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Como está sua preparação para o Cruce 2017?

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O Cruce é um dos eventos esportivos mais famosos da América do Sul, pois desafia os participantes a correrem bem mais que a distância de uma maratona. Uma oportunidade e tanto para quem gosta de corrida, aventura e quer ficar mais perto da natureza.

O local da 17ª edição é San Carlos de Bariloche, dessa vez todo o trajeto será na Argentina. De acordo com a organização, as paisagens têm dois pontos bem marcantes: os acampamentos com lagos e praias e o percurso no cume da montanha onde é possível ver vários vulcões.

Mas, além das belas paisagens, os participantes também devem se deparar com variações bruscas de temperatura. Apesar de o evento ocorrer no verão do hemisfério sul, em algumas edições já chegou até a nevar, um obstáculo a mais para quem não está acostumado.

Durante o percurso, que é predominantemente montanhoso, a organização exige que os corredores façam um quilômetro no tempo máximo de 14 minutos. E isso pode diminuir dependendo do terreno.

O Cruce 2017 começa no dia 1º de fevereiro, ou seja, restam apenas três meses! E sua preparação como está? O Webrun conversou com dois atletas que já participaram do evento e que contaram quais foram seus maiores desafios.

Foto: Arquivo Pessoal Vanessa Moura Foto: Arquivo Pessoal Vanessa Moura

A relações públicas, Vanessa Moura, participou em 2014 em Puerto Varas, no Chile. Ela conta que escolheu o Cruce por estar um pouco cansada do asfalto. “Participei de corridas de rua por cinco anos e apesar dos bons resultados em competições estava necessitando de um novo desafio. Escolhi essa prova porque queria mergulhar no universo do trail running. Tinha participado de apenas uma corrida de trilha”.

Mesmo já tendo certo preparo, o Cruce não foi nada fácil para Vanessa. “Tem vários desafios, para os iniciantes, como eu na época: frio, correr na areia vulcânica, mochila pesada”. A organização da prova exige que os corredores levem alguns itens obrigatórios. Além de água e alimentos, os participantes também devem ter uma barraca para dormir durante as duas noites.

Além disso, a atleta afirma que é muito importante estudar a altimetria do local para entender como será cada etapa e tentar controlar o ritmo para terminar bem a prova, já que a cada edição o percurso é alterado, o que para ela torna sempre o Cruce mais atrativo e desafiador.

Para Vanessa, atualmente no Brasil, a prova mais parecida e mais indicada para se ter uma prévia do Cruce é o Desafio das Serras, onde se corre por dois dias em trilhas nada fáceis.

Já o coordenador técnico, Manuel Lago, conta que em 2009, quando começou a correr ultra trail, conhecia muito pouco sobre a categoria e ao pesquisar viu que havia treinamentos específicos, hábitos e provas mais desejadas pelos atletas da modalidade. “Morando no Brasil, uma das provas mais famosas era o Cruce. Decidi participar não só para me testar fisicamente, mas principalmente poder fazer uma avaliação crítica sobre a prova e ter mais capacidade técnica de orientar meus atletas”.

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Manuel correu a prova em 2012 na categoria dupla mista – na época não havia categoria solo. Foram três dias entre a fronteira do Chile com a Argentina. Ele afirma que um dos maiores desafios em correr em dupla é entender quando seu parceiro não está em um bom dia, é preciso respeitar isso, principalmente quanto a expectativa é de ter uma alta performance.

Mas o que realmente mais o “incomodou” foi outra coisa. “Para mim o mais difícil foi não ter um quarto de hotel quando chegava da prova. Por mais que eu adore correr no meio do mato, também adoro dormir no conforto”.

Sobre a edição de 2012, o coordenador técnico afirmou que não teve nenhuma surpresa desagradável com a temperatura. No entanto, foi nesse ano que aconteceu um problema na balsa para atravessar o lago durante o percurso e a maioria das bagagens não chegou ao acampamento. Muitos atletas que correram mais de sete horas durante o dia, ainda sofreram com o frio a noite.

Foto: Arquivo Pessoal Manuel Lago Foto: Arquivo Pessoal Manuel Lago

Para os indecisos em correr ou não o Cruce, Manuel alerta que é preciso saber das peculiaridades da prova e principalmente gostar de acampar. Além de estar bem orientado e fisicamente capacitado.

“A preparação deve incluir provas com distâncias desde os 21 km até os 50 km. Com o passar do tempo também é preciso treinar distâncias maiores em dias consecutivos para estar preparado para os três dias”.

Confira dicas que Vanessa e Manuel deram para você encarar esse desafio também.

1. Invista em um bom casaco impermeável

Nunca se sabe quando irá fazer chover ou fazer aquele frio, por isso é importante tê-lo sempre.

2. Leve pelo menos dois pares de tênis que já tenha testado antes

Não deixe para estrear seu tênis novo no Cruce! Use aquele que deixa seus pés confortáveis e que não te deixará na mão.

3. Familiarize-se com sua mochila e bolsos

Durante a prova você não terá tempo e nem vai querer ficar gastando energia procurando as coisas.

4. Tenha paciência

Nem sempre o mais importante é a velocidade, algumas etapas são mais “travadas” do que outras, o importante é conseguir manter o ritmo.

5. Atente-se à alimentação e hidratação

Você deve fazer isso o tempo todo e levar o suficiente para os três dias. Não ponha tudo a perder por algo que só depende de você.

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6. Tenha um bom treinador

Ser instruído para um objetivo específico e por alguém que tenha experiência no assunto pode ser um fator que mudará todo seu desempenho.

7. Analise bem a lista de equipamentos obrigatórios

A organização está mais rigorosa a cada edição e correr na natureza é sempre desafiador, então não deixe faltar nada do que é pedido na lista.

8. Estude o clima da região

Esteja preparado para tudo: frio, chuva, neve, calor…O tempo sempre pode mudar de uma hora para outra.

9. Se for em dupla…

Escolha alguém em quem confie e que tenha um preparo parecido com o seu, só assim a parceria dá certo.

10. Divirta-se!

“Correr o Cruce é incrível e inesquecível! Aproveite cada momento”, aconselha Vanessa.

Foto: Arquivo Pessoal Vanessa Moura Foto: Arquivo Pessoal Vanessa Moura

Este texto foi escrito por: Carolina Abrantes

Last modified: outubro 31, 2016

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