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Um bom motivo?


Por Helena Artmann | 24/08/2002 - Atualizada às 17:50

Outro dia, enquanto passava pela pista Claudio Coutinho, na Urca (Rio de Janeiro), ouvi uma frase perdida no vento dita por uma mãe a seu filho pequeno: "É... dá uma vontade de ir lá, né?" Lá era o topo da Pedra do Urubu. Bem, claro que me pus a refletir sobre a frase, tão simples e, ao mesmo tempo, tão profunda.

Sim, dá uma vontade doida de ir lá. E por isso, talvez, nós escalamos montanhas. A curiosidade é um "dom" do ser humano. A vontade de descobrir mundos e fundos, também.

Lembro quando era muito pequena e viajava de carro do interior paulista ao Rio de Janeiro para visitar a família. Da janela, via morrotes que hoje sequer merecem atenção e ficava tentando imaginar como se subia neles. Será que ofereciam um caminho? Tinham alguma "fraqueza" que permitia subi-los?

"Infância de descobertas" - Mentalmente, eu ia traçando uma rota que me levava até lá em cima, onde era possível ver o outro lado. Claro, porque um cume só é um cume se ele te permite enxergar até onde a vista alcançar...

Nesta infância de descobertas, quando eu morava em uma fazenda e gostava de me aventurar pelas terras com os primos e amigos, muitas vezes saí de casa toda preparada para enfrentar uma verdadeira floresta amazônica quando, na verdade, apenas andaria por uma mata reflorestada de eucaliptos, feita com o intuito de barrar o vento.

Mas a semente estava ali, brotando. E cresceu, é claro. Me proporcionando, talvez, o mesmo sentimento daquele tempo quando, hoje, munida de bons equipamentos, fecho minha mochila e saio por aí, trilhando caminhos que nem em sonhos pensei em repetir...

E você? - E lá se vão pelo menos 11 anos andando por trilhas! O que, vale dizer, é um terço de minha existência. Se considerarmos os nove anos que vivi na fazenda, são dois terços e a conclusão de que não sei viver outra vida. Ainda bem. A vontade doida de ir lá continua aqui, firme e forte. E a sua? Então, o que está esperando... não está na hora de deixar a preguiça de lado e partir?

Helena Artmann (arquivo)


Colunista do Webventure, carioca, é jornalista, alpinista e balonista. Começou a voar de balão em 1991, escalar em rocha em 1993 e em gelo em 1996. Está no meio do projeto Sete Cumes, onde pretende escalar a montanha mais alta de cada continente - já fez quatro (África, Europa, América do Norte e do Sul) das sete. Além disso, tem cinco cumes com mais de seis mil metros no currículo, entre outros. Já esteve na Estação Antártica Comandante Ferraz, como alpinista, e foi navegadora de uma equipe feminina de balonismo. Como jornalista, se especializou em textos e fotos de esportes ao ar livre, tendo documentado todas as suas viagens e expedições.

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