Para Helena, o significado de aventura não tem a ver com o que faz. Em suas escaladas, ela está preparada para os imprevistos.
Foto: Helena Artmann
Falar sobre segurança, em montanhismo, é redundância... Li recentemente uma entrevista com o Ricardo Menescal, primeiro brasileiro a subir o Aconcágua junto com Orlando Lacorte, em janeiro de 1953, onde ele diz que “o alpinismo não é perigoso, mas o esporte dá margem a muita imprudência”.
Pois são estas imprudências que acabam gerando os acidentes, em sua maioria por erro humano. Mas, feito com cuidado, cautela e muito conhecimento, é bem mais seguro que muitas atividades normais no nosso dia-a-dia, como uma viagem de carro pelas estradas brasileiras, por exemplo.
Acidentes - Loucura? Basta olhar as estatísticas... Alguns clubes brasileiros, com mais de 50 anos (o Centro Excursionista Brasileiro tem cerca de 90!), não possuem uma morte sequer durante suas atividades nas montanhas. Não é pouco! Estamos falando de clubes muito ativos e com excursões semanais sendo feitas desde o início de suas vidas.
Mas, ao falar de clubes, estamos também falando de pessoas sérias e responsáveis, que decidem fazer uma atividade pelo amor a mesma e, por isso, o fazem com toda a prudência e conhecimento possíveis, além de bons equipamentos, claro!
Infelizmente, a maioria dos acidentes que vemos por aí, quase todos fatais, aconteceram por causa da inexperiência de seus praticantes. Pior, muitos acham que esta onda de esportes radicais e a busca constante pela adrenalina significa arriscar-se... Doce engano!
o que é aventura - Desde que começou todo este modismo, passei a odiar a palavra aventura... Nada define pior o que faço do que ela... O Aurélio diz que aventura é ‘perigo, risco’ e aventurar é ‘dizer ou fazer ao acaso, arriscar-se, expor-se’. Pois não me vejo arriscando um centímetro da minha pele ao sair com a mochila cheia de provisões, roupas quentes e secas, casaco impermeável, barraca adequada, saco de dormir eficiente, um isolante, fogareiro com combustível e panelas, lanterna e pilhas reservas, um bom mapa, indicações de onde estou indo, bússola e, eventualmente, até GPS e celular para passar um feriado em alguma trilha por aí.
Posso ficar perdida um, dois, alguns dias até (se bem que, em 12 anos trilhando caminhos pelo mundo, isto NUNCA me aconteceu!), mas isso não será um problema se eu estiver preparada. E estando preparada, o que eu faço é tudo, menos aventura...