O arquipélago de Noronha é formado por 18 ilhas.
Foto: Kadu Pinheiro/Divemag.org
Fernando de Noronha fica a 360 quilômetros de Natal e a 545 de Recife.
Foto: Kadu Pinheiro/Divemag.org
A ilha tem diversas iniciativas sustentáveis, como a Área de Proteção Ambiental e o Parque Nacional Marinho.
Foto: Kadu Pinheiro/Divemag.org
Não faltam opções de passeios e belas paisagens.
Foto: Kadu Pinheiro/Divemag.org
A partir desse mês o Webventure ganha mais um colunista ‘direto do fundo do mar’. Kadu Pinheiro, mergulhador e fotógrafo submarino desde 2004, estreia com o especial sobre Fernando de Noronha. Na matéria ele aborda os principais pontos da ilha com conteúdo e imagens e exclusivas. “Na foto a mente busca o entendimento dos momentos, mais do que a simples realidade nua e crua. A fotografia traz a interpretação do fotógrafo que congela sentimentos e emoções para que outros possam deles compartilhar.”
Editor da área de conteúdo digital e colaborador da Revista Mergulho por vários anos, além de criador da primeira revista de mergulho eletrônica brasileira: Underxmag, atualmente Kadu é o editor e diretor de produto da revista Divemag.org. A publicação já está na sétima edição e você também pode conferir e baixar a revista completa aqui.
Por incrível que pareça, Fernando de Noronha ainda era apenas um sonho para esse fotógrafo itinerante que vos fala meu caro leitor, Noronha tornou-se quase uma lenda, pois todas as vezes que quase “fui”, algo acontecia, ou uma viajem para um destino internacional ou falta de sincronia com os amigos e com as melhores épocas para fazer uma matéria, mas finalmente pude corrigir essa falha gravíssima em meu currículo que era não conhecer esse paraíso brasileiro, um verdadeiro sacrilégio principalmente quando dividia experiências com amigos fotógrafos do exterior que me perguntavam informações a respeito do mergulho na ilha.
Noronha é apaixonante, um pedaço do Brasil abençoado pela natureza. Tudo aquilo que você já ouviu falar da ilha é verdade, e muito mais, paisagens de tirar o fôlego não deixam nada a desejar para qualquer outro lugar paradisíaco do planeta. Localizada no topo de uma montanha submarina de origem vulcânica, o arquipélago é formado por 18 ilhas, todas em território brasileiro. Fica a 360 quilômetros de Natal (RN) e a 545 de Recife (PE), com 26 quilômetros quadrados de fauna e flora exuberantes.
Reconhecido pela beleza natural, o local conta com iniciativas sustentáveis como a Área de Proteção Ambiental e o Parque Nacional Marinho, criados para preservar ecossistemas naturais. Das 17 espécies de corais encontrados no Brasil, 15 estão em Noronha.
Gameleira e burra-leiteira estão presentes na vegetação local. Animais como a tartaruga-verde o golfinho-rotador e diversas espécies de tubarões fazem parte do ecossistema marinho da ilha, aliás não posso deixar de comentar que Noronha é um dos pouquíssimos lugares do país onde é possível cruzar com tubarões com relativa facilidade, alguns anos atrás a quantidade de avistagens foi drasticamente reduzida devido a pesca desenfreada e a falta de consciência por parte da comunidade pesqueira da região.
Hoje em dia creio que essa realidade vem mudando positivamente, pois em uma semana de mergulhos em diversos pontos, tanto no mar de dentro quanto no mar de fora, tive o prazer de encontrar e registrar tubarões em pelo menos quatro ou cinco ocasiões, o fato é que em sua grande maioria eram filhotes e bem ariscos, mas presentes e voltando a popular os pontos de mergulho da ilha como no passado.
Mas ainda não posso deixar de citar um fato curioso e completamente fora de contexto no mundo de hoje, o tal do Bolinho de tubalhão, servido no restaurante ao lado do museu do tubarão. Fica aqui uma provocação e um lembrete visto que essa aberração já foi amplamente discutida em diversas oportunidades.
Não existe proibição da pesca e do consumo de carne de tubarão no Brasil, mas um lugar onde parte da mágica e da expectativa de turistas e mergulhadores é justamente poder avistar e ou mergulhar com esses animais o que implica na diretiva máxima de que o animal precisa estar presente no ecossistema, um lugar que ainda incentive o consumo desse tipo de alimento, mesmo sabendo da fragilidade do mesmo no mundo todo, (mais de 90% da população de tubarões foi simplesmente exterminada da face da Terra nos últimos anos) é inaceitável permanecer com a mesma lógica independente do que se diz quanto a procedência do mesmo.
Deixo aqui um apelo aos futuros turistas e mergulhadores que visitarem o arquipélago: não consumam a carne de tubarão nem em Noronha e nem em qualquer outro lugar. A espécie precisa se recuperar, tubarões são o topo da cadeia alimentar dos oceanos e sua ausência pode implicar no total desequilíbrio dos oceanos em um curtíssimo espaço de tempo, o que traria efeitos devastadores até para nós, humanos que dependemos do mar para viver.
Estrutura. A ilha possui pousadas de diversos padrões, desde as mais simples até as luxuosas, como a famosa pousada do Zé Maria, visita indispensável mesmo que seja somente para usufruir de um jantar no maravilhoso restaurante dentro das instalações do local.
Noronha não é um lugar barato, come-se muito bem no geral, havendo algumas opções mais econômicas. É bom pesquisar antes de estabelecer um roteiro gastronômico. Alugar um veículo é quase que indispensável para quem pretende realmente conhecer um pouco da ilha e usufruir de suas belezas naturais com mais liberdade e comodidade.
Cuidado ao contratar o serviço, procure alugar o veículo em um estabelecimento oficial que possa lhe dar suporte e fornecer veículos em condições de trafegar de forma segura, (principalmente se for um buggy o mais comum da ilha) opções baratas são abundantes nas ruas, mas fica por sua conta e risco.
Pontos interessantes. Praia do Sancho: um snorkel e um visual imperdíveis, considerada uma das mais belas praias do mundo, fomos lá conferir mais de uma vez e concordamos! Além disso, existe também o Mirante dos Golfinhos, pôr-do-sol no Forte, na Praia do Cachorro e o Buraco da Raquel.
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