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Neve e tempo instável impedem Waldemar Niclevicz e Irivan Burda de chegar ao cume do Hidden Peak


Por Waldemar Niclevicz | 06/07/2010 - Atualizada às 15:48

Vista do acampamento base e o cume do Hidden Peak, que se destaca pela sua forma piramidal
Vista do acampamento base e o cume do Hidden Peak, que se destaca pela sua forma piramidal
Foto: Arquivo pessoal/ Waldemar Niclevicz
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O brasileiro Waldemar Niclevicz relata as dificuldades na escalada do Hidden Peak. Acompanhe.


Estamos no acampamento-base descansando após a nossa primeira investida ao Hidden Peak, quando montamos o acampamento 1 a 5.950m e quase chegamos ao local do acampamento 2 (6.500m). Por volta dos 6.350m fomos impedidos de prosseguir, por um vento gelado e carregado de neve que deixava impossível se orientar entre os gigantescos blocos de gelo e profundas gretas.

Iríamos recomeçar a escalada hoje, mas de madrugada começou a nevar forte e pela manhã o acampamento-base amanheceu coberto por mais de 20cm de neve. Ninguém de nenhuma das expedições subiu hoje. Estamos aqui, escutando as avalanches, descarregando o excesso de neve das encostas das montanhas, com a esperança de que na próxima madrugada seguiremos rumo às altitudes superiores.

É importante sairmos no máximo até as 4h da manhã do acampamento-base, pois o trecho até o acampamento 1 é repleto de greta. O frio da madruga por volta dos 12 graus negativos, faz com o que as placas de gelo sobre as gretas aguentem nosso peso. Outro trecho onde as gretas nos preocupam é justamente a chegada ao acampamento 2. Já encontramos cordas fixas de anos anteriores, mas ainda não conseguimos achar um caminho seguro entre essas gigantescas gretas.

Acampamento 2 - Nessa próxima investida esperamos não só montar nosso acampamento 2 a 6.500m, mas também queremos fixar cordas no Corredor Japonês, de 500m de altura, o principal obstáculo rumo às alturas do Hidden Peak. Se obtivermos sucesso, na seguinte investida já esperamos fazer a nossa tentativa de chegar ao seu cume de 8.068m lá pelo dia 19 ou 20 de Julho.

O ponto alto da nossa expedição vem sendo o entrosamento e o ânimo da nossa equipe, algo típico do sul-americano. Provavelmente somos a primeira expedição sul-americana a enfrentar o Karakorum com brasileiros, argentinos e colombianos; além dos quatro guatemaltecos. Nossa equipe também é muito forte tecnicamente, o que nos dá plena auto-suficiência para superar nossos objetivos.

Ontem depois do jantar toda a equipe assistiu ao DVD "Um sonho chamado K2". Chorei de emoção várias vezes ao relembrar a gratificante experiência de vida que tive nessa grande montanha. A expedição 10 Anos do Brasil no K2 está sendo realizada sem nenhum patrocínio.

Como sempre, contamos com a sua importante torcida.



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