Apaixonado pela vida outdoor, pratica vela, montanhismo, canionying, moto, 4x4, fotografia e o que aparecer pela frente. Colaborador de publicações de esporte e aventura, da Revista Sul Sports e do Programa Adrenalina (Canal Futura/Globo Internacional).







No início deste mês estive em um local que até então só conhecia dos livros escolares: o cânion do Rio São Francisco, na tríplice divisa dos Estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, em pleno sertão nordestino.
O motivo foi a cobertura da 3ª Maratona de Canoagem da Bahia como fotógrafo de making of integrante da equipe do Programa Adrenalina.
Mas maratona mesmo foi chegar lá desde Porto Alegre/RS. Treze horas de viagem, primeiro em avião para percorrer os 3.296 Km até Aracajú/SE, com escala no Rio de Janeiro, e da capital sergipana mais 5 horas e 300 Km por terra até a cidade de Paulo Afonso/BA, sede da competição.
Em resumo, uma sexta-feira para ir, um sábado de trabalho na competição e o domingo inteiro para voltar para casa do outro lado do país. Ufa!
Em torno de 140 atletas participaram da competição no maior cânion navegável do mundo, a qual foi dividida em três categorias: Turismo - 8 Km de extensão, Speed - 1 Km de arrancada e velocidade e a Maratona - 55 Km non stop, entre a Usina Hidrélétrica de Sobradinho em Paulo Afonso/BA e a de Xingó/SE.
No cenário de perder o fôlego os enormes paredões do cânion, em meio à caatinga, cortados pelas límpidas águas cor de turquesa do Velho Chico, um verdadeiro banquete para os fotógrafos de plantão. Me lembrou um pouco Lake Powell, um cânion em pleno deserto de que igualmente foi transformado em um imenso lago de águas límpidas em meio à paisagem absolutamente árida.
Veja aí as fotos da Maratona!






























As meninas da imprensa fizeram bonito participando da prova! Da esquerda para a direita Ana Karina Belegantt (Programa Adrenalina), Marilin Novak (Webventure) e Juliana Franqueira (Programa +Ação).
Imagens:
Todas as fotografias por João Paulo Lucena 2012. Direitos reservados.

Foto: Divulgação
Já li muita, mas muita literatura de montanha por aí, desde o tempo em que livro de aventura no Brasil era raridade e coisa boa só mesmo buscando no exterior.
Ainda bem que isto mudou um tanto e o mercado editorial brasileiro finalmente acordou para o potencial dos livros de aventura e atividades junto à natureza, em parte graças ao click dado por Amyr Klink em 1985 com o seu já cult "Cem Dias entre o Céu e o Mar".
Agora acabo de ler o relato das aventuras do brasileiro Rodrigo Raineri, tendo como tema as suas quatro investidas ao Everest, em duas ganhando o cume, em uma perdendo seu grande amigo Vitor Negrete e, em praticamente todas elas, sofrendo o drama de ser roubado em plena montanha.
A obra foi escrita a quatro mãos, junto com Diogo Schelp, e veio a público em uma bem cuidada edição da Ed. Leya Brasil, ilustrada com belas fotos e trazendo uma narrativa concisa e madura das aventuras do autor.
O livro me prendeu do início ao fim e gostei bastante. Rodrigo e Diogo utilizaram a técnica de intercalar diferentes fatos no tempo, contando as quatros escaladas ao Everest (2005, 2006, 2008 e 2011) como se fosse uma só. Para tanto vão direto aos fatos mais importantes, sem dó do leitor, como o terrível emocionante relato de quando Rodrigo e Vitor Negrete encontraram os corpos congelados de Othon Leonardos e Alexandre Oliveira, durante a escalada da face sul do Aconcágua:
"...Era um gelo quebradiço, bem perigoso. Fui escalando pelo obstáculo com muito cuidado e, quando cheguei perto do fim, visualizei uma corda fixa na aresta. Movimentei-me para a esquerda e aveistei os corpos congelados de Othon e Alexandre. Na queda, a corda pela qual estavam conectados um ao outro enroscou em uma grande pedra, e eles ficaram pendurados, um de cada lado, o Othon em cima e o Alexandre bem mais abaixo. Eles estavam sentados, ainda apoiados pela corda, virados para o horizonte. O corpo de Mozart não estava lá. Provavelmente ele não estava conectados aos outros dois companheiros quando o avalanche os atingiu. Mozart tinha história: ele e Waldemar Niclevicz foram os primeiros brasileiros a alcançar o cume do Everes com o auxílio de oxigênio, em 1995. Othon, Alexandre e Mozart morreram ao tentar superar a face sul do Aconcágua, em 1998...."
Quer saber mais? Então largue um pouco da preguiça nestas férias de verão e confira este belo livro!
Autores: RAINERI, Rodrigo e SCHELP, Diogo
Editora: Leya Brasil
ISBN: 8580441250
ISBN-13: 9788580441253
Encadernação: Brochura
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2011
Número de páginas: 304
Preço: R$ 34,90
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Embarque da equipe no Ilyushin 76 para retorno à Punta Arenas. Foto: Alexandre Alencar / UERJ
A expedição brasileira que instalou o módulo Criosfera I desmotou seu acampamento 470 Km adentro do Continente Branco, em pleno Platô do Manto de Gelo da Antártica Ocidental, e está voltando para casa.
Depois da bem sucedida missão o primeiro ato dos cientistas ao desembarcarem em Punta Arenas/Chile foi tomar um banho de verdade depois de dois meses isolados em meio ao gelo.
Em breve o coordenador dos trabalhos, Jefferson Simões, deverá apresentar um relato das principais realizações da Expedição Criosfera.

Jefferson Simões. Foto: Ulisses Bremer / UFRGS
Criosfera 1 é inagurada no Continente Antártico. Foto: Centro Polar e Climático da UFRGS
Em outubro último noticiei aqui no blog o embarque da expedição que instalaria a primeira estação polar brasileira na parte continental da Antártida.
Pois abro esta postagem com a foto da inauguração da Criosfera I no último dia 12 de janeiro, o primeiro módulo brasileiro para coleta de dados sobre a atmosfera, arduamente instalado 472 Km adentro da plataforma continental.
O módulo foi contruído no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, despachado de em caminhão para Punta Arenas, no Chile, de onde seguiu em uma aeronave russa Ilyushin até o Continente Antártico. Dali seguiu o longo trecho final até o seu ponto de instalação nas coordenadas 84°S 79°30'W tracionada por um trator de gelo, onde os demais integrantes da expedição foram deixados de avião.
Embarcando no Ilyushin rumo à Antártida no Foto:
INPE
A nova estação representa uma importante conquista do Programa Antártico Brasileiro e fará a monitoração automática do clima, sendo alimentada por energia solar e monitorada via satélite.
Durante os trabalhos de montagem do módulo a equipe submeteu-se a temperaturas de até -17°C, com sensação térmica de -42°C, alojada em barracas polares e executando os trabalhos também ao ar livre.
Acampamento avançado, a 84°S, onde o módulo foi instalado. Foto: CPC/UFRGS/Divulgação
Uma outra parte da missão científica é a coleta de amostras (testemunhos) de gelo até a profundidade dee 100 metros, o que possibilitará, a partir da análise do ar nele contido, a reconstrução dos últimos 300 a 400 anos da história da atmosfera terrestre.
Testemunho de gelo. Foto: Marcelo Arevalo (CECS-Chile). Foto: Divulgação
O isolamento da equipe responsável pela Criosfera fez com quem passasse o Natal e o Ano Novo no gelo, muito longe de casa e, segundo o o glaciologista brasileiro Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a temperatura esteve na casa dos -30°C e a comemoração do grupo foi dentro do módulo Criosfera 1, cujo termômetro marcava 14°C (positivos).
Encerrados os trabalhos de instalação do módulo a equipe de cientistas deverá retornar ao Brasil depois de mais de dois meses no gelo, o que requer um bom preparo não somente físico, mas também psicológico para suportar as condições climáticas extremamente adversas à vida humana.
Jeffeson Simões ilustrou muito bem o ambiente enfrentado pelos pesquisadores:
"Eu mesmo já fiquei nove dias dentro de uma barraca (ou melhor movendo-se da barraca de dormir para a barraca-banheiro ou para barraca-cozinha), aguardando a melhora do tempo. Há casos de quase 20 dias em uma barraca e onde rajadas de vento ultrapassaram os 180 km por hora.
Um explorador polar deve antes de tudo aceitar os limites dados pela natureza. Frio, ventos fortes constantes, neve à deriva, fendas no gelo, são todos fatores que poderão mudar seu planejamento idealizado no agradável escritório. Assim, entre os problemas mais incômodos para uma equipe no campo estão aqueles participantes muito acostumados às facilidades do meio urbano, que esperam que tudo ocorra como planejado e que tenham data de volta exata ao partir para uma missão antártica. Ainda podemos dizer que temos somente data provável de retorno! Para não acharem que estou falando de dias, há 40 anos ainda ocorriam atrasos de um ano no retorno para casa (simplesmente porque o navio que devia resgatar os pesquisadores não conseguia atravessar o mar congelado). Nos anos 1990, logo após a queda do muro de Berlim, alguns pesquisadores da ex-União Soviética ficaram de dois a três anos sem voltarem para o seu país. Bom, nosso grupo arrisca-se no máximo a atrasos de uma semana a 15 dias!" Fonte: O Eco - Diário da Criosfera
Ano Novo da equipe do acampamento avançado. Foto: CPC/UFRGS Divulgação
Jefferson Simões, líder da expedição Criosfera. Foto: Divulgação CPC/UFRGS
Amigos, como minha primeira postagem de 2012, que tal começarmos tratando de fotografia?
Na próxima terça-feira 17/01/2012, às 20:00, na FNAC do Barra Shopping em Porto Alegre, convido vocês para o Sarau Fotográfico, no qual estarei conversando sobre fotografia outdoor e de esportes de ação e imagens do maravilhoso Rincão Gaia, o pequeno pedaço de paraíso que nos deixou o grande José Lutzenberger.
Comigo estará também a Ana Karina Belegantt (http://www.finalsports.com.br/03/blog_guria/), Conselheira da Fundação Gaia, com quem apresentarei imagens e contarei um pouco da minha experiêcia fotográfica, além da apresentação de trabalhos de alunos da Escola de Fotografia Câmera Viajante.
Um belo programa para uma noite de verão, certo?
Espero vocês lá!
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“O olhar dos Viajantes da Câmera sobre o Rincão Gaia - Legado de Lutzenberger” é o tema do primeiro Sarau de Fotografia de 2012, nos 10 anos da morte do ecologista. A Diretora de Projetos da Escola Câmera Viajante, Karla Nyland, recebe João Paulo Lucena, advogado e fotógrafo da natureza e esportes de ação, e Ana Karina Belegantt, apresentadora do programa de TV Adrenalina e conselheira da Fundação Gaia. Outras informações: www.cameraviajante.com.br."
Local do acidente na Cordilheira dos Andes - Imagem atual no verão. Fonte: Viven!
Há exatamente 39 anos um grupo de dezesseis cavalheiros se reúne a cada noite de 23 de dezembro para cumprir um sagrado pacto. O local uma acolhedora sala de madeira, pedra e lareira em uma casa de Montevidéu, Uruguai. Como motivo o encontro anual da Sociedade da Neve para a celebração do milagre do seu reencontro com a vida.
Engenheiros, agrônomos, empresários, médicos, pouco importa a profissão, o credo ou a origem, pois em comum partilham uma memória do passado e a coincidência de serem todos homens. Se hoje é o fogo que os reúne, há quase quatro décadas foi de gelo a têmpera que forjou para sempre um inquebrantável vínculo de aço.
José Pedro, Roberto Canessa, Roberto François, Alfredo, Daniel, Roy, José Luis, Alvaro, Javier, Carlitos, Fernando, Ramón, Adolfo, Eduardo, Antonio e Gustavo. Todos na faixa dos 60 anos são os dezesseis uruguaios que sobreviveram ao acidente do tristemente célebre Vôo 571 da Força Aérea Uruguaia, que os aprisionou sem qualquer recurso por 73 dias no coração da Cordilheira dos Andes.
O ACIDENTE
A história é bem conhecida. Em outubro de 1972 quarenta e cinco passageiros, na sua maioria jovens na faixa dos 20 anos de idade e integrantes de um time colegial de rugby, embarcaram em um vôo fretado em Montevideo rumo a Santiago do Chile. Durante a travessia dos Andes uma tempestade e erros de navegação levaram a aeronave Fairchild a chocar-se contra o pico de uma montanha, perdendo as asas e a cauda e deslizando por uma encosta recoberta de neve até um vale isolado na cordilheira.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Apesar de 30 passageiros terem milagrosamente sobrevivido ao choque imediato, tecnicamente uma verdadeira façanha, foram ainda obrigados a resistir sem qualquer preparo, comida e medicamentos a temperaturas abaixo dos 30 graus negativos trajando apenas leves roupas de verão. Dez dias após um pequeno rádio de pilhas trouxe a desesperadora notícia de que as operações de resgate haviam sido oficialmente encerradas, deixando os sobreviventes à sua própria sorte.
A absoluta falta de comida, o instinto de sobrevivência e um esforço enorme para vencerem barreiras pessoais e religiosas ínsitas à cultura humana universal, além de uma visceral repugnância física ao canibalismo, fez com que recorressem aos corpos dos amigos falecidos como fonte de alimento. Como se isto fosse pouco, os ferimentos do acidente e uma grande avalanche reduziram outra vez o grupo aos seus atuais 16 integrantes.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Após dois meses isolados na montanha e com a perspectiva de morrerem por inanição, em uma heroica jornada de dez dias sem qualquer conhecimento de técnicas de montanhismo, Nando Parrado e Roberto Canessa conseguiram chegar à localidade de Los Maitenes, no Chile e contatar as forças de socorro.
Foi então que no dia 23 de dezembro de 1972, véspera das celebrações de Natal em todo o planeta, quando o último dos 16 sobreviventes foi resgatado da montanha pelos helicópteros nasceu a Sociedade da Neve.
Imagem captada a partir do helicoptero de resgate - 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve

O time de rugby. Fonte: La Sociedad de la Nieve
E se para os olhos da sociedade de 1972 a necessidade de recorrerem ao canibalismo foi a violação de um autêntico tabu, hoje o caso é admirado e revisitado sob os enfoques da medicina, da psicologia e da administração, assim como pelo estudo das técnicas de sobrevivência em situações extremas tendo em conta o acerto das decisões tomadas pelo grupo.
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Fotos originais captadas pelos sobreviventes em 1972. Fonte: La Sociedad de la Nieve
Passados os anos, o Vôo 571 do Fairchild assumiu uma certa aura cult. O que antes era um ponto isolado na montanha hoje pode ser visitado por meio de expedições especiais até os destroços do avião. Livros foram escritos e produzidos filmes sobre o caso. A cultura superconsumista do Século XXI, ávida de novidades efêmeras, requentou seu interesse sobre o acidente e os integrantes da Sociedade da Neve, esquecidos por quase duas décadas, hoje ministram palestras por todo o mundo e mantêm uma fundação que auxilia comunidades carentes. Tudo a favor, ponto para eles!
LITERATURA E CINEMA
Em 74 foi lançado internacionalmente o livro com o relato da história a partir das entrevistas feitas pelo britânico Piers Paul Read, No Brasil recebeu o título de “Os Sobreviventes” (Alive), um best seller constantemente reeditado no mundo.
Com farta divulgação do caso na mídia e apesar dos meus pais terem escondido o livro por tratar-se uma leitura muito “forte” para mim, aproveitei a distração em um final de semana de férias na praia Paraíso (RS) e encontrei o livro na mesa de cabeceira. Com a limitada compreensão de uma criança de apenas 9 anos mas já com o espírito de um futuro devorador de livros, avancei o que pude sobre suas páginas e fotografias antes que fosse descoberto. Mas meus pais tinham razão. O conteúdo crú do relato fez com que até hoje eu relembre perfeitamente estes ingênuos e distantes momentos de ilícito infantil.
Com o passar do tempo o assunto voltou às manchetes com a bem produzida versão cinematográfica de "Vivos!" (Alive, 1993), narrado por ninguém menos do que John Malkovich. Terminei por reler com olhos maduros o ainda excelente e detalhado relato original de Piers Paul Read e também as versões de Nando Parrado (Milagre nos Andes, São Paulo: Objetiva, 2006) e de Carlitos Paez (Despúes del Día 10, Alienta, ISBN 9788493521264, 2007), esta sem tradução no Brasil.
Há pouco ganhei de presente e literalmente degustei “La Sociedad de la Nieve”, de Pablo Vierci (Sudamericana, ISBN 9789500729758, 2008), tido como o livro definitivo sobre esta epopeia. Nele os 16 sobreviventes, já estabelecidos na vida, pais de família e avôs, com parte dos seus fantasmas exorcizados, apresentam suas reflexões depois de 35 anos do acidente, alguns saindo do retiro pela primeira vez desde os anos 70. O autor acompanhou os sobreviventes e seus filhos em uma visita ao local de acidente em 2006, dando origem ao livro e também a um tocante documentário ("La Sociedad de la Nieve" / Stranded", de Gonzalo Arijón, 2008).
Apesar de já ter lido muitas obras do gênero e me achar calejado com relatos de situações extremas, não pude deixar de me emocionar com as impressões individuais dos 16 coautores, cada uma delas com um enfoque tocante, original e de todo diferente dos demais. O livro, que comecei a ler meio desconfiado de ser uma estratégia caça-níqueis sobre o tema, foi uma gratíssima surpresa e lamento que tanto ele quanto o documentário com o mesmo nome não tenham tido no nosso país a divulgação que merecem.
Se nestes dias de Natal somos levados a direcionar nossos pensamentos para ideais de paz e fraternidade, independente de credo ou convicção, vale saber, e lembrar, que na última noite do dia 23 de dezembro, assim como o farão a cada ano enquanto viverem, os 16 membros da Sociedade da Neve estiveram reunidos com seus amigos e familiares para celebrar o milagre daquele longínquo Natal de 1972.
Testemunhos verdadeiros desta inacreditável vitória diante da adversidade extrema, em que somente a coesão como grupo lhes permitiu o reencontro com a vida, eles nos fazem lembrar com humildade que, em um tempo em que Gaia se revolta contra os séculos de desmesurada agressão humana, diante dos elementos da natureza somos ínfimos e somente a união, a fraternidade e a fortaleza de espírito nos fazem todos sobreviventes neste planeta que nos serve de lar.
Um Feliz Natal e um grande 2012 para todos nós!
(** Nota do Autor: Existirem fotografias originais da época como documento dos dias de isolamento dos sobreviventes na montanha é algo extremamente raro e importante. Me fez lembrar as fantásticas imagens em chapa de vidro captadas pelo australiano Frank Hurley na expedição de Shackleton à Antártida e que hoje, um século depois, constituem um registro histórico de valor absolutamente inigualável.)
PARA SABER MAIS:
- Viven! – Site oficial da Sociedade da Neve
- La Sociedad de la Nieve (la película) trailer
- La Sociedad de la Nieve - Site da produção do filme, com excelentes imagens da época e da produção
- Alive Survivors Look Back – National Geographic Adventure
- Nando Parrado – Site oficial
- Perfil de Nando Parrado no Facebook
- Carlitos Paez – Site oficial
- Antonio Vizintin – Site oficial

Jornal Zero Hora, Porto Alegre, Edição 16.12.2012, p. 32
Para quem precisa valer-se de vestimentas mais formais na execução do trabalho em um país tropical como o nosso, especialmente no meu caso que enfrento um legítimo calor senegalês no verão de Porto Alegre, parece haver alguma esperança de melhor conforto no horizonte!
Pois sob bandeira de economia de energia e bom senso no uso das vestimentas durante o verão, o Governo do Chile está sugerindo a abolição do uso da gravata nos escritórios do país durante a estação mais quente do ano, quando a média da temperatura na capital Santiago fica nos 30ºC.
Ora, isto é moleza perto dos picos de calor na capital gaúcha, quando a conjunção de altas temperaturas com a umidade não raro chega a registros acima dos 40ºC. Em fevereiro do ano passado Porto Alegre registrou 41,3ºC
Quem sabe agora, sob a justificativa politicamente correta da economia de energia, se conquiste algum avanço nos costumes sociais concedendo um pouco mais de conforto à classe masculina nos sufocantes meses de verão no nosso Brasil tropical!
Abaixo a gravata!
E confiram abaixo a notícia da Zero Hora...
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Chilenos dizem não à gravata
A fim de economizar energia, governo sugere que acessório deixe de ser usado em escritórios durante o verão no país.
Dispensar o uso de gravata no verão já seria um alívio por si só, tendo em vista o sufoco que é passar o dia com o nó apertando o pescoço. No Chile, o tema virou assunto de Estado. E por uma outra razão: as autoridades estão incentivando os homens a deixar de usar gravatas para economizar energia.
A previsão é de que a temperatura se mantenha acima dos 30ºC durante o verão chileno, aumentando consideravelmente o uso de ar-condicionado. O ministro de Energia, Rodrigo Alvarez, diz que a medida deve ajudar a reduzir o uso do aparelho, gerando economia de eletricidade Ele gravou até um vídeo oficial com outros ministros retirando a gravata e pedindo que os chilenos façam o mesmo.
Segundo Alvarez, deixar a temperatura de um escritório aumentar entre 1°C e 3°C pode reduzir o gasto de energia em cerca de 3%. Em um comunicado, ele estimou que, se os setores público e privado implementarem a medida entre janeiro e março, a economia pode chegar a US$ 10 milhões (R$ 18,7 milhões).
– Essa medida ajudará a eficiência energética do país – disse o ministro.
Alvarez também incentivou a população a reduzir o consumo de energia em casa, por exemplo, desligando aparelhos eletrônicos que não estão sendo usados. A produção de eletricidade no Chile durante o verão é sempre limitada, já que o calor reduz o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
Fonte: Jornal Zero Hora, Porto Alegre, Edição de 16/12/2011, página 32




Mas Bruno, Rafael e Sabrina conseguiram driblar a fiscalização, levaram pincel e lata de tinta e deixaram suas inscrições "equestres" na terra das inscrições rupestres. 
Foto: Taina Borges, Divulgação
Bruno, Rafael e Sabrina. Parabéns! Vocês conseguiram!
É incrível como tem gente com "espírito de porco" e sem nenhuma noção do que é certo!
Os nomes de Bruno, Rafael e Sabrina foram escritos com pincel e tinta em um dos lugares menos improváveis para isso.
A Pedra Furada, uma formação rochosa de 30 metros de circunferência e esculpida ao longo dos milênios pela ação do vento e da chuva, está localizada no Morro da Igreja, em Urubici, na Serra, bem no meio de um dos maiores conjuntos de cânions do mundo.
Para chegar até dentro da pedra, deve-se fazer uma difícil trilha de oito quilômetros e aproximadamente cinco horas entre ida e volta, e sempre na companhia de um guia credenciado.
O local pertence ao Parque Nacional de São Joaquim, e entrar lá sem a companhia do guia é proibido. Em casos de flagrante, multa de R$ 1 mil ao infrator.
Também é proibido deixar qualquer tipo de lixo por lá, mesmo os orgânicos, como caroços e cascas de frutas.
Mas Bruno, Rafael e Sabrina conseguiram. Entraram e voltaram sem o guia, não foram multados e ainda tiveram o trabalho de levar um pincel e uma lata de tinta.
Em Urubici, cidade com muitas inscrições rupestres feitas há mais de três mil anos, os três amigos deixaram suas inscrições “equestres”.
Bruno, Rafael e Sabrina. Parabéns! Vocês conseguiram!
Texto: Pablo Gomes, Urubici
Fotografias: Vani Boza e Taina Borges"
Fonte: Diário Catarinense/Clic RBS





Para mais informações sobre o problema da poluição no Everest veja em:
http://somergie.fr/html/icidsmonde/zoomsurnepal.htm
www.bernard-voyer.com
http://www.zonehimalaya.net/Sherpa/sherpa.htm
http://fr.wikipedia.org/wiki/Mountain_Wilderness
http://science.qj.net/Mt-Everest-is-having-pollution-problems/pg/49/aid/68795

Vôo duplo de paraquedas no Centro Gaúcho de Pára-Quedismo, em Novo Hamburgo/RS.
No final de semana dos dias 9 e 10 de setembro estive acompanhando as gravações da 6ª Temporada do Programa Adrenalina no Centro Gaúcho de Pára-Quedismo, em Novo Hamburgo/RS.
Na ocasião foram feitos saltos livres e, do ponto de vista do fotógrafo, não foi um esporte fácil de capturar nas lentes de uma câmera uma vez que a maior parte da ação - a queda livre - ocorre em altíssima velocidade e fora do campo de visão dos observadores em terra, ainda que munidos de potentes equipamentos óticos.
Diferente do que se possa imaginar e conforme depoimento que ouvi, os paraquedistas concentram toda a emoção do seu esporte nos poucos segundos da queda livre e não propriamente naquilo que o público enxerga de terra, o planeio do paraquedas em si. Mesmo porque o próprio nome da atividade - paraquedismo - nos induz a pensar justamente na ação e no equipamento que interrompem a queda livre e não ao contrário.
Em outras palavras, por puro desconhecimento da atividade, até então eu pensava que o salto era apenas o meio para se chegar ao principal - o planeio desde as grandes altitudes até o solo, e não o contrário.
A não ser que o salto tenha como objetivo atingir um alvo específico ou realizar determinada formação em conjunto com outros praticantes, o paraquedas depois de aberto serve somente para conduzir o praticante o mais rapidamente no solo para, se possível, embarcar outra vez no avião para o salto seguinte.
Confesso que para mim foi uma surpresa aprender isto. Afinal, já acompanhei eventos de paraglider onde todo o prazer e a emoção estão justamente concentrados naquilo que os paraquedistas gostariam que terminasse o mais rápido possível, o planeio até o solo.
Para os paraquedistas o equipamento é apenas um meio de chegar o mais rapidamente possível ao solo...
... enquanto que para os praticantes de paraglider o desafio e o prazer estão em manter-se o mais tempo possível no ar. Paraglider no Ninho das Águias - Nova Petrópolis/RS
Mas a principal descoberta foi saber que justamente em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, está a principal centro do país para formação de paraquedistas, superando inclusive locais onde a beleza cênica das áreas de salto superam em muito esta cidade gaúcha, como, por exemplo, no Rio de Janeiro.
Segundo o site do CGP - Centro Gaúcho de Pára-Quedismo, a entidade é um clube fundado em 2005, focado no paraquedismo esportivo, desde a formação de novos alunos, aperfeiçoamento de atletas, saltos de instrução avançada, saltos de demonstração e saltos duplos e, atualmente, pelo segundo ano consecutivo, o CGP mantem-se como o maior clube de paraquedismo no Brasil.
Mas bem, voltando as aspectos fotográficos da minha experiência em Novo Hamburgo, e este é o objetivo desta postagem, não foi mole capturar algumas imagens representativas da atividade.
Isto porque não pude acompanhar um dos vôos de 20 minutos cada e que levavam os praticantes até os 6 mil pés e, tampouco, sou paraquedista, o que me permitiria fazer imagens em queda livre.
Restrito ao plano do solo e considerando a rápida velocidade com que os paraquedistas chegam ao chão, escolhi por me posicionar bem e utilizar uma tele-zoom 100-400 mm, valendo-me de alta velocidade de abertura (1/800 a 1/1000) e de disparo (10 fps) uma vez que a luz era abundante no ensolarado final de semana.
Uma grande angular seria a melhor pedida se fosse possível estar bem próximo e ainda adivinhar onde os paraquedistas iriam atingir o chão. Mas não era o caso.
Enfim, ainda que não pudesse acompanhar as verdadeiras emoções que somente os iniciados podem curtir no plano das nuvens e muitíssimo além da visão humana, com certeza estes dois dias renderam belas imagens dos atletas, das atividades de solo e da animada e muito unida tribo dos membros do Centro Gaúcho de Pára-Quedismo de Novo Hamburgo.
Vejam aí!
A dobradura dos paraquedas é um trabalho duro e que exige muita concentraçãoe responsabilidade.





Ana Karina Belegantt, paraquedista e apresentadora do Adrenalina


Preparando-se para o primeiro salto duplo...
A expressão diz tudo...
... e a alegria do desafio vencido também!


Ana Karina Belegantt e Leo Sassen, apresentadores do Adrenalina





Estranha e excêntrica figura costuma circular pela área de salto de Novo Hamburgo, atraindo adultos e crianças e contando histórias de bandidos e cangaceiros...






Luca Silveira, câmera do Programa Adrenalina e seus dois assistentes...





Final de expediente para a equipe do Adrenalina!

Aron Ralston. Foto: Wikipedia
Todo mundo já conhece a história: em maio de 2003 Aron Ralston saiu para uma trip solitária em um cânion isolado, na área desértica de Canyonlands, em Moab, Estado de Utah/EUA. Lá deslocou uma pedra que lhe prendeu definitivamente o antebraço contra a parede do cânion.
Canyonlands, Utah/EUA. Foto: Wikipedia
127 horas depois, desidratado, sem comida e com a gangrena avançando pelo membro esmagado, como único meio de sobrevivência Aron cortou o próprio braço com um canivete e, em condições extremas, conseguiu sair sozinho do cânion até encontrar socorro.
Esta incrível história de superação poderia ter tido um final trágico não fosse a grande experiência de Aron em atividades outdoor e os conhecimentos básicos necessários de como realizar a improvisada cirurgia e sobreviver a ela e ao ambiente inóspito onde se encontrava.
A "Grande Galeria", no Horseshoe Canyon, local onde se acidentou Aaron Ralston.
Foto: Wikipedia
Resistência, força moral e física, coragem sobre-humana, preparo psicológico, autocontrole, conhecimentos técnicos, audácia, inteligência... Uma quantidade imensa de adjetivos poderiam ser invocados para qualificar Aaron que depois do feito se transformou em uma celebridade no mundo outdoor e no circuito de palestras motivadoras.
Eu soube da história acompanhando a assinatura da Outside Magazine, onde Ralston foi personagem de capa na edição de setembro de 2004.
Outside Magazine
Também estive certa vez em Canyonlands, Utah, onde um dos maiores perigos para os praticantes de canionismo é justamente estar preso dentro de um cânion durante uma enxurrada. Isto sem considerar ainda um braço esmagado sob uma pedra enorme.
Passados alguns anos, em 2011 foi lançado no Brasil o filme 127 Horas (127 Hours) e, na sua esteira, o livro, que aqui recebeu o mesmo título.
Não pude deixar de conferir as duas mídias e procurei não ler qualquer artigo de crítica antes de o fazê-lo. Já saber como termina a história e que o mordomo não é o assassino prejudica um pouco a expectativa de ler o livro e ver o filme.
A técnica literária adotada por Aron no seu livro é bem
conhecida quando se quer estender uma história originalmente curta e o autor
vai entremeando na narrativa pequenos textos com outras referências que
complementam o tema da obra. Não que isto seja uma regra poisNa Patagônia", um verdadeiro clássico das narrativas de
viagem.
Mas no caso de 127
HorasTocando o Vazio", de Joe Simpson pois achei um pouco cansativa e um tanto excessiva a longa
descrição de Ralson de toda a sua formação no montanhismo e vida de aventuras,
enquanto o tema principal do livro acaba, por vezes, ficando em segundo plano.
E não falta humildade ao autor. Fiquei na dúvida se um "ghostwriter"
não o ajudou a redigir a obra. Fica aí o meu palpite.
De qualquer forma vale a pena conhecer a história,
um exemplo de coragem e superação, principalmente para aqueles que trabalham
com segurança em atividades outdoor e resgate em locais remotos. Sem dúvida a
criatividade de Aron salvou a sua vida pois com os poucos pertences que tinha
com ele conseguiu improvisar um sistema de suporte de vida que o ajudou a
sobreviver onde qualquer outro certamente teria perecido. Também são bastante
interessantes as fotos originais feitas por ele nesta já mundialmente célebre
jornada.
Já o filme assisti em DVD e, comparado com a obra escrita, vai direto ao ponto, quase um documentário. O trabalho de James Franco no papel de Ralston está excelente e a semelhança física é impressionante.
Gravar um filme inteiro retratando alguém que passa 127 horas em um mesmo lugar é com certeza um desafio e o produtor Danny Boyle mandou bem. Com um tema onde o uso de recursos tecnológicos fica bastante limitado, ele abusou da música, iluminação, perspectivas, composição, tudo com uma caprichada direção de fotografia.
127 Hours. Foto: Divulgação
A tônica do diretor foi exacerbar o foco nos pequenos utensílios levados por Aron e a partir dali ir ir traçando a perspectiva do filme. Todavia, mesmo tendo recebido seis indicações para o Oscar, lá pelas tantas o filme cansa com as constantes intervenções das memórias do aventureiro e a gente quer logo chegar na parte final para ver como ele cortará o braço....
Enfim, com um grande realismo e bastante convincente, recomendo tanto o livro quanto o filme, em especial para a galera que gosta de uma aventura longe dos confortos da civilização. Junto com o já cult "Tocando o Vazio", de Joe Simpson, esta certamente é uma história que veio para ficar e se tornará um dos grandes clássicos da aventura.
Ah, e quando sair para uma destas aventuras, por favor, não esqueça de deixar um bilhete para sua mãe avisando para onde foi!
- 127 Horas, o filme: 94 minutos, lançado no Brasil em 2011, disponível em DVD
- 127 Horas, o livro: São Paulo: Seoman, 2011, 415 p., ISBN 978-85-98903-25-5, R$ 39,90
Foto: Editora Seoman

Aprendendo a matear. São José dos Ausentes/RS. Foto: JPlucena
Hoje foi feriado estadual no Rio Grande do Sul quando comemorou-se a data máxima gaúcha: o aniversário da Revolução Farroupilha, também conhecida como a Guerra dos Farrapos.
Iniciada fundamentalmente por motivos econômicos e políticos em 1835, o Rio Grande declarou-se Estado independente até que, quase que por exaustão, a paz foi selada com o Império do Brasil.
Não adentrando aqui em detalhes históricos, não há como se conhecer a cultura gaúcha sem relacioná-la com este importante fato que, anualmente, é celebrado em todos os recantos do Estado.
Afinal, apesar das teses separatistas não encontrarem há muito solo fértil no Rio Grande do Sul, recente pesquisa demostrou o que todo mundo já sabia por aqui: a maioria de 54% da população prefere cantar o hino riograndense ao hino nacional, enquanto boa parte dos brasileiros sequer conhece o hino do seu Estado.
E neste ano não foi diferente. Apesar da chuva fina milhares de pessoas assistiram em Porto Alegre e na maior parte das cidades do interior ao desfile do 20 de Setembro, manifestação única de um movimento de resgate da cultura nativa iniciado em 1947 e que deu origem aos conhecidos Centros de Tradições Gaúchas (CTG´s), espalhados por todo o país.
Ter amor à terra em que nascemos, àquela em vivemos ou à que levamos no coração, de modo algum pode ser traduzido como bairrismo, mas trata-se de escolher um pequeno pedaço deste mundo para plantar raízes, alicerçar as referências e formar a identidade que nos diferencirá pelo menos um ínfimo de outros 7 bilhões de seres humanos neste planeta.
Mesclando em metades iguais sangue crioulo e italiano na minha origem, não neguei a força do DNA e as tradições familiares. Não cheguei a ir à Avenida sob a chuva como fizeram portoalegrenses de todas as idades, com seus ponchos, chapéus, guarda-chuvas e o inseparável chimarrão, mas assisti à bela festa em transmissão direta pela televisão.

Desfile Farroupilha em Porto Alegre - 2011. Foto: Fabio Berriel/Freelancer
Deixo aqui transcrito um poema de Glaucus Saraiva, clássico da literatura gaúcha, e algumas imagens da companhia inseparável do gaúcho, não só o habitante do Rio Grande do Sul, mas aquele personagem que ultrapassa fronteiras e que melhor representa a identidade cultural do pampa sul-americano.
"Chimarrão
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim."
Nova Petrópolis/RS. Foto: JPLucena
O mate unindo culturas... Vallecitos/Argentina. Foto: JPLucena
Ninho das Águias. Nova Petrópolis/RS. Foto: JPLucena
Nos Andes. Vallecitos/Argentina. Foto: JPLucena
Brasileiros, uruguaios, argentinos, chilenos e paraguaios, o mate sempre como boa companhia.
Cordilheira dos Andes/Argentina. Foto: JPLucena
Posto de combustível civilizado tem máquina de água quente para o chimarrão!
Em algum lugar do pampa argentino. Foto: JPLucena
A piscina congelou? Não tem problema, combata o frio com um chimarrão bem quente! Villa Carlos Paz/Argentina. Foto: JPLucena
O autor deste blog em Torres/RS... Foto: Ana Karina Belegantt
Não há como um bom mate para auxiliar na hidratação em alta montanha, seja na Cordilheira Real, na Bolívia... Foto: JPLucena
seja na barraca dos guias no Aconcagua/Argentina... Foto: JPLucena
...ou num belo dia de inverno na costa do Uruguai!
Foto: JPLucena