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Na avenida dos vulcões do Equador: a escalada no Cotopaxi


Por André Dib | 05/10/2010 - Atualizada às 14:26

Laguna de Quilotoa
Laguna de Quilotoa
Foto: Arquivo pessoal/ André Dib
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O Equador é um pequeno país ao noroeste da América do Sul, espremido entre o Peru e a Colômbia e cortado pela mais extensa cadeia de montanhas do mundo, os Andes. Nessa região, porém a Cordilheira se divide em duas, denominadas de Cordilheira Oriental e Ocidental.

Entremeadas por um longo vale e compostas por pequenos vilarejos indígenas, a região foi “batizada” pelo alemão Alexander Von Humboldt, no século XIX, de “Avenida dos Vulcões”. Expressão que define bem esse território salpicado de “gigantes” que se expõem soberanos e determinam a paisagem.

Nesse território, existem cerca de 30 montanhas de origem vulcânica e muitos desses vulcões, que ainda permanecem ativos, já causaram centenas de mortes ao longo dos tempos. As histórias são muitas: A cidade de Latacunga, já foi devastada duas vezes pela erupção do Cotopaxi. Em suas ruas repousam milhares de pedras lançadas pelo vulcão a cerca de 80 km de distância, algumas delas com mais de uma tonelada, testemunham a dimensão da tragédia. O Tungurahua explodiu no ano passado e matou alguns habitantes locais. Cerca de 5000 pessoas tiveram que deixar suas casas às pressas e muitos hectares de roça foram queimados pela lava. A população, porém, já se acostumou com a natureza instável e convive em harmonia nesse universo de humor inconstante.

Expedição - Eu e mais dois companheiros de montanha, Geraldo Osório e Luiz Guimarães, estivemos na região em 2008, em busca dos cumes gelados desses magníficos vulcões. Nosso objetivo, além de outras montanhas menores, era o cume do lendário vulcão Cotopaxi, que desde os primórdios, alimenta os mitos, ilustra e compõe a história do Equador. Para isso, organizamos um cronograma de aclimatação. Aclimatação é o processo de adaptação que o corpo necessita para se ajustar, gradativamente, à baixa pressão atmosférica e conseqüentemente, com o ar rarefeito.

Vale destacar as paisagens surpreendentes que encontramos pelo caminho, entre elas a laguna de Quilotoa, uma admirável cratera vulcânica, rodeada por penhascos vertiginosos e guardando um misterioso lago verde esmeralda no seu interior.

Após seis dias de preparação, seguimos para o vulcão. Chegamos ao refúgio da montanha, por volta das 16h, jantamos e procuramos repousar cedo. Precisamente à meia-noite, acordamos e começamos arrumar as provisões.


Nesta Matéria


  1.  Introdução
  2.  Subida

André Dib


Iniciou-se tarde no estilo de vida outdoor. Até os 25 anos nunca havia feito um trilha. Subiu sua primeira montanha no parque Nacional de Itatiaia em 2000, e de lá pra cá não parou mais. Fotógrafo desde 2002, compõe matérias para as principais revistas de natureza, esporte e aventura do país, além de produzir imagens para catálogos publicitários e campanhas institucionais, sempre abordando o tema Outdoor. Dib fez alguns cursos práticos de escalada em gelo no Parque Nacional Condoriri, e no Huayna Potosí, na Bolívia, e escalou o Aconcágua, em janeiro de 2010. No Brasil, participou de diversas viagens e expedições, como o Pico da Neblina (2007), e o Monte Roraima, onde já esteve 3 vezes. A força das imagens produzidas "in loco", a natureza pulsante e a maneira como o ser humano se encaixa nela tornaram-se a marca da trajetória do fotógrafo.

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