos – O risco da viagem foi um dos assuntos mais levantados pelos espectadores na noite. Fiadi comentou sobre a possibilidade quase certa de morte se alguém cair na água gelada da região (com temperatura média de zero grau), sobre alguns animais predadores como a foca-leopardo, as queimaduras pelo sol e a dificuldade de navegar numa região de icebergs: “o maior perigo, acreditem, não são os gigantescos blocos de gelo, mas os pequenos. Esses não aparecem no satélite e você não vê, mas podem por tudo a perder.”

Para definir a intensa preparação e a coragem que uma viagem ao continente gelado exigem, Fiadi finalizou, sob aplausos: “Na Antártica você tem de ser totalmente independente, é o lugar onde a criança chora e a mãe não ouve. Ninguém vai aparecer para ajudar.”

Ao encerramento da palestra, os espectadores concorreram a produtos da Curtlo e uma semana grátis na BioRitmo. A próxima palestra do Circuito está marcada para 20 de setembro, também na academia, com o biker Leonardo Arantes e o tema: “Pedalando para o Sucesso”. As inscrições serão abertas 15 dias antes do evento, aqui no Webventure. Não perca!

Apoio: Bio Ritmo,Som Maior, Curtlo.
Idealização: Cristina Amaral.

Muitas foram as curiosidades que Júlio Fiadi contou na estréia do Circuito Webventure de Palestras de Aventura. Entre elas, o navegador lembrou abrigos encontrados em meio ao gelo que são vistados duas a três vezes no ano e mesmo assim tentam reproduzir o clima aconchegante de casa. “Num deles, há todo o tipo de suprimento que podem ser utilizados gratuitamente: são equipamentos de ponta de alpinismo, de meteorologia, muita comida e uma maravilhosa biblioteca, com livros sobre exploração dos pólos que eu adoraria ter em casa, mas ninguém remove nada de lá”, recorda.

Outro refúgio remonta a um verdadeiro “pub” (tipo tradicional de bar inglês). “Mais uma vez, tudo era de graça. Eles até respeitavam o horário de abertura e fechamento do bar conforme a Inglaterra.” “E o banheiro?”, perguntou um espectador. “Isto não tinha. Lá banheiro é você sair e cavar um buraco na neve.”

O barco foi o meio de transporte usado em todas as viagens de Fiadi. Algumas características são importantíssimas para se navegar num ambiente com tantos obstáculos e possíveis tempestades com ondas gigantes. “Para atracar, o ideal é achar um lugar bem raso. Para isso, é fundamental ter uma quilha (parte que se parece com uma barbatana investida, que fica embaixo do barco) retrátil, pois é ela que limita a profundidade na qual o barco ainda pode flutuar”, contou.

Enjôo é algo comum nas primeiras vezes, adianta o aventureiro. “Todo mundo tem. No primeiro dia, você acha que vai morrer. No segundo, tem medo de não morrer e ter de continuar enjoando daquele jeito”, brincou.

O supermergulhador – A fauna característica da Antártica obteve especial atenção do palestrante. Exibindo diversas imagens, ele falou com carinho dos pingüins, outras aves, focas e do incrível elefante marinho. “Ele pode mergulhar até 2 mil metros, chegando a profundidades que uma baleia não alcança. E fica duas horas sem respirar”.

Por falar em baleias, Fiadi teve a oportunidade rara de encontrar duas jubarte que ainda resistem na região, que antigamente era um concorrido local de caça. “Conseguimos chegar perto de um casal de baleias e uma delas se aproximou da gente, curiosa. Colocou a nadadeira sob o bote e, delicadamente, como que cuidando para não machucar ninguém, levantava um pouco o bote para sentir o peso.”

Predadora – Já a foca leopardo é temida. Ela pode pesar 700 kg e se alimenta de filhotes de focas e pingüins. “Vi um documentário em que, por causa desta foca, os mergulhadores desciam em jaulas iguais às usadas em região de tubarões”, lembra Fiadi.

Ele também teve a chance de mergulhar, com roupa especial para evitar que a água de zero grau entrasse no corpo. “É uma roupa em que a gente vai injetando ar para a água não entrar.” O fundo mar antártico, garante ele, é tão colorido quando o mar do Caribe. E há locais onde a água é mais limpa do que nesse paraíso da América Central. “É mais uma atração da Antártica, um lugar onde o cenário muda o tempo todo. Não há nada de monótono em navegar lá”, finaliza.

Este texto foi escrito por: Luciana de Oliveira

Last modified: agosto 24, 2001

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