A ação do sol e do calor


Por Dr. Clemar Corrêa, especial para o Webventure | 15/10/2002 - Atualizada às 12:30

Depois de horas de exercício sob sol forte, o atleta tem uma etapa de travessia de rio ou rafting, por exemplo, ou muitas vezes surge uma “chuvinha”, geralmente fria. Em muitas provas essas ações são muito fortes e de longa duração. Mesmo que o sol e o calor não pareçam intensos, devem ser evitados ao máximo.

Suas ações são acumulativas e perigosas. O atleta pode insidiosamente se tornar um candidato a queimaduras, desidratações graves e/ou hipertermia. Em locais com vento forte (mesmo o vento relativo de trechos de ciclismo, rafting ou canoagem) ou ambientes molhados como rafting, canoagem e natação, a ação do sol é menos percebida e surgem importantes queimaduras de pele que só são percebidas tardiamente. O atleta nas corridas de aventura, sob sol intenso, deve usar protetor solar, protetor labial, bonés, lenços para a parte posterior do pescoço, além de camisas e calças especiais.

Devem ser escolhidos protetores solares sem base oleosa ou gel, no sentido de não comprometer a sudorese, importante para a termoregulação. Devem ser aplicados de preferência na pele seca, que absorve componentes importantes presentes nos bons protetores. Seu efeito não é apenas de uma barreira física ao sol, mas também química. A aplicação desses cremes deve ser contínua. O suor, a chuva, garoa, umidade, respingos de água, banhos, água de rios e mar e o próprio atrito com a vegetação e com a roupa podem continuamente diminuir a camada de creme que protege a pele. Mangas longas e proteção do pescoço e das pernas são importantes. É fundamental que as roupas sejam de cor clara e tecidos que permitam a transpiração.

O lençol de alumínio é extremamente útil sob o sol escaldante. Pode ser usado como uma capa, sob sol ou calor extremo, no sentido de refletir a luz solar e diminuir a recepção de calor pelo corpo.
Deve-se evitar ingerir alimentos quentes sob condições de muito calor. Alimentos frios ajudarão no controle térmico corporal. Deve-se também tentar molhar constantemente o corpo.

Após horas de exercício sob sol forte, o atleta, com o corpo extrememanete quente, pode ser atingido por uma chuva ou mesmo a água de rio ou mar, dependendo do esporte em questão. Dependendo da intensidade do exercício e do calor ao qual o atleta foi submetido, a exposição súbita a esse contraste de temperaturas pode trazer uma sensação de “mal-estar” importante, semelhante àquela que precede os estados gripais.

Esse “choque térmico”, geralmente sem maiores conseqüências, às vezes “abate” o atleta, com maior ou menor intensidade. Portanto, sempre que possível, antes de receber uma chuva muito fria com o corpo muito quente, o atleta deve refrescar-se progressivamente.



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