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André Azevedo explica as modificações de um caminhão off-road


Por André Azevedo | 11/08/2009 - Atualizada às 12:17

Caminhão pode rodar nas ruas e nas trilhas
Caminhão pode rodar nas ruas e nas trilhas
Foto: André Chaco/ www.webventure.com.br
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Eu participo de ralis com um caminhão Mercedes-Benz, modelo Atego 1725 4X4, e para surpresa de muita gente, as diferenças dele para o outro comercial são realmente mínimas. Durante uma competição off-road, percorremos o que chamamos de especiais, ou seja, são os trechos cronometrados. Quando terminamos essa parte em alta velocidade é comum termos que percorrer deslocamentos em asfalto. Até por isso que todos os veículos têm, inclusive, placas, ao contrário dos caminhões de corrida da Fórmula Truck, por exemplo. Em nossa modalidade (rali) temos que estar dentro da lei para trafegar em vias públicas e isto é vistoriado no inicio da prova.

Mas para se competir em um rali é preciso algumas modificações necessárias preservando a segurança de seus participantes. A primeira delas é a inserção do SantoAntônio na cabine, espécie de reforço na estrutura interna. O banco em formato de concha também é outro item obrigatório, adaptando o competidor corretamente ao veículo, além de cintos especiais, em geral, de cinco pontas, e instalação de extintores de incêndio com maior capacidade.

A suspensão do Atego também é modificada, sendo mista. Com isso, ela possui um sistema a ar e outro original de mola e amortecedores. E nas rodas dianteiras temos dois amortecedores por roda. Dessa maneira, o piloto garante mais sensibilidade enquanto dirige, facilitando a ultrapassagem de obstáculos.

Outra modificação importante é um aumento da potência do motor (de 270 para 400 cavalos, aproximadamente) e do tanque, que é aumentado para garantir mais autonomia nas etapas – cerca de 500 litros. A potência do motor é atingida só realizando uma nova regulagem eletrônica do equipamento, sem trocar nenhuma peça original.

Mas reparem que as mudanças realizadas no veículo não alteram a resistência do equipamento, fator muito importante para nós dentro de um rali de longa duração. O que “mexemos” é apenas num ganho de performance do equipamento, sem maiores transformações. Com estas modificações deixamos o Mercedes-Bens Atego leve e bem rápido, e assim consigo chegar a velocidades superiores a 160 km/h.

Então aqui ficam as dicas, quem sabe não temos mais competidores em nosso grid de pesos-pesados?


André Azevedo


Piloto do caminhão da Equipe Petrobras Lubrax, começou a pilotar em 1976, no Motocross. Em ralis, já competiu em motos, carros e caminhões. Venceu quatro vezes o Rally dos Sertões e já foi vice-campeão do Dakar, em 2003, além de acumular diversos títulos em provas nacionais. Foi o primeiro piloto sul-americano a terminar um Dakar, em 1991.

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Mitsubishi Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões, Pirelli, KTM do Brasil, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe, ZF do Brasil, Sparco América Latina, Motorola e Artfix.

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