Apaixonado pela vida outdoor, pratica vela, montanhismo, canionying, moto, 4x4, fotografia e o que aparecer pela frente. Colaborador de publicações de esporte e aventura, da Revista Sul Sports e do Programa Adrenalina (Canal Futura/Globo Internacional).
Conquista do Cânion dos Índios - RS - 1998
O Brasil sediará em 2012 o encontro
internacional de canionismo - o RIC 2012 - Rendez-vouz Internationale de
Canyon - o qual está sendo organizado pelo Grupo Brasileiro de
Canionismo - GBCan, cujo release abaixo ajudo a
divulgar:
Fonte: Divulgação Xingu
Há anos li "A Marcha para Oeste", a narrativa dos irmãos Villa Bôas sobre os 42 anos de duração da Expedição Roncador Xingu. Ontem fui conferir "Xingu", a versão para o cinema de Cao Hamburguer.
Sem perder a essência da obra original, me deliciei com uma fotografia espetacular, planos épicos, grande beleza cênica, produção primorosa e uma trilha sonora que não perde em nada para os filmes estrangeiros.
Me
fixei na tela e o o filme passou em um piscar de olhos, emocionante! Um valioso
resgate desta bela passagem da nossa história e de personalidades que merecem um
lugar na nossa memória.
Quem
diria que 440 anos depois da dominação européia do continente ainda existiriam -
como existem - índios completamente isolados da dita
civilização?
Recomendo!
Curtam aqui algumas
imagens do filme e o trailer oficial.
Todas as fotos: Divulgação Xingu
Link para o site oficial do filme: http://www.xinguofilme.com.br/
FICHA
TÉCNICA:
Direção: Cao
Hamburger
Produção: Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro,
Bel
Berlinck
Roteiro: Elena Soarez, Cao Hamburger, Anna Muylaert
Direção de
Fotografia: Adriano Goldman, ABC
Direção de Arte: Cassio Amarante
Produção
de Elenco: Patricia Faria, Cecília Homem de Mello
Produção de Elenco
Indígena: Francisco Accioly
Montagem: Gustavo Giani
Música: Beto
Villares
Supervisão de Pós Produção: Hugo Gurgel
Desenho de Som e Mixagem:
Alessandro Laroca,
Eduardo Virmond Lima, Armando Torres Jr.
Som Direto:
Paulo Ricardo Nunes
Figurino: Verônica Julian
Caracterização: Anna Van
Steen
Diretor de Produção: Marcelo Torres
Diretora Assistente: Márcia
Faria
Produtora Executiva: Bel Berlinck, Andrea Barata Ribeiro
Empresa
Produtora: O2 Filmes
Co-produção: Globo Filmes
Distribuição: Downtown
Filmes, Sony Pictures e RioFilme
Elenco: João Miguel (Claudio Villas
Boas),
Felipe Camargo (Orlando Villas Boas),
Caio Blat (Leonardo Villas
Boas), Maiarim Kaiabi (Prepori) Awakari Tumã Kaiabi (Pionim), Adana Kambeba
(Kaiulu)
Tapaié Waurá (Izaquiri), Totomai Yawalapiti (Guerreiro
Kalapalo)
Participação Especial: Maria Flor (Marina),
Augusto Madeira
(Noel Nutels), Fabio Lago (Bamburra)

A NOLS - National Outdoor Leadership School é uma escola norte-americana focada em ensino de técnicas voltadas para as atividades outdoor e que tem como parte da sua estrutura o Wilderness Medicine Institute - WMI, cujos treinamentos ministrados preparam os estudantes para o domínio das técnicas de primeiros socorros e tomada rápida de decisões.
Participei de um dos primeiros cursos de primeiros socorros em áreas remotas da NOLS no Brasil e o primeiro no sul do país (o Wilderness First Aid - WFA with RCP), ministrado em Porto Alegre em dezembro de 2009, em parceria com a empresa de trabalhos em altura Stonehenge Alpinismo Industrial, do meu amigo Elton Fagundes (confira AQUI). Neste curso fui colega do Josemar Contesini, de Cambará do Sul, coração da região dos Campos de Cima da Serra, no RS.
Primeiro curso NOLS em Porto Alegre, 2009.
A esquerda o instrutor Átila Monteiro.
Imagem: Blog Terra Australis
Pois a NOLS está voltando ao RS para oferecer seu curso de primeiros socorros nas versões básica e avançada, agora em parceria com a empresa Nativa Consultoria e Assessoria, de Cambará do Sul/RS, que atua na área de ecoturismo e turismo de aventura e da qual o Josemar Contesini é sócio.
Além do Wilderness First Aid - WFA with RCP, o curso básico com 20 horas-aula, também será realizado o módulo avançado Wilderness Advanced First Aid - WAFA, com abrangência urbana e outdoor e carga horária de 40 horas-aula. O treinamento será ministrado na Casa do Turista, em Cambará do Sul/RS, entre 16 e 18 de março. A inscrição para o módulo básico custa R$ 495,00 e R$ 595,00 para o módulo avançado, sendo que maiores informações podem ser obtidas pelos telefones (54)3251-1027, (54)8117-1017, pelo email consultoria.nativa@gmail.com e no cartaz de divulgação ao final desta postagem.

Por pura coincidência e antes de saber destes cursos da NOLS em Cambará do Sul, nesta semana contatei a Medicina da Aventura, que oferece o curso "Primeiros Socorros em Áreas Remotas (WFA - Wilderness First Aid) – ECSI" .
O treinamento oferecido pela Medicina da Aventura é certificado pelo Emergency Care & Safety Institute - ECSI, instituição norte-americana que atua não somente na área outdoor, mas também na urbana e industrial. O curso WFA visa fornecer uma base prática em medicina do meio selvagem para socorristas e praticantes de esportes junto à natureza, treinando o aluno em métodos de gestão de emergências médicas, trauma e urgências. O corpo de instrutores da Medicina de Aventura é composto todo por profissionais certificados e com experiência em atividades de aventura.
A próxima edição do curso de primeiros socorros (WFA) da Medicina da Aventura/ECSI será em Piracaia/SP nos dias 20 a 22 de abril, com carga horária de 24 horas-aula e pernoite obrigatório em acampamento. O valor da inscrição, com direito a certificado e material didático é de R$ 590,00. Inscrições pelo email leonardi@medicinadaaventura.com.br e maiores maiores informações AQUI.
O bacana disto tudo é a satisfação de já termos disponíveis no Brasil treinamentos de primeira linha em segurança nas atividades de aventura, com padrão de qualidade e certificação internacionais.
Isto demonstra, ao fim e ao cabo, que finalmente estamos atingindo não só a um nível de conscientização avançado quanto à necessidade da adoção de medidas de prevenção em qualquer atividade de aventura, seja com natureza comercial ou não, bem como da disposição dos praticantes de procurar informação e instrução qualificadas.
É bom saber que a certificação dos alunos em cursos de primeiros socorros é válida por tempo limitado, de forma a exigir dos interessados o treinamento e atualização constantes. Os cursos da NOLS e do ECSI não fogem a regra e, nas palavras da Karina Oliani, instrutora da Medicina de Aventura, é recomendável passar por um refresh no mínimo a cada dois anos.

Pessoal, este não dá para perder!
Um ano após o atropelamento coletivo de um grupo de ciclistas em Porto Alegre estão sendo convocados ciclistas e entusiastas da bicicleta de todo o mundo para participar do fórum que vai ocorrer de 23 a 26 de Fevereiro de 2012 na Capital Gaúcha.
Confira a agenda do evento AQUI!
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No início deste mês estive em um local que até então só conhecia dos livros escolares: o cânion do Rio São Francisco, na tríplice divisa dos Estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, em pleno sertão nordestino.
O motivo foi a cobertura da 3ª Maratona de Canoagem da Bahia como fotógrafo de making of integrante da equipe do Programa Adrenalina.
Mas maratona mesmo foi chegar lá desde Porto Alegre/RS. Treze horas de viagem, primeiro em avião para percorrer os 3.296 Km até Aracajú/SE, com escala no Rio de Janeiro, e da capital sergipana mais 5 horas e 300 Km por terra até a cidade de Paulo Afonso/BA, sede da competição.
Em resumo, uma sexta-feira para ir, um sábado de trabalho na competição e o domingo inteiro para voltar para casa do outro lado do país. Ufa!
Em torno de 140 atletas participaram da competição no maior cânion navegável do mundo, a qual foi dividida em três categorias: Turismo - 8 Km de extensão, Speed - 1 Km de arrancada e velocidade e a Maratona - 55 Km non stop, entre a Usina Hidrélétrica de Sobradinho em Paulo Afonso/BA e a de Xingó/SE.
No cenário de perder o fôlego os enormes paredões do cânion, em meio à caatinga, cortados pelas límpidas águas cor de turquesa do Velho Chico, um verdadeiro banquete para os fotógrafos de plantão. Me lembrou um pouco Lake Powell, um cânion em pleno deserto de que igualmente foi transformado em um imenso lago de águas límpidas em meio à paisagem absolutamente árida.
Veja aí as fotos da Maratona!






























As meninas da imprensa fizeram bonito participando da prova! Da esquerda para a direita Ana Karina Belegantt (Programa Adrenalina), Marilin Novak (Webventure) e Juliana Franqueira (Programa +Ação).
Imagens:
Todas as fotografias por João Paulo Lucena 2012. Direitos reservados.

Foto: Divulgação
Já li muita, mas muita literatura de montanha por aí, desde o tempo em que livro de aventura no Brasil era raridade e coisa boa só mesmo buscando no exterior.
Ainda bem que isto mudou um tanto e o mercado editorial brasileiro finalmente acordou para o potencial dos livros de aventura e atividades junto à natureza, em parte graças ao click dado por Amyr Klink em 1985 com o seu já cult "Cem Dias entre o Céu e o Mar".
Agora acabo de ler o relato das aventuras do brasileiro Rodrigo Raineri, tendo como tema as suas quatro investidas ao Everest, em duas ganhando o cume, em uma perdendo seu grande amigo Vitor Negrete e, em praticamente todas elas, sofrendo o drama de ser roubado em plena montanha.
A obra foi escrita a quatro mãos, junto com Diogo Schelp, e veio a público em uma bem cuidada edição da Ed. Leya Brasil, ilustrada com belas fotos e trazendo uma narrativa concisa e madura das aventuras do autor.
O livro me prendeu do início ao fim e gostei bastante. Rodrigo e Diogo utilizaram a técnica de intercalar diferentes fatos no tempo, contando as quatros escaladas ao Everest (2005, 2006, 2008 e 2011) como se fosse uma só. Para tanto vão direto aos fatos mais importantes, sem dó do leitor, como o terrível emocionante relato de quando Rodrigo e Vitor Negrete encontraram os corpos congelados de Othon Leonardos e Alexandre Oliveira, durante a escalada da face sul do Aconcágua:
"...Era um gelo quebradiço, bem perigoso. Fui escalando pelo obstáculo com muito cuidado e, quando cheguei perto do fim, visualizei uma corda fixa na aresta. Movimentei-me para a esquerda e aveistei os corpos congelados de Othon e Alexandre. Na queda, a corda pela qual estavam conectados um ao outro enroscou em uma grande pedra, e eles ficaram pendurados, um de cada lado, o Othon em cima e o Alexandre bem mais abaixo. Eles estavam sentados, ainda apoiados pela corda, virados para o horizonte. O corpo de Mozart não estava lá. Provavelmente ele não estava conectados aos outros dois companheiros quando o avalanche os atingiu. Mozart tinha história: ele e Waldemar Niclevicz foram os primeiros brasileiros a alcançar o cume do Everes com o auxílio de oxigênio, em 1995. Othon, Alexandre e Mozart morreram ao tentar superar a face sul do Aconcágua, em 1998...."
Quer saber mais? Então largue um pouco da preguiça nestas férias de verão e confira este belo livro!
Autores: RAINERI, Rodrigo e SCHELP, Diogo
Editora: Leya Brasil
ISBN: 8580441250
ISBN-13: 9788580441253
Encadernação: Brochura
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2011
Número de páginas: 304
Preço: R$ 34,90
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Embarque da equipe no Ilyushin 76 para retorno à Punta Arenas. Foto: Alexandre Alencar / UERJ
A expedição brasileira que instalou o módulo Criosfera I desmotou seu acampamento 470 Km adentro do Continente Branco, em pleno Platô do Manto de Gelo da Antártica Ocidental, e está voltando para casa.
Depois da bem sucedida missão o primeiro ato dos cientistas ao desembarcarem em Punta Arenas/Chile foi tomar um banho de verdade depois de dois meses isolados em meio ao gelo.
Em breve o coordenador dos trabalhos, Jefferson Simões, deverá apresentar um relato das principais realizações da Expedição Criosfera.

Jefferson Simões. Foto: Ulisses Bremer / UFRGS
Criosfera 1 é inagurada no Continente Antártico. Foto: Centro Polar e Climático da UFRGS
Em outubro último noticiei aqui no blog o embarque da expedição que instalaria a primeira estação polar brasileira na parte continental da Antártida.
Pois abro esta postagem com a foto da inauguração da Criosfera I no último dia 12 de janeiro, o primeiro módulo brasileiro para coleta de dados sobre a atmosfera, arduamente instalado 472 Km adentro da plataforma continental.
O módulo foi contruído no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, despachado de em caminhão para Punta Arenas, no Chile, de onde seguiu em uma aeronave russa Ilyushin até o Continente Antártico. Dali seguiu o longo trecho final até o seu ponto de instalação nas coordenadas 84°S 79°30'W tracionada por um trator de gelo, onde os demais integrantes da expedição foram deixados de avião.
Embarcando no Ilyushin rumo à Antártida no Foto:
INPE
A nova estação representa uma importante conquista do Programa Antártico Brasileiro e fará a monitoração automática do clima, sendo alimentada por energia solar e monitorada via satélite.
Durante os trabalhos de montagem do módulo a equipe submeteu-se a temperaturas de até -17°C, com sensação térmica de -42°C, alojada em barracas polares e executando os trabalhos também ao ar livre.
Acampamento avançado, a 84°S, onde o módulo foi instalado. Foto: CPC/UFRGS/Divulgação
Uma outra parte da missão científica é a coleta de amostras (testemunhos) de gelo até a profundidade dee 100 metros, o que possibilitará, a partir da análise do ar nele contido, a reconstrução dos últimos 300 a 400 anos da história da atmosfera terrestre.
Testemunho de gelo. Foto: Marcelo Arevalo (CECS-Chile). Foto: Divulgação
O isolamento da equipe responsável pela Criosfera fez com quem passasse o Natal e o Ano Novo no gelo, muito longe de casa e, segundo o o glaciologista brasileiro Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a temperatura esteve na casa dos -30°C e a comemoração do grupo foi dentro do módulo Criosfera 1, cujo termômetro marcava 14°C (positivos).
Encerrados os trabalhos de instalação do módulo a equipe de cientistas deverá retornar ao Brasil depois de mais de dois meses no gelo, o que requer um bom preparo não somente físico, mas também psicológico para suportar as condições climáticas extremamente adversas à vida humana.
Jeffeson Simões ilustrou muito bem o ambiente enfrentado pelos pesquisadores:
"Eu mesmo já fiquei nove dias dentro de uma barraca (ou melhor movendo-se da barraca de dormir para a barraca-banheiro ou para barraca-cozinha), aguardando a melhora do tempo. Há casos de quase 20 dias em uma barraca e onde rajadas de vento ultrapassaram os 180 km por hora.
Um explorador polar deve antes de tudo aceitar os limites dados pela natureza. Frio, ventos fortes constantes, neve à deriva, fendas no gelo, são todos fatores que poderão mudar seu planejamento idealizado no agradável escritório. Assim, entre os problemas mais incômodos para uma equipe no campo estão aqueles participantes muito acostumados às facilidades do meio urbano, que esperam que tudo ocorra como planejado e que tenham data de volta exata ao partir para uma missão antártica. Ainda podemos dizer que temos somente data provável de retorno! Para não acharem que estou falando de dias, há 40 anos ainda ocorriam atrasos de um ano no retorno para casa (simplesmente porque o navio que devia resgatar os pesquisadores não conseguia atravessar o mar congelado). Nos anos 1990, logo após a queda do muro de Berlim, alguns pesquisadores da ex-União Soviética ficaram de dois a três anos sem voltarem para o seu país. Bom, nosso grupo arrisca-se no máximo a atrasos de uma semana a 15 dias!" Fonte: O Eco - Diário da Criosfera
Ano Novo da equipe do acampamento avançado. Foto: CPC/UFRGS Divulgação
Jefferson Simões, líder da expedição Criosfera. Foto: Divulgação CPC/UFRGS
Amigos, como minha primeira postagem de 2012, que tal começarmos tratando de fotografia?
Na próxima terça-feira 17/01/2012, às 20:00, na FNAC do Barra Shopping em Porto Alegre, convido vocês para o Sarau Fotográfico, no qual estarei conversando sobre fotografia outdoor e de esportes de ação e imagens do maravilhoso Rincão Gaia, o pequeno pedaço de paraíso que nos deixou o grande José Lutzenberger.
Comigo estará também a Ana Karina Belegantt (http://www.finalsports.com.br/03/blog_guria/), Conselheira da Fundação Gaia, com quem apresentarei imagens e contarei um pouco da minha experiêcia fotográfica, além da apresentação de trabalhos de alunos da Escola de Fotografia Câmera Viajante.
Um belo programa para uma noite de verão, certo?
Espero vocês lá!
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“O olhar dos Viajantes da Câmera sobre o Rincão Gaia - Legado de Lutzenberger” é o tema do primeiro Sarau de Fotografia de 2012, nos 10 anos da morte do ecologista. A Diretora de Projetos da Escola Câmera Viajante, Karla Nyland, recebe João Paulo Lucena, advogado e fotógrafo da natureza e esportes de ação, e Ana Karina Belegantt, apresentadora do programa de TV Adrenalina e conselheira da Fundação Gaia. Outras informações: www.cameraviajante.com.br."
Local do acidente na Cordilheira dos Andes - Imagem atual no verão. Fonte: Viven!
Há exatamente 39 anos um grupo de dezesseis cavalheiros se reúne a cada noite de 23 de dezembro para cumprir um sagrado pacto. O local uma acolhedora sala de madeira, pedra e lareira em uma casa de Montevidéu, Uruguai. Como motivo o encontro anual da Sociedade da Neve para a celebração do milagre do seu reencontro com a vida.
Engenheiros, agrônomos, empresários, médicos, pouco importa a profissão, o credo ou a origem, pois em comum partilham uma memória do passado e a coincidência de serem todos homens. Se hoje é o fogo que os reúne, há quase quatro décadas foi de gelo a têmpera que forjou para sempre um inquebrantável vínculo de aço.
José Pedro, Roberto Canessa, Roberto François, Alfredo, Daniel, Roy, José Luis, Alvaro, Javier, Carlitos, Fernando, Ramón, Adolfo, Eduardo, Antonio e Gustavo. Todos na faixa dos 60 anos são os dezesseis uruguaios que sobreviveram ao acidente do tristemente célebre Vôo 571 da Força Aérea Uruguaia, que os aprisionou sem qualquer recurso por 73 dias no coração da Cordilheira dos Andes.
O ACIDENTE
A história é bem conhecida. Em outubro de 1972 quarenta e cinco passageiros, na sua maioria jovens na faixa dos 20 anos de idade e integrantes de um time colegial de rugby, embarcaram em um vôo fretado em Montevideo rumo a Santiago do Chile. Durante a travessia dos Andes uma tempestade e erros de navegação levaram a aeronave Fairchild a chocar-se contra o pico de uma montanha, perdendo as asas e a cauda e deslizando por uma encosta recoberta de neve até um vale isolado na cordilheira.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Apesar de 30 passageiros terem milagrosamente sobrevivido ao choque imediato, tecnicamente uma verdadeira façanha, foram ainda obrigados a resistir sem qualquer preparo, comida e medicamentos a temperaturas abaixo dos 30 graus negativos trajando apenas leves roupas de verão. Dez dias após um pequeno rádio de pilhas trouxe a desesperadora notícia de que as operações de resgate haviam sido oficialmente encerradas, deixando os sobreviventes à sua própria sorte.
A absoluta falta de comida, o instinto de sobrevivência e um esforço enorme para vencerem barreiras pessoais e religiosas ínsitas à cultura humana universal, além de uma visceral repugnância física ao canibalismo, fez com que recorressem aos corpos dos amigos falecidos como fonte de alimento. Como se isto fosse pouco, os ferimentos do acidente e uma grande avalanche reduziram outra vez o grupo aos seus atuais 16 integrantes.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Após dois meses isolados na montanha e com a perspectiva de morrerem por inanição, em uma heroica jornada de dez dias sem qualquer conhecimento de técnicas de montanhismo, Nando Parrado e Roberto Canessa conseguiram chegar à localidade de Los Maitenes, no Chile e contatar as forças de socorro.
Foi então que no dia 23 de dezembro de 1972, véspera das celebrações de Natal em todo o planeta, quando o último dos 16 sobreviventes foi resgatado da montanha pelos helicópteros nasceu a Sociedade da Neve.
Imagem captada a partir do helicoptero de resgate - 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve

O time de rugby. Fonte: La Sociedad de la Nieve
E se para os olhos da sociedade de 1972 a necessidade de recorrerem ao canibalismo foi a violação de um autêntico tabu, hoje o caso é admirado e revisitado sob os enfoques da medicina, da psicologia e da administração, assim como pelo estudo das técnicas de sobrevivência em situações extremas tendo em conta o acerto das decisões tomadas pelo grupo.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Passados os anos, o Vôo 571 do Fairchild assumiu uma certa aura cult. O que antes era um ponto isolado na montanha hoje pode ser visitado por meio de expedições especiais até os destroços do avião. Livros foram escritos e produzidos filmes sobre o caso. A cultura superconsumista do Século XXI, ávida de novidades efêmeras, requentou seu interesse sobre o acidente e os integrantes da Sociedade da Neve, esquecidos por quase duas décadas, hoje ministram palestras por todo o mundo e mantêm uma fundação que auxilia comunidades carentes. Tudo a favor, ponto para eles!
LITERATURA E CINEMA
Em 74 foi lançado internacionalmente o livro com o relato da história a partir das entrevistas feitas pelo britânico Piers Paul Read, No Brasil recebeu o título de “Os Sobreviventes” (Alive), um best seller constantemente reeditado no mundo.
Com farta divulgação do caso na mídia e apesar dos meus pais terem escondido o livro por tratar-se uma leitura muito “forte” para mim, aproveitei a distração em um final de semana de férias na praia Paraíso (RS) e encontrei o livro na mesa de cabeceira. Com a limitada compreensão de uma criança de apenas 9 anos mas já com o espírito de um futuro devorador de livros, avancei o que pude sobre suas páginas e fotografias antes que fosse descoberto. Mas meus pais tinham razão. O conteúdo crú do relato fez com que até hoje eu relembre perfeitamente estes ingênuos e distantes momentos de ilícito infantil.
Com o passar do tempo o assunto voltou às manchetes com a bem produzida versão cinematográfica de "Vivos!" (Alive, 1993), narrado por ninguém menos do que John Malkovich. Terminei por reler com olhos maduros o ainda excelente e detalhado relato original de Piers Paul Read e também as versões de Nando Parrado (Milagre nos Andes, São Paulo: Objetiva, 2006) e de Carlitos Paez (Despúes del Día 10, Alienta, ISBN 9788493521264, 2007), esta sem tradução no Brasil.
Há pouco ganhei de presente e literalmente degustei “La Sociedad de la Nieve”, de Pablo Vierci (Sudamericana, ISBN 9789500729758, 2008), tido como o livro definitivo sobre esta epopeia. Nele os 16 sobreviventes, já estabelecidos na vida, pais de família e avôs, com parte dos seus fantasmas exorcizados, apresentam suas reflexões depois de 35 anos do acidente, alguns saindo do retiro pela primeira vez desde os anos 70. O autor acompanhou os sobreviventes e seus filhos em uma visita ao local de acidente em 2006, dando origem ao livro e também a um tocante documentário ("La Sociedad de la Nieve" / Stranded", de Gonzalo Arijón, 2008).
Apesar de já ter lido muitas obras do gênero e me achar calejado com relatos de situações extremas, não pude deixar de me emocionar com as impressões individuais dos 16 coautores, cada uma delas com um enfoque tocante, original e de todo diferente dos demais. O livro, que comecei a ler meio desconfiado de ser uma estratégia caça-níqueis sobre o tema, foi uma gratíssima surpresa e lamento que tanto ele quanto o documentário com o mesmo nome não tenham tido no nosso país a divulgação que merecem.
Se nestes dias de Natal somos levados a direcionar nossos pensamentos para ideais de paz e fraternidade, independente de credo ou convicção, vale saber, e lembrar, que na última noite do dia 23 de dezembro, assim como o farão a cada ano enquanto viverem, os 16 membros da Sociedade da Neve estiveram reunidos com seus amigos e familiares para celebrar o milagre daquele longínquo Natal de 1972.
Testemunhos verdadeiros desta inacreditável vitória diante da adversidade extrema, em que somente a coesão como grupo lhes permitiu o reencontro com a vida, eles nos fazem lembrar com humildade que, em um tempo em que Gaia se revolta contra os séculos de desmesurada agressão humana, diante dos elementos da natureza somos ínfimos e somente a união, a fraternidade e a fortaleza de espírito nos fazem todos sobreviventes neste planeta que nos serve de lar.
Um Feliz Natal e um grande 2012 para todos nós!
(** Nota do Autor: Existirem fotografias originais da época como documento dos dias de isolamento dos sobreviventes na montanha é algo extremamente raro e importante. Me fez lembrar as fantásticas imagens em chapa de vidro captadas pelo australiano Frank Hurley na expedição de Shackleton à Antártida e que hoje, um século depois, constituem um registro histórico de valor absolutamente inigualável.)
PARA SABER MAIS:
- Viven! – Site oficial da Sociedade da Neve
- La Sociedad de la Nieve (la película) trailer
- La Sociedad de la Nieve - Site da produção do filme, com excelentes imagens da época e da produção
- Alive Survivors Look Back – National Geographic Adventure
- Nando Parrado – Site oficial
- Perfil de Nando Parrado no Facebook
- Carlitos Paez – Site oficial
- Antonio Vizintin – Site oficial

Jornal Zero Hora, Porto Alegre, Edição 16.12.2012, p. 32
Para quem precisa valer-se de vestimentas mais formais na execução do trabalho em um país tropical como o nosso, especialmente no meu caso que enfrento um legítimo calor senegalês no verão de Porto Alegre, parece haver alguma esperança de melhor conforto no horizonte!
Pois sob bandeira de economia de energia e bom senso no uso das vestimentas durante o verão, o Governo do Chile está sugerindo a abolição do uso da gravata nos escritórios do país durante a estação mais quente do ano, quando a média da temperatura na capital Santiago fica nos 30ºC.
Ora, isto é moleza perto dos picos de calor na capital gaúcha, quando a conjunção de altas temperaturas com a umidade não raro chega a registros acima dos 40ºC. Em fevereiro do ano passado Porto Alegre registrou 41,3ºC
Quem sabe agora, sob a justificativa politicamente correta da economia de energia, se conquiste algum avanço nos costumes sociais concedendo um pouco mais de conforto à classe masculina nos sufocantes meses de verão no nosso Brasil tropical!
Abaixo a gravata!
E confiram abaixo a notícia da Zero Hora...
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Chilenos dizem não à gravata
A fim de economizar energia, governo sugere que acessório deixe de ser usado em escritórios durante o verão no país.
Dispensar o uso de gravata no verão já seria um alívio por si só, tendo em vista o sufoco que é passar o dia com o nó apertando o pescoço. No Chile, o tema virou assunto de Estado. E por uma outra razão: as autoridades estão incentivando os homens a deixar de usar gravatas para economizar energia.
A previsão é de que a temperatura se mantenha acima dos 30ºC durante o verão chileno, aumentando consideravelmente o uso de ar-condicionado. O ministro de Energia, Rodrigo Alvarez, diz que a medida deve ajudar a reduzir o uso do aparelho, gerando economia de eletricidade Ele gravou até um vídeo oficial com outros ministros retirando a gravata e pedindo que os chilenos façam o mesmo.
Segundo Alvarez, deixar a temperatura de um escritório aumentar entre 1°C e 3°C pode reduzir o gasto de energia em cerca de 3%. Em um comunicado, ele estimou que, se os setores público e privado implementarem a medida entre janeiro e março, a economia pode chegar a US$ 10 milhões (R$ 18,7 milhões).
– Essa medida ajudará a eficiência energética do país – disse o ministro.
Alvarez também incentivou a população a reduzir o consumo de energia em casa, por exemplo, desligando aparelhos eletrônicos que não estão sendo usados. A produção de eletricidade no Chile durante o verão é sempre limitada, já que o calor reduz o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
Fonte: Jornal Zero Hora, Porto Alegre, Edição de 16/12/2011, página 32




Mas Bruno, Rafael e Sabrina conseguiram driblar a fiscalização, levaram pincel e lata de tinta e deixaram suas inscrições "equestres" na terra das inscrições rupestres. 
Foto: Taina Borges, Divulgação
Bruno, Rafael e Sabrina. Parabéns! Vocês conseguiram!
É incrível como tem gente com "espírito de porco" e sem nenhuma noção do que é certo!
Os nomes de Bruno, Rafael e Sabrina foram escritos com pincel e tinta em um dos lugares menos improváveis para isso.
A Pedra Furada, uma formação rochosa de 30 metros de circunferência e esculpida ao longo dos milênios pela ação do vento e da chuva, está localizada no Morro da Igreja, em Urubici, na Serra, bem no meio de um dos maiores conjuntos de cânions do mundo.
Para chegar até dentro da pedra, deve-se fazer uma difícil trilha de oito quilômetros e aproximadamente cinco horas entre ida e volta, e sempre na companhia de um guia credenciado.
O local pertence ao Parque Nacional de São Joaquim, e entrar lá sem a companhia do guia é proibido. Em casos de flagrante, multa de R$ 1 mil ao infrator.
Também é proibido deixar qualquer tipo de lixo por lá, mesmo os orgânicos, como caroços e cascas de frutas.
Mas Bruno, Rafael e Sabrina conseguiram. Entraram e voltaram sem o guia, não foram multados e ainda tiveram o trabalho de levar um pincel e uma lata de tinta.
Em Urubici, cidade com muitas inscrições rupestres feitas há mais de três mil anos, os três amigos deixaram suas inscrições “equestres”.
Bruno, Rafael e Sabrina. Parabéns! Vocês conseguiram!
Texto: Pablo Gomes, Urubici
Fotografias: Vani Boza e Taina Borges"
Fonte: Diário Catarinense/Clic RBS



