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Coluna do André Azevedo: adrenalina surpresa


Por André Azevedo | 05/09/2009 - Atualizada às 06:49

André teve que guiar em situação 4x2 no Sertões
André teve que guiar em situação 4x2 no Sertões
Foto: André Chaco/ www.webventure.com.br
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Tomando como inspiração o problema que sofri no último Rally dos Sertões, quando ao saltarmos de uma lomba seguida de uma depressão que não constavam na planilha da prova e que acarretou na quebra do semi-eixo dianteiro, tive a ideia de fazer um artigo contando como é pilotar na condição 4X2, pois a maioria dos veículos do cross-country são 4X4.

E como azar sempre vem seguido de mais azar, o incidente aconteceu justamente numa das etapas mais importantes do rali, a Maratona, que impede a ajuda externa para a correção do problema. Ou seja, a partir daquele dia teria que "levar" meu Mercedes-Benz até o final.

Outro dado importante: quando compramos um veículo 4x2 para ser usado em nosso dia-a-dia é comum que a tração seja dianteira. Isto reflete numa segurança maior do veículo e na menor capacidade de subir ladeiras sem aderência no caso de terra ou lama. Explico o quesito segurança: a tração dianteira é a mais segura, já que há mais controle do carro em caso de derrapagens. A tração dianteira é menos eficiente para subir ladeiras com pouca aderência em relação à traseira, pois o peso do carro ajuda a dar mais peso nas rodas de trás, aumentando a sua pressão ao solo. Até por isto que alguns motoristas tentam subir ladeiras de marcha ré, quando o carro tem tração dianteira.

Por algumas vezes, tanto eu quanto o Jean, já perdemos a tração dianteira em competições de rali. Além da dificuldade acima, a tocada fica com mais "adrenalina", pois o veículo começa a escorregar de maneira perigosa pelas curvas e frenagens. E como participamos de um rali de velocidade perdemos mais tempo para realizar o percurso a prova.

Tração traseira - Só com a tração traseira o aproveitamento do freio motor é menor, quando se tem o 4x4 são as quatro rodas que estarão ajudando a diminuir a velocidade do veículo e com isso o carro se torna mais equilibrado. Em duas rodas qualquer alteração na trajetória o veículo começa a querer se ‘desgarrar’ do percurso, derrapando.

Na parte onde realmente é necessária a tração 4x4 existe o risco de ficar preso na lama ou areia. Sem dúvida, é um tipo diferente de adrenalina. Mas para evitar essas situações, deve-se aumentar a velocidade para ter mais chance de vencer esses obstáculos, entretanto forçando mais as suspensões e deixando o veículo sem controle nos saltos que acabam acontecendo.

Mas, para ser sincero, eu gosto de pilotar no 4X2, segurando o veículo mais no limite, sendo nas curvas ou frenagens com muito mais adrenalina. Situação esta que não é indicada para quem está começando no off road por ter mais perigo de acidentes. Para os novatos, aconselho a tração nas quatro rodas ligada direto, que é mais eficiente, passando segurança e ajudando a ganhar tempo em provas de velocidade.

André Azevedo


Piloto do caminhão da Equipe Petrobras Lubrax, começou a pilotar em 1976, no Motocross. Em ralis, já competiu em motos, carros e caminhões. Venceu quatro vezes o Rally dos Sertões e já foi vice-campeão do Dakar, em 2003, além de acumular diversos títulos em provas nacionais. Foi o primeiro piloto sul-americano a terminar um Dakar, em 1991.

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Mitsubishi Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões, Pirelli, KTM do Brasil, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe, ZF do Brasil, Sparco América Latina, Motorola e Artfix.

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