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Visitar a Serra do Tepequém em Roraima é como viajar no tempo


Por Alexandre Koda | 08/12/2009 - Atualizada às 14:36

A vida é sossegada em Tepequém
A vida é sossegada em Tepequém
Foto: Alexandre Koda/ www.webventure.com.br
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Antigo local de exploração do garimpo nos anos 80, hoje a Serra do Tepequém é um local que vive do turismo, mesmo com alguns moradores ainda utilizando a exploração de pedras preciosas como forma de sustento. No local não há energia elétrica pública, nem cobertura de celular, muito menos de internet, e uma das poucas formas de comunicação com outros locais é o telefone público, em frente à escola.

Localizada no município de Amajarí, cerca de 220 quilômetros da capital Boa Vista, até meados de 2007 o único acesso era uma estrada de terra sinuosa com muitos barrancos. Por causa dos deslizamentos de terra em dias de chuva, só era possível trafegar com veículos off-road. Hoje o trajeto é totalmente asfaltado, mas ainda não há linhas de ônibus regulares à região.

A Vila do Paiva é onde o turista encontra as sete pousadas, incluindo uma unidade do Sesc, além dos restaurantes e botequins, todos muito simples, mas aconchegantes. Atualmente dois geradores a diesel com autonomia de 12h cada um são os responsáveis pela energia elétrica, mas na alta temporada não dão conta do alto consumo e muitas vezes as noites e madrugadas são passadas no escuro.

Túnel do Tempo - Quem anda pelo local tem a impressão que o progresso não chegou, já que a maioria das ruas é de terra, as casas possuem estilo rústico, há poucos veículos circulando e as pessoas quase todas se conhecem. Não é para menos, já que são cerca de 250 habitantes e vários deles ainda garimpam a terra em busca de ouro e diamante.

Francisco Pereira da Silva é um destes homens. Aos 48 anos, hoje ele busca os minérios de forma artesanal, mas nos anos 90 trabalhava para donos de mineradoras operando máquinas e ganhava uma porcentagem sobre o que extraia. “Hoje eu trabalho de cinco a seis horas de manhã, almoço e volto para o trabalho”, conta o garimpeiro. “Às vezes eu tiro de R$ 80 a R$ 100 por semana, mas tem vezes que fico um bom tempo sem conseguir nada”, completa.

Os principais clientes de Francisco são os turistas que vêm nos finais de semana. “Se eu não vendo nada, encosto na casa dos amigos para comer alguma coisa. Quando eu tiro alguma coisa, vou para o bar e divido uma cachaça com o pessoal”, comentou. Essa é a vida destes trabalhadores que, no passado, ganhavam dinheiro de forma rápida, mas gastavam na mesma velocidade e logo corriam de novo para o garimpo em busca de mais riqueza.



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