Sherpas vivem da agricultura, comércio e alguns da aventura
Foto: Arquivo Pessoal/ Rodrigo Raineri
Sobrenome comum da população também é Sherpa
Foto: Arquivo Pessoal/ Rodrigo Raineri
Resistência e força é característica dos sherpas
Foto: Arquivo Pessoal/ Manoel Morgado
Conhecidos no mundo do montanhismo, sherpa (ou xerpa) é o nome dado àqueles que são guias ou mesmo carregadores que ajudam os escaladores a subir as montanhas e realizar trekkings na região do Himalaia. A palavra surgiu do dialeto desta etnia, que uniu as palavras
shyar, que significa Leste e
pa, de povo:
Shyarpa. Grande parte da população se instalou na base do Monte Everest, próxima ao rio Dodh Koshi. Sherpa, além de ser o adjetivo, é também o sobrenome comum do povo.
O mais conhecido dos sherpas é Tenzing Norgay Sherpa, que acompanhou Edmund Hillary em 1953 na primeira conquista do cume do Everest. Muitos destacam este povoado pela incrível resistência e força que possuem. Especula-se que a capacidade pulmonar dos moradores da região é adquirida geneticamente e pela suposta maior quantidade de hemoglobina no sangue, por isso a facilidade e o bom desempenho nas altitudes; e também pelas restrições alimentares que eram dadas quando empregados como carregadores.
Pemba Dorjie, em maio de 2004, quebrou o recorde do sherpa Lhapka Gelu ao escalar o Monte Everest em 8h10min. A batalha entre os dois pode ser considerada uma das maiores proezas do montanhismo mundial. Entre as mulheres sherpas, Pasang Lhambu foi a primeira a completar a escalada.
Os sherpas vivem no Vale do Khumbu, que chega a 3.962 m de altitude, e vivem do comércio e também da agricultura de trigo, cevada e batata nas encostas das montanhas. E por conta do desmatamento e do crescente volume de pessoas na região, o vale é protegido desde 1976 pelo Parque Nacional de Sagarmatha e desde 79 é considerado Patrimônio da Humanidade pela ONU. Sagarmatha é como os sherpas chamam o Everest.
Relação com o Everest - Os sherpas respeitam o Everest como um deus, chamando o de Chomolungma, “deusa-mãe do mundo”, que fornece energia vital para moradores e visitantes. Antes de cada escalada, os montanhistas passam pelo Dia do Puja, uma cerimônia que eles pedem ao Chomolungma e os deuses que lá habitam permissão e passagem segura por suas terras. Lamas entoam mantras e o ritual encerra com os participantes jogando grãos de arroz e tsampa (cevada torrada e moída) aos céus.
Hoje, os sherpas contam com muitas contribuições que Edward Hillary deixou antes de falecer, em 2008. Com seus esforços, construiu escolas e hospitais na região do Himalaia e teve a idéia de construir o aeroporto Lukla,que aumentou o turismo e qualquer outra necessidade de transporte que os sherpas necessitem com urgência. Hillary também foi o presidente honorário da Fundação American Himalayan, sem fins lucrativos, que contribui com as questões ambientais da área.
Há aproximadamente 3.500 sherpas morando no Parque Nacional, e deste baixo número se dá por conta da falta de trabalho na região. Alguns utilizam o grande número de estrangeiros como forma de trabalho. Um exemplo é Apa Sherpa, que abriu sua própria empresa de trekking para turistas, além de ser o chefe da expedição, este ano, de limpeza do Everest.