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O rebreather permite que o mergulhador permaneça por mais tempo na água a partir da reciclagem do ar


Por Pedro Sibahi | 16/09/2011 - Atualizada às 09:23

Mergulho com rebreather na Lagoa Misteriosa, em Jardim (MS)
Mergulho com rebreather na Lagoa Misteriosa, em Jardim (MS)
Foto: José Mario Ventura
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Ainda pouco difundido no Brasil, o rebreather é um equipamento de mergulho autônomo que recicla o gás exalado pelo usuário durante a respiração, permitindo que a pessoa fique mais tempo embaixo da água.

Primeiro fabricado para uso militar, depois empregado em resgates de minas inundadas, hoje o rebreather é uma opção para os exploradores de cavernas e de naufrágios, oferecerendo uma relação custo x benefício vantajosa para quem faz mergulhos profundos com frequência.

Segundo José Mario Ventura, instrutor de mergulho técnico com o equipamento, o rebreather proporciona uma economia de 4 a 20 vezes o consumo de gases inalados. "Se considerarmos um rebreather de circuito fechado, que repõe o oxigênio metabolizado pelo mergulhador, o consumo de ar será o mesmo, estando a pessoa a 10 ou a 100 metros de profundidade, desde que o nível de atividade seja o mesmo. Já em circuito aberto [quando o gás inalado é descartado], a pressão ambiente determina a densidade do gás, o que significa um aumento de consumo proporcional à profundidade”, explica José Mario.

Mas, as propostas mais antigas para esse tipo de máquina remontam aos anos de 1600, com os projetos de submarinos desenvolvidos, de forma independente, na Inglaterra por Cornelius Drebbel e na Itália por Giovanni Alfonso Borelli. Naquela época, ambos criaram um sistema de reoxigenação do ar.

O primeiro modelo de rebreather patenteado apareceu em 1808, criado por um mecânico da marinha real de Napoleão, na França. As versões atuais diferem bastante dos equipamentos originais, principalmente com relação ao mecanismo de funcionamento, mas preservam a ideia inicial: reaproveitamento do gás exalado e mergulhos mais longos.

Já o uso militar do equipamento foi difundido principalmente por que ele não solta bolhas, uma característica vantajosa não apenas em missões de infiltração. "Isso torna o mergulho mais confortável, além de afugentar menos os peixes”, conta José Mario, que possui mais de 500 horas de experiência com o equipamento. “Em certos ambientes, como cavernas pouco mergulhadas ou naufrágios, as bolhas provocam o desprendimento de sedimentos no teto desses ambientes, sujando a água e aumentando o risco”, acrescenta.

Outro aspecto benéfico é a geração de umidade e calor pelo aparelho, durante a depuração do ar. “O mergulhador de rebreather não sofre tanto com a desidratação (um dos fatores importantes na prevenção da doença descompressiva) e não perde calor através da respiração [ao contrário do circuito aberto, com o qual inalamos um gás frio]”, afirma José Mario.



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