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Após duas tentativas, Waldemar Niclevicz e Irivan Burda desistem de escalar o Hidden Peak


Por Waldemar Niclevicz | 26/07/2010 - Atualizada às 11:35

Lucho, Hernan, Mônica e Gore chegando ao cume do Hidden Peak ou Gasherbrum I de 8.068m
Lucho, Hernan, Mônica e Gore chegando ao cume do Hidden Peak ou Gasherbrum I de 8.068m
Foto: Arquivo Pessoal/ Waldemar Niclevicz
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O brasileiro Waldemar Niclevicz relata a investida que os deixou a apenas 20 metros do cume do Hidden Peak. Acompanhe.

Em três dias estivemos por duas vezes acima dos oito mil metros, mas infelizmente não conseguimos chegar aos 8.068m do Hidden Peak. Faltou muito pouco, não mais que 20 metros de altura.

Nosso primeiro ataque ao cume de oito mil que se chama “montanha da luz” foi no dia 17 de julho. Saímos do nosso acampamento 3 a 7.100metros, exatamente a meia noite, achando que a maior dificuldade havia ficado para trás, no Corredor Japonês, trecho entre o acampamento 2 (6.500m) e o acampamento 3 (7.100m) que havíamos encontrado parcialmente encubado com velhas cordas fixas.

De fato, após partimos do acampamento 3 a escalada não passava de uma simples caminhada. A neve tinha 20 metros de profundidade e a noite estava calma e sem vento, com uma temperatura de -14ºC.

Por volta dos 7.300 metros, entramos em outro corredor, sem cordas fixas, que foi inclinando cada vez mais com trechos de até 60 graus de inclinação. Eram cerca de quatro horas da madrugada quando começou a amanhecer. Já estávamos a 7.600metros e o cume dourado aparecia muito próximo. Ao sair desse corredor inclinado, Lucho, Hernan e Mônica acabaram ficando à esquerda seguidos pelo canadense Donald Bowie e o russo Alexey Bolotoov, que haviam nos alcançado.

Isso foi um grande erro, mais abaixo eu gritava e gesticulava, dizendo para eles seguirem em frente, fazendo uma travessia para o lado direito da montanha. Eles não me escutavam naquela altitude: viraram à esquerda desaparecendo, seguindo pelas pedras, evitando a neve profunda. Não tive outra escolha a não ser seguí-los, com a esperança de também por ali chegarmos ao cume.

Desistências - Eram cerca de oito horas da manhã quando Hernan e Mônica resolveram desistir devido à neve profunda. A sequência de pedras havia terminado. Donald e Alexey ainda insistiam pela esquerda. Lucho bravamente abria caminho para a direta, mas, ao atolar-se na neve até a cintura, também desistiu. Nesse momento, o Irivan me alcançou e eu gritei para o Donald dizendo que o cume era para a direita e não para a esquerda. Ele desescalou até nós e disse que não ia mais continuar. Tentei animá-lo, dizendo que ainda era cedo que o dia estava lindo, mas Donald disse que estava muito perigoso e ia descer.

Por sorte, o Alexey topou prosseguir pelo caminho que o Lucho havia tentado, afundando na neve até a cintura. Eu e o Irivan o seguimos e, por sorte, conseguimos chegar até o esporão de rocha, evitando a neve traiçoeira. ‘Pronto, por aqui vamos até o cume’, pensei até a rocha acabar e surgir em nossa frente um trecho de neve profunda, que poderia vir a se destacar e transformar-se em uma avalanche. Tentamos por todos os lados e nos afundamos na neve pela cintura até que Alexey virou para nós e disse que estava com medo; bem nós também, então resolvemos descer.

Desescalar tudo que havíamos subido foi difícil e cansativo. Chegamos tarde ao nosso acampamento 3, muito depois de nossos outros colegas, com aquele sentimento de que “faltou muito pouco”.


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