A Cordilheira Branca
Foto: Arquivo pessoal
Manzan compete em triathlon off-road, como o XTerra
Foto: Arquivo pessoal
Eu já tinha ouvido falar dos efeitos da alta altitude no corpo humano quando subi minha primeira montanha, em 2001. Com quase 3 mil metros de altitude, a ascensão da Pedra da Mina, na Serra da Mantiqueira (MG), não gera nenhum tipo de desconforto ou consequência grave na maioria das pessoas. Na ocasião, vigiava curiosamente cada metro conquistado a espera de algum sintoma da altitude. É claro que saí de lá sem notar nenhuma alteração em meu corpo.
Além da beleza inexplicável das montanhas, creio que a curiosidade em saber como meu corpo se comportaria em altitudes elevadas me direcionou a Cordilheira dos Andes. Eu já havia subido a maioria das montanhas brasileiras, e o Aconcágua, com seus 6.962 metros (a montanha mais alta das Américas), me chamou a atenção.
Imaturo no montanhismo de altitude, me joguei em uma expedição ao Aconcágua, em 2008. Para não chegar tão perdido, li antes vários artigos a respeito da aclimatação ideal. Existem inúmeras teorias e, principalmente, diferentes ritmos de adaptação. Para piorar a situação, em decorrência dos meus míseros 20 dias de férias, tive de me encaixar em uma expedição cujo prazo para atingir o cume seria de 10 a 14 dias. Até então, achava que seria um prazo satisfatório.
Mas, lá percebi que “paciência e humildade” são dois itens fundamentais na montanha. Apesar de termos subido e descido regularmente a metragem padrão para a aclimatação naquela montanha, senti bastante a minha (não) adaptação. Entre mortos e feridos, após12 dias de perrengue no Parque Aconcágua, pisei no cume.
Após esta expedição, realizada no verão do Hemisfério Sul (a subida foi caminhando), fiquei com vontade de escalar uma montanha com gelo. Já tinha ouvido falar da Cordilheira Branca, no Peru, de suas belas montanhas e preços convidativos. Então, planejei, durante seis meses, um trekking naquela região (o de Santa Cruz, de 40 quilômetros) e uma montanha de 5.700 metros (a Pisco) como parte de minha aclimatação para o objetivo principal: subir a Chopicalqui, de 6.350 metros.