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Edemilson Padilha conta sobre escalada no Salto Angel


Via na Gran Bóveda foi à esquerda do salto (foto: Edemilson Padilha)

Escalador há mais de 20 anos, Edemilson Padilha integrou a equipe formada por cinco brasileiros e um venezuelano que repetiu pela quarta vez uma das vias próximas ao Salto Angel, na Venezuela, a maior cachoeira do mundo. Veja a seguir o relato do brasileiro, retirado de seu blog pessoal

Escalamos o Salto Angel, esta que é a maior cachoeira do mundo. Está no Auyan Tepuy, na Venezuela, e possui quase mil metros de altura. Certamente a escalada mais difícil de toda minha carreira de escalador. Para levá-la a cabo lançamos mão de todas nossas habilidades, de todos nossos equipamentos e de toda coragem que possuíamos.

Foram 17 dias no mundo vertical lutando contra nossos limites, vencendo metro a metro cordadas difíceis de 7º grau obrigatório e até A4, com alto grau de exposição, rochas soltas e cortantes. Muito peso para rebocar, jumareadas sobre o vazio, uma cachoeira que tentava nos expulsar com jatos d’água dia e noite.

Por sorte estava bem acompanhado. Éramos seis escaladores (5 brasucas e 1 venezuelano): Eu (Edemilson Padilha), Valdesir Machado, Sergio Tartari, Jose Luis Hartmann, Waldemar Niclevicz e o venezuelano Alfredo Rangel. Revezamo-nos nas guiadas, só assim pudemos suportar a pressão da escalada tão comprometida. Quase precisávamos de psiquiatra após cada trecho escalado. Sempre progredíamos com muita cautela, pois não podíamos nos machucar ali. Depois da metade da parede não existia a opção de descer devido à negatividade da via.

Escalávamos pela única via que existe na Gran Bóveda (tipo de anfiteatro onde está localizado o Salto Angel), na rota dos espanhóis, que foi conquistada em artificial e repetida em livre duas vezes por uma equipe inglesa e depois por uma francesa. Nós fizemos a quarta ascensão escalando em uma mescla de artificial com livre.

De alento para todo nosso esforço tínhamos nos acompanhando uma paisagem exuberante e única, uma cachoeira que fazia uma dança incrível, sempre cortejada por um ou mais arco-íris. E o mais importante: um espírito de equipe muito forte que nos levou com segurança até o imenso cume do tepuy (1800m de altitude e 700Km² de área).

No topo descansamos em um dia chuvoso, rapelamos no outro e no seguinte chegamos em Canaima, onde estivemos resolvendo o mal entendido sobre a permissão para escalar. Lá nos explicaram como funcionam as regras do parque e ficou tudo esclarecido e bem resolvido. Inclusive foi uma excelente oportunidade para o Alfredo (Venezuelano) conversar com as autoridades e poder sugerir modificações nas regras para emissão de permissões de escalada nos inúmeros tepuys daquele país.

Valeu companheiros pela bela escalada! Valeu Waldemar pelo convite (o Waldemar foi quem teve a idéia e quem bancou os gastos da empreitada)! E meus agradecimentos à Edelweiss, Conquista, Território e Snake.

Mais no blog pessoal de Edemilson Padilha: edpadilha.blogspot.com

Este texto foi escrito por: Edemilson Padilha