Carlos Sousa deixou navegador para trás
Foto: Volkswagen
O português Carlos Sousa, da Volkswagen, foi o protagonista de uma das cenas mais estranhas e que, com certeza, irá figurar nas rodinhas de conversas dos bastidores nos próximos anos. Entrará para a história do Rally Dakar.
Depois de atolar na areia e ficar furioso com seu navegador, Andreas Schulz, o piloto entrou no carro e partiu sozinho. O navegador ficou mais de uma hora perdido no deserto a procura do piloto.
Mas a explicação de Sousa para deixar seu companheiro para trás não é tão convincente assim. Ele afirma que deixou o navegador apenas para sair de uma zona de dunas perigosas. Mas o que ele mesmo diz não parece ser bem isso: "estivemos muito tempo perdidos, mas o pior aconteceu nas dunas, quando atolamos. Pusemos as pranchas [sob os pneus, para desatolar] e saímos bem. Disse ao Schulz para entrar, mas ele disse que tínhamos de ir buscar as pranchas. Ele ficou e eu segui em frente", explicou à rede portuguesa TSF.
Mas antes mesmo do piloto chegar a Atar, seu assessor tentava convencer a imprensa que ele não tinha abandonado Schulz. Segundo Duarte Cancella de Abreu, Sousa não viu seu navegador, por isso partiu sem ele: "o carro ficou parado nas dunas e o navegador saiu para desatolar. Carlos Sousa conseguiu sair e perdeu o navegador devido a uma tempestade de areia. Além disso, só parou cerca de um quilômetro mais à frente para fugir à zona perigosa. Depois ficou à espera", explicou Duarte ao jornal português Record.
Justificativa - Com ou sem tempestade de areia e zonas perigosas, andar cerca de um quilômetro e meio sem navegador parece ser um tanto quanto estranho. Mas o português explica: "foi difícil, pois não podia voltar para trás e deixei de ter contato com o meu navegador. Andamos a procura dele, mas só uma hora e pouco depois é que o encontramos. Fiquei rodeado de um mar de carros e, como não conseguia parar em nenhum lado, fiquei cerca de um quilômetro e meio afastado dele", completou o piloto.”
Vale lembrar que os pilotos estão realizando a etapa no meio do deserto da Mauritânia. Poucos trecho tem estradas ou rotas para seguir. Grande parte das especiais é realizada em campo aberto, com orientação apenas da planilha e GPS dos carros.
Apesar de todos os problemas, o piloto chegou na 42ª posição, bem a frente do brasileiro melhor colocado na prova. Paulo Nobre, o Palmeirinha, chegou apenas em 77º lugar.