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Diário do Bravo: a pior travessia da Volta ao Mundo


Por Matias Eli, especial para o Webventure | 09/07/2010 - Atualizada às 10:22



Matias teve problema com o tempo e dificuldade com rota
Matias teve problema com o tempo e dificuldade com rota
Foto: Matias Eli/ Arquivo pessoal
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Depois do meu passeio em Madang, sai às pressas do Royal Iate Club em Port Morsby! Tinha uma pressa inexplicável de seguir viajem rumo ao oeste, no caminho de casa. A verdade é que estou com muitas saudades das meninas e da Carol (minha esposa). Na pressa acabei não traçando minha rota para Darwin (Austrália) e deixei para fazer esse trabalho em alto mar. Na teoria fazia sentido, já que eu teria muito tempo para traçar a rota assim que saísse do porto.

Mas naquela tarde da minha partida, o vento estava roncando forte e o mar mostrou que também não estava para brincadeira. As ondas grandes de mais de três metros batiam no costado (casco do Bravo) que balançava sem parar de um lado para o outro. Era impossível ficar de pé sem segurar em algum lugar.
Desci para arrumar as coisas que caíram com o balanço do barco e também para fechar o barco, pois o “spray” das ondas certamente iria molhar tudo. Aquele movimento todo, aliado as quase duas semanas ancorado dentro da baia me fizeram sentir enjoado (tinha me desacostumado ao balanço do barco). Sai, tomei um pouco de ar e voltei para tentar arrumar as coisas e traçar minha rota. Consegui arrumar as coisas e coloquei tudo no seu devido lugar, mas não tive estômago para traçar minha rota.

Dificuldades - Caiu à noite e nada do tempo melhorar, o vento e o mar foram impiedosos com o Bravo e comigo. No dia seguinte a mesma coisa e eu com a pendência de traçar minha rota para Darwin com urgência, já que naquela noite eu me aproximaria do Estreito de Torres, que separa a Papua Nova Guiné do norte da Austrália. Para quem não conhece esse estreito é cheio de recifes. Por isso a rota deveria ser muito bem traçado para não acontecer o pior. Já era de noite quando eu finalmente consegui traçar uma rota aceitável, mas cheia de zig-zague.

Além disso, ali o trânsito de navios era intenso, tinha sempre pelo menos dois no meu radar. Foi então que percebi que a rota que os navios estavam fazendo era diferente da minha rota. Algo me dizia que a minha rota tinha muitas quebradas. O vento continuava soprando a 30 nós, as ondas estavam ainda mais implacáveis e o mar ficava mais raso à medida que me aproximava do Estreito de Torres.

Finalmente tomei coragem e peguei o livro que estão descritas as rotas do mundo inteiro, e depois da algumas quase “gorfadas”, consegui melhorar bastante a minha rota entrando pelo North East Channel, uma avenida sobre a água cuja entrada se chamada “Bligh”, em homenagem ao capitão do Bounty, que no século XVIII navegou por essas águas. Ele foi abandonado pela sua tripulação amotinado a deriva num pequeno bote no meio do Oceano Pacífico.


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