Apaixonado pela vida outdoor, pratica vela, montanhismo, canionying, moto, 4x4, fotografia e o que aparecer pela frente. Colaborador de publicações de esporte e aventura, da Revista Sul Sports e do Programa Adrenalina (Canal Futura/Globo Internacional).

Aprendendo a matear. São José dos Ausentes/RS. Foto: JPlucena
Hoje foi feriado estadual no Rio Grande do Sul quando comemorou-se a data máxima gaúcha: o aniversário da Revolução Farroupilha, também conhecida como a Guerra dos Farrapos.
Iniciada fundamentalmente por motivos econômicos e políticos em 1835, o Rio Grande declarou-se Estado independente até que, quase que por exaustão, a paz foi selada com o Império do Brasil.
Não adentrando aqui em detalhes históricos, não há como se conhecer a cultura gaúcha sem relacioná-la com este importante fato que, anualmente, é celebrado em todos os recantos do Estado.
Afinal, apesar das teses separatistas não encontrarem há muito solo fértil no Rio Grande do Sul, recente pesquisa demostrou o que todo mundo já sabia por aqui: a maioria de 54% da população prefere cantar o hino riograndense ao hino nacional, enquanto boa parte dos brasileiros sequer conhece o hino do seu Estado.
E neste ano não foi diferente. Apesar da chuva fina milhares de pessoas assistiram em Porto Alegre e na maior parte das cidades do interior ao desfile do 20 de Setembro, manifestação única de um movimento de resgate da cultura nativa iniciado em 1947 e que deu origem aos conhecidos Centros de Tradições Gaúchas (CTG´s), espalhados por todo o país.
Ter amor à terra em que nascemos, àquela em vivemos ou à que levamos no coração, de modo algum pode ser traduzido como bairrismo, mas trata-se de escolher um pequeno pedaço deste mundo para plantar raízes, alicerçar as referências e formar a identidade que nos diferencirá pelo menos um ínfimo de outros 7 bilhões de seres humanos neste planeta.
Mesclando em metades iguais sangue crioulo e italiano na minha origem, não neguei a força do DNA e as tradições familiares. Não cheguei a ir à Avenida sob a chuva como fizeram portoalegrenses de todas as idades, com seus ponchos, chapéus, guarda-chuvas e o inseparável chimarrão, mas assisti à bela festa em transmissão direta pela televisão.

Desfile Farroupilha em Porto Alegre - 2011. Foto: Fabio Berriel/Freelancer
Deixo aqui transcrito um poema de Glaucus Saraiva, clássico da literatura gaúcha, e algumas imagens da companhia inseparável do gaúcho, não só o habitante do Rio Grande do Sul, mas aquele personagem que ultrapassa fronteiras e que melhor representa a identidade cultural do pampa sul-americano.
"Chimarrão
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim."
Nova Petrópolis/RS. Foto: JPLucena
O mate unindo culturas... Vallecitos/Argentina. Foto: JPLucena
Ninho das Águias. Nova Petrópolis/RS. Foto: JPLucena
Nos Andes. Vallecitos/Argentina. Foto: JPLucena
Brasileiros, uruguaios, argentinos, chilenos e paraguaios, o mate sempre como boa companhia.
Cordilheira dos Andes/Argentina. Foto: JPLucena
Posto de combustível civilizado tem máquina de água quente para o chimarrão!
Em algum lugar do pampa argentino. Foto: JPLucena
A piscina congelou? Não tem problema, combata o frio com um chimarrão bem quente! Villa Carlos Paz/Argentina. Foto: JPLucena
O autor deste blog em Torres/RS... Foto: Ana Karina Belegantt
Não há como um bom mate para auxiliar na hidratação em alta montanha, seja na Cordilheira Real, na Bolívia... Foto: JPLucena
seja na barraca dos guias no Aconcagua/Argentina... Foto: JPLucena
...ou num belo dia de inverno na costa do Uruguai!
Foto: JPLucena