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Com fama de malvados e quase sem leis de preservação, algumas espécies de tubarões já começam a desaparecer


Por Pedro Sibahi | 12/09/2011 - Atualizada às 07:00

Tubarão-lixa, espécie ameaçada
Tubarão-lixa, espécie ameaçada
Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration (EUA)
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Eles não são bonitinhos como os golfinhos, muito menos fofinhos como as focas, mas estão precisando de proteção e de mais simpatia por parte da população. Apesar da cara agressiva, os tubarões têm grande importância na natureza, pois são os reguladores do ecossistema marinho em todo o planeta. Agora, muitas espécies correm sério risco de desaparecerem das águas que banham o litoral brasileiro. É o que mostra o resultado preliminar de um estudo feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O instituto ainda não divulgou os nomes das espécies ameaçadas, pois o estudo está em fase final de consolidação. Mas, de acordo com os dados iniciais, cerca de 60 das 169 espécies de tubarões e arraias registradas no país passam por algum nível de ameaça. Duas delas já são consideradas extintas em certas regiões. Os dois grupos de animais entram na mesma classe, que é a dos elasmobrânquios, pois apresentam várias características similares, como esqueleto de cartilagem, boca na parte de baixo da cabeça e possuem entre cinco e sete brânquias.

Apesar dos elasmobrânquios serem parecidos, são os tubarões que desempenham um papel de destaque no ecossistema. Como eles existem há cerca de 350 milhões de anos e estão no topo da cadeia alimentar marinha, acredita-se que regulam toda a vida nos oceanos. Paulo Guilherme “Pinguim”, diretor da organização Divers for Sharks, entidade que protege esses animais, conta que “no Canadá, por exemplo, acabou o bacalhau em determinada região porque caçaram todos os tubarões. Sem os predadores, as focas tiveram um super crescimento da população e acabaram dizimando a população de bacalhau”.

A lógica é que todo ecossistema possui várias camadas que se relacionam pela caça. Com a retirada do predador, as espécies da camada inferior (suas presas) desenvolvem uma superpopulação e dizimam a camada que vem logo abaixo. depois, essa superpopulação também pode acabar por falta de comida. Em outras palavras, a extinção de predadores causa sérios desequilíbrios ecológicos.

Na lista do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), 12 espécies de tubarões e arraias constam como ameaçadas de extinção e não deveriam ser pescadas, como o cação-anjo, o tubarão-lixa ou a arraia-viola. Apesar disso, vários animais são capturados acidentalmente. Ao mesmo tempo, várias espécies podem ser encontrados em peixarias e supermercados com o nome genérico de cação, mas a grande maioria é capturada para exportação.



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