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Bernardo Arndt e Bruno Oliveira escrevem sobre a eliminação no Pan


Por Bernardo Arndt e Bruno Oliveira | 21/08/2007 - Atualizada às 19:19



Dupla brasileira estava em primeiro
Dupla brasileira estava em primeiro
Foto: Thiago Padovanni/ www.webventure.com.br
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Reveja o que fui publicado na época:
  • 27/7 - Brasileiros do Hobie Cat são desclassificados do Pan e entram com apelação
  • 28/7 - Apelação é negada e Brasileiros do Hobie Cat são eliminados do Pan-americano
  • 28/7 - Depois da desclassificação no Pan, dupla do Hobie Cat 16 anuncia abandono da classe


    Depois da eliminação nos Jogos Pan-americanos e de toda a polêmica envolvendo os brasileiros Bernardo Arndt e Bruno Oliveira, o velejador escreve uma nota explicando o que ocorreu e como foi feito o julgamento. Acompanhe o texto na íntegra.


    Nota de esclarecimento e repúdio sobre a desclassificação da dupla brasileira vencedora do Pan-americano 2007

    No último dia dos Jogos Pan-americanos de 2007, a dupla formada por Bernardo Arndt e Bruno Oliveira já havia conquistado matematicamente o ouro. Oito regatas foram disputadas, no decorrer de seis dias, e os velejadores, com vantagem de nove pontos, apenas teriam que largar na Medal Race (podendo inclusive tirar o último lugar). Porém, na véspera do pódio, cinco adversários (que com a desclassificação da dupla vencedora, passariam a ter chances de medalha) entraram com protestos sob a alegação combinada de que a peça do top do mastro utilizada pelo barco brasileiro estaria violando as regras de medição da classe.

    A decisão do Júri foi pela anulação de todos os resultados das regatas que foram corridas. Com isso o Brasil perdeu a medalha de ouro.

    A gravidade do ocorrido demanda pronto esclarecimento para o público em geral e, especialmente, para a comunidade do iatismo.

    1 - Sobre a alegação de "alteração" do mastro e sobre eventual "vantagem no desempenho do barco":

    O principal argumento dos protestos foi de que, "o mastro teria sido alterado, o que iria contra a regra número 1 da General Rules (IHCA)".

  • a. O mastro não foi alterado, não foi cortado, não foi aumentado, não teve suas características ou suas funções mudadas;
  • b. A ferragem usada no top é 100% Hobie Cat class legal;
  • c. Houve sim a utilização, em um mastro comptip (alumínio e ponta de fibra convencional), de uma ferragem que é normalmente combinada com mastros inteiros de alumínio;
  • d. Não existe nas regras da classe nenhuma especificação que proíba a combinação da peça do top do mastro de alumínio em um mastro comptip;
  • e. Essa peça é vendida avulsa e não faz parte da extrusão. Na sua embalagem, nas regras da classe ou em qualquer outra publicação da Hobie Cat não vem escrito que a peça não pode ser combinada com um mastro comptip.

    Justamente por estas razões é que o barco passou por vistoria e medição, sendo o conjunto foi APROVADO pela comissão, um dia antes da regata de abertura.

    Essa peça não traz vantagem nenhuma no desempenho se comparada à do outro tipo. É o que se demonstra:

    a - A principal alegação é de que a peça permitiria subir mais a vela. Demonstra-se que não é verdade. Como mostram as fotos ao lado, os dois tops permitem subir igualmente a vela - ambos medem 6 cm entre o limite para adriçamento da vela e a calha do mastro. Entretanto, de qualquer modo não seria razoável com nenhuma das duas ferragens, subir a vela 6cm acima da calha. Conforme a foto 1 ao lado, verifica-se que a altura da vela não depende da ferragem do top.

    b - Esta medida demonstrada acima afasta a alegação que, devido a troca das peças, a vela do barco brasileiro poderia ser fixada mais alta do que as velas dos demais barcos. Além disso, para reforço deste dado, verifica-se na foto abaixo que não há diferença que possa ser notada na altura das velas dos barcos competidores (comparados GUA, BRA, MEX e PUR).

    c - A vantagem que seria extraída da altura da vela, segundo alegaram os protestantes, seria de que o barco brasileiro poderia cair mais o mastro (aumentar o rake) sem abrir a valuma da mestra com isso. E a alegação não faz sentido porque este objetivo poderia ser obtido com mais eficiência se o barco brasileiro utilizasse um moitão de escota menor (utilizado, inclusive, pela maioria dos adversários). E não foi essa a opção de moitão e de regulagem do barco brasileiro. A foto demonstra a diferença de mais de 2 cm que refletem na caída do mastro com a escota da mestra caçada. A diferença representa uma possibilidade potencializada de cair o mastro em mais de 3 cm em função da posição do moitão, que fica mais para o centro do que a ponta da retranca.

    d - Demonstrado que:

    (i) da medição das duas ferragens possíveis (terceira foto ao lado) resulta a mesma distância para o adriçamento da vela (o que afasta a possibilidade teórica de diferença entre os barcos);

    (ii) a opção de regulagem do barco brasileiro não visava a caída do mastro que decorreria da vela mais alta.

    Sem restrição - Resta ainda o fato de que, ainda que assim não fosse, não há limite ou restrição nas regras da classe em vigor relativos à altura da vela.

    Todos os mastros testados pelo barco brasileiro antes do Pan-Americano eram usados e os conjuntos perfil / ferragens estavam já montados. Este mastro, que foi escolhido para a competição, era um desses, que foi emprestado por um sparring da dupla brasileira. E o critério de escolha do mastro não foi a característica da ferragem do top ou de qualquer outra ferragem, mas tão somente a flexibilidade do perfil.

    Não houve alteração do conjunto escolhido e os cuidados tomados pela tripulação em relação à regularidade do mastro foram:

    (i) certificação de que as peças todas que compunham o mastro eram Hobie Cat;

    (ii) apresentação do mastro no ato de medição do barco e acompanhamento da medição antes do campeonato.


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