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Ilha do Cardoso, férias inesquecíveis
Passei algumas das melhores férias de minha infância na Ilha do Cardoso. Eram os anos 50 (1957, 58, 59). Aterrisávamos na praia de Marujá com o Cessna Skylane de meu pai. Empurrávamos o avião barranco acima e estaqueávamos o dito, para o vento não levar. Depois caminhávamos com toda a tralha de férias por cerca de 500 metros, até o outro lado da ilha, para a casinha de pescadores próxima ao trapiche que dava para o canal frente ao mangue.
Camarão fresco a gente ia buscar de avião na Ilha das Peças - Pr, voando baixo sobre as ondas. Os dias começavam com longas caminhadas pela praia de Marujá que tem cerca de 12 km (pelo que me lembro). Areia branca, mar aberto, muita onda, muitas conchas na areia. Às vezes, encontrávamos pinguins que passavam por nós sem muito alvoroço. Passeios noturnos de barco pelo mangue, na lua cheia era outra aventura maravilhosa: com as lanternas, conseguiamos ver multidões de caranguejos vermelhos no fundo do canal - águas límpidas. Final de tarde, sentávamos na beira do trapiche e pescávamos o peixe do jantar. Às vezes, a maré cheia trazia com ela bandos de botos que subiam o canal atrás de cardumes de peixes. Era emocionante vê-los e atirávamos todo o peixe que acabaramos de pescar a eles, só para que ficassem mais um pouco em torno do trapiche. Uma vez, um idiota que também visitava a ilha, atirou com uma espingarda em um dos botos e meu pai quebrou o nariz dele com um soco certeiro. Depois colocou o "caçador" no avião e entregou-o no posto de saúde de Itanhaem. Mas os botos nunca mais subiram o canal para nos visitar. Tenho que retornar um dia à Ilha do Cardoso. Espero que os botos tenham voltado a visitá-la regularmente. Sandra Galeotti ![]() Lista de Relatos de Ilha do Cardoso
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