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Subindo pela face sul do Vulcão Lanin


Por Helena Coelho | 04/04/2007 - Atualizada às 10:30

Vulcão Lanin
Vulcão Lanin
Foto: Arquivo pessoal
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Na virada deste ano, estávamos o Paulo, eu e mais seis amigos, todos do Clube Andino Independente, acampados na encosta do Vulcão Lanin, na fronteira do Chile com a Argentina.

Três deles haviam escalado o Lanin há vinte anos atrás pela face sul e tiveram a idéia de refazer a mesma subida para comemorar esse aniversário - Alfredo Bonini, Andrea Mattos, Klaus Bartl. Nos juntamos com a idéia de fazer a subida em quatro cordadas independentes. Cada cordada com seu equipamento próprio - grampos de gelo, cordas, etc. - para que todos pudessem guiar, escalar um pouco de gelo, usando as piquetas e toda técnica aprendida em cursos de escalada em gelo, que também foi feito há mais de 20 anos. Além da técnica aprimorada com a experiência acumulada durante todos esses anos e muitas montanhas escaladas. Então, vamos lá.

Entre sugestões, acertamos a data mais conveniente para o grupo e voamos para Bariloche, na Argentina. De lá, contratamos uma van para nos levar a Junin de los Andes, onde ficamos apenas uma noite, o suficiente para fazer as compras de supermercado e de gás para os nossos fogareiros. E, de novo em van, fomos a Puerto Canoas, às margens do lago Huechulafquen, já que a idéia era subir o Vulcão pela face sul. Havia áreas de acampamento e alguns poucos restaurantes, à beira do lago, um bom lugar para descansar antes da subida.

Checagem de equipamentos - Antes da subida, é obrigatório registrar-se no Parque Nacional Lanin e avisar no retorno em Puerto Canoas, ou do outro lado em Rio Turbio. E, para quem não está acostumado com isso, aviso que eles realmente checam item por item se você tem os equipamentos e vestimentas necessários para a subida: capacete, cadeirinha, botas plásticas, crampons, duas piquetas técnicas, mosquetões simples e com trava, grampos para gelo, fitas e cordins, corda para cada duas pessoas, rádios e toda a tralha de acampamento e vestimentas.

Eles verificam se os equipamentos são de qualidade recomendada pelos órgãos técnicos, além de pedir informações sobre o seu currículo de montanha para analisar se permitem que você escale ou não. É um cuidado interessante que diminui em muito o risco de acidentes e resgate por causa de falta de experiência das pessoas ou por falta de equipamentos adequados. Ainda mais que, pela face sul, segundo informações do guarda parque, há somente uma ou duas ascensões por temporada.

Se preferir subir pela face norte, onde a ascensão não é tão técnica, os guardaparques de Rio Turbio também verificam o material que você está levando, obviamente que o equipamento exigido é menor. Por exemplo, eles não exigem duas piquetas técnicas, já que isto não é necessário na subida pelo lado norte. É mais uma caminhada bem íngreme com travessias em terreno nevado. Pelo menos, em janeiro estava assim.

Helena Coelho


Helena Coelho, colunista do Webventure, é guia de trekking e escalada há mais de 30 anos em montanhas do Brasil e do mundo. Escalou os mais altos cumes dos Andes, o Mont Blanc e o Elbrus (Europa), o Kilimanjaro (África) e o McKinley (América do Norte). Foi a primeira mulher brasileira a trabalhar na Antártica como alpinista de apoio ao Programa Antártico Brasileiro. Participou de várias escaladas na Cordilheira do Himalaia, chegando a 8.400 metros de altitude do Everest (que tem 8.848) sem o uso de cilindros de oxigênio e sem o auxílio de sherpas. Helena e seu marido Paulo Coelho têm o apoio de Curtlo e Sportslab.

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