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Coluna do Deco: o Rally Dakar em 2010


Por Deco Muniz | 08/02/2010 - Atualizada às 09:45

Sainz e Cruz comemoram o título
Sainz e Cruz comemoram o título
Foto: Andre Chaco
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Após quase um mês do término da edição 2010 do maior rally do mundo, analisando tudo o que aconteceu no trajeto entre a Argentina e o Chile, podemos chegar a algumas conclusões sobre os 15 dias de prova.

A VW confirmou seu favoritismo, como única equipe oficial de fábrica, o time azul deu as cartas durante a competição e ficou com os três lugares do pódio, se dando ao luxo de não fazer jogo de equipe, deixando a disputa aberta até a última especial, com suas duplas principais se degladiando de forma emocionante, com uma vantagem final de pouco mais de dois minutos a favor dos espanhóis Sainz/Cruz sobre Al-Attiyah/ Gotschalk. O piloto do Qatar sofreu com a pressão de deixar escapar a vitória nas duas provas em que correu no ano passado, principalmente no Silk Way Rally, quando capotou na última especial com a prova praticamente ganha. Demorou demais para voltar ao seu ritmo quase insano e não conseguiu descontar uma desvantagem de pouco mais de dez minutos que tinha ao final da etapa dez.

Por outro lado Sainz fez a melhor troca de todo o grid, se livrando de Michel Perin e conseguindo um navegador confiável que não comprometesse a velocidade de “El Matador”. O espanhol pode enfim comemorar a vitória, após bater na trave por dois anos. Diferente das outras duas edições quando foi o maior vencedor de especiais da prova, este ano foram somente duas vitórias, mas a constância da dupla, trouxe o lugar mais alto do pódio.

Miller/ Pitchford demonstraram mais uma vez ser a dupla mais equilibrada do time germânico, numa prova sem erros e sem correr riscos, chegaram ao segundo pódio consecutivo para alegria do chefão Kris Nielsen. Com um pouco mais de ousadia por parte do piloto, podem ser candidatos a vitória nas próximas edições. De Villiers/ VonZitzewitz foram os azarados da vez e sofreram com problemas mecânicos, coisa rara nos Race Tuareg. Independente disso, em momento algum andaram no ritmo das duas duplas vitoriosas. Devem continuar no time, mas a sombra de Saiz e Al-Attiyah.

Maurício Neves perdeu uma grande oportunidade de se firmar de vez na VW. Ao lado do navegador Clécio Maestrelli, chegou a cravar o terceiro tempo no segundo dia, mas a capotagem nas areias do Atacama e o fato de não concluir a prova podem comprometer o futuro do piloto na equipe. Foi o único carro do time azul que não chegou ao final.

Potência - A BMW provou que está no mesmo nível de potência e velocidade da VW, mesmo o time não tendo o investimento e estrutura de seus compatriotas, visto ser um time semi-oficial, apenas com apoio da fábrica, mas falta resistência e confiabilidade aos carros da marca. O que mais pesou contra foi a estratégia adotada em 2009, enquanto o time azul priorizou as provas de longa duração (quando a resistência dos carros é testada ao extremo), a BMW priorizou as provas de Baja (com no máximo 3 dias de durações e menos de 300 km de especiais por dia).

Peterhansel/ Cottret venceram quatro especiais, com o piloto mostrando porque é o rei do Dakar, independente do local onde a prova aconteça, mas a quebra da tração nas areias do Atacama entre Copiapó e Antofagasta o tiraram a chance de brigar pela vitória.

De positivo no time também a confirmação da maturidade de Chicherit. O piloto francês ao lado da navegadora Tina Thoerner, mostrou que o titulo mundial de TT FIA em 2009 não foi por acaso e excluindo o problema mecânico do primeiro dia, fez uma prova fantástica. Ponto negativo na equipe a contratação de PERIN, que levou ROMA barranco abaixo, depois da dupla surpreender e vencer o primeiro dia.

Gordon/ Grider continuam a dar espetáculo, mas sem muita eficiência nos resultados. O Hummer vai muito bem na areia, mesmo com a tração 4x2 (graças ao peso muito inferior ao dos carros 4x4, permitido pelo regulamento) mas continua péssimo de curva e leva muita desvantagem em pisos rápidos e sinuosos. De Gavardo/ Rodriguez deixaram a prova logo no quarto dia e viram muita gente insatisfeita com o fim prematuro do investimento de um milhão de dólares que o governo chileno fez na dupla.


Deco Muniz


Navegador e organizador de ralis, começou a navegar em provas off-road em 1998. É organizador do paulista de rali cross-country e da Copa Troller. Participou de diversas edições do Rally dos Sertões e de várias provas nacionais de ralis cross-country.

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