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HELENA DEYAMA
Piloto e Designer, Helena Deyama sustenta ano após ano o posto de única mulher no comando de um carro no Rally dos Sertões. Ao lado da navegadora Gislaine Garcia, ela vai percorrer os 6.948 quilômetros da prova e continuar provando que rali não é só para os marmanjos.
28/06 - Equipe de organização da prova!
Todas as dificuldades que tivemos, no sexto, sétimo e oitavo dia do Rally dos Sertões me mostraram uma coisa. Eu nunca imaginei que o pessoal da equipe técnica da organização do rali pudesse ser tão eficiente e tão amigos. Eles se mostraram atenciosos e preocupados, com o fato de eu ter quebrado, de não me deixar à noite por lá e até de avisar a equipe.

Até o pessoal das outras equipes brincaram: “Poxa vida, nunca veio um apoio tão rápido, e quando a Heleninha quebra...”. É um carinho muito grande que eles tem por mim, e só quando acontece algo, a gente vê isso: eficiência e organização.

Quando você anda e nada acontece, nem aparece tanto, mas quando fica fora da prova é que realmente vê o valor da equipe. Quero agradecê-los pela eficiência e o carinho que tiveram por mim!
28/06 - Amigos no rali
O mais legal do Rali é o seguinte: eu tenho muitos amigos, mesmo. E então eu poder estar sair e curtir com os meus amigos (estou na praia de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte), de equipes diferentes, amigos que eu conheci no meio do cross-coutry. É como se fosse uma grande família, me sinto muito em casa. Esta é a verdadeira finalização do Sertões, estamos com outras equipes e são todos amigos. Todos me tratam super bem, com muito carinho. Isso vale mais que ganhar a prova!
23/06 - Navegação no grito
Durante a quarta etapa, a Etapa Maratona, nós largamos e cada vez a voz da Helena foi ficando mais baixa no meu fone, e ela começou a me escutar cada vez mais baixo também. Fomos por vários quilômetros nessa mesma história.

De repente sumiu a voz das duas! Tentei trocar a bateria do aparelho e não deu porque o outro cabo estava sem bateria. Então, fomos no grito. Cento e cinqüenta quilômetros no grito! Parecíamos duas velhinhas dentro do carro!

“Pareciam duas surdinhas porque o carro é muito barulhento e com o capacete, fica como um tampão no ouvido. Eu só falava “O QUÊ?”, e ela gritava...” (Helena Deyama)

Então passamos por umas motos e creio que eles se assustaram porque eu estava cantando a referência muito alto e eu continuei no mesmo tom. Eles devem ter pensado que estávamos surdas!

Além disso, comemos muito pó, porque usamos a proteção na boca, mas daquele jeito não tinha como usar. Mas deu certo, no fim o carro chegou inteiro, conseguimos completar a prova e eu não fiquei sem voz!

“E o melhor é que completamos bem a Etapa Maratona, fomos o décimo sexto carro a chegar.” (Helena Deyama)
22/06 - Fartura na comida
Nós decidimos assistir o briefing comendo pipoca. As pessoas não compram pipoca pra ir ao cinema? Então, nosso cinema é o briefing.

Ontem, na cidade Paranã (TO) não tínhamos hospedagem. É uma cidade muito pequena e, novamente, conseguimos uma pessoa para nos hospedar. Um rapaz que trabalha na Prefeitura, o Diego e a mãe dele, Dona Neide. Ele nos ofereceu a casa para ficar e o mais legal é que chegamos com fome, como sempre.

No rali a gente toma café da manhã e não come mais nada o dia todo. A prova só termina lá pelas 6 ou 7 da noite, e ficamos sem comer nada durante o trajeto e gastando energia.

Bom, chegamos lá na casa do Diego famintas e, para nossa sorte, a Dona Neide faz salgadinhos. Ela faz uma empadinha maravilhosa! Olha, não é aquela historia que quando se está com fome se come qualquer coisa. Ela é fera, faz uns salgadinhos...

E hoje, quando contamos essa história, ela não nos deixou sair antes do café da manhã, e principalmente, sem levar uma merenda com salgadinho, pão de queijo, e a empadinha!

Estamos felizes com a nossa classificação no Rally dos Sertões e de barriga cheia. Odeio passar fome no rali!
21/06 - Cinco Estrelas
O que eu vou contar sobre ontem não é nem do rali, e sim uma particularidade que aconteceu aqui. Nós chegamos em Niquelândia (GO), e é a primeira vez que a prova passa por aqui, e ela não está comportando o número de hóspedes com relação à demanda.

E eu e a Gislaine tínhamos reserva num hotel, que fizemos por telefone, mas quando chegamos lá... Meu Deus! Não tinha condições de dormir lá. A quantidade de pernilongos era inacreditável, se dormíssemos lá seríamos levadas por eles! Fora as condições de higiene.

Eu sou uma pessoa que não se importa com casa simples. Já viajei muito pelo sertão e não exijo luxo, mas ali não tinha condições de higiene. O quarto cheirava mal!

Aí é que vem a história mais legal: Quando eu fui lavar o carro num posto na entrada da cidade, porque a equipe de apoio estava demorando muito pra chegar, veio um senhor em uma caminhonete conversar com a gente, e nos alertou que teríamos dificuldades de encontrar hospedagem, e nos ofereceu a casa dele, um sítio. Até esse momento não tínhamos ido ao nosso hotel, então eu agradeci dizendo que já tínhamos reservas, mas mesmo assim fiquei com o telefone dele.

Depois de vermos as condições do hotel, liguei para ele: “Seu Chico, lembra que o senhor ofereceu a sua casa?”. Ele saiu do sítio dele para nos buscar, e a gente só com a mochila nas costas. Isso foi uma coisa que eu falei para a Gi: Nossos anjinhos da guarda não nos abandonam, porque perdemos tudo do carro e acharam e nos devolveram, coisa difícil de acontecer, e depois ficamos no centro da cidade, sem hospedagem, e apareceu o Seu Chico. Vocês precisam ver que legal que é o sítio dele. Dá para ver o Cristo Redentor no alto, as luzes da cidade, é uma casa bacana. A Dona Vera, esposa dele, queria nos fazer um jantar, mas agradecemos e fomos para o briefing da prova de hoje.

O que foi muito legal foi o carinho das pessoas, a solidariedade em nos receber. E o Seu Chico nos levou para o briefing e foi nos buscar. Não poderia ser mais legal. Ficamos melhor do que em qualquer lugar da cidade.
21/06 - Carro destroçado
No segundo dia do Rally dos Sertões foi o dia realmente que a prova começou, com uma especial muito dura, do jeito que eu gosto, só que eu tive alguns “probleminhas” e cheguei ao fim da sem metade do carro, comecei perder pedaços do carro pela prova inteira.

E foi muito engraçado, porque primeiro eu comecei a sentir a traseira batendo e achei que o estepe estava solto lá atrás e parei para ver o que era e já não tinha mais estepe. E não era o estepe que estava solto, era o suporte dele. Ai coloquei outro estepe e tirei um pouco o pé porque tinha muito salto. Fui mais devagar, e aí olho o retrovisor e vejo o outro estepe indo ladeira abaixo, ou seja, eu não tinha mais nenhum estepe. E como a especial tinha muita pedra, eu tirei mais ainda o pé, para não correr o risco de furar o pneu.

Aí de repente eu parei porque o carro cortou, parou, perdeu a ignição. Cortou tudo, inclusive a parte elétrica, e foi muito perigoso porque ele parou em cima de um mata burro. Se viesse algum carro atrás, era depois de uma curva, então iriam bater na gente.

Então descemos empurramos o carro, nós duas, tirando o carro do perigo mas ainda correndo o risco de algum carro vir. Então fui ver o que tinha acontecido, e o guincho, que fica na parte traseira embaixo do suporte do estepe, também tinha caído e ele saiu arrancando todos os fios da bateria, por isso o carro parou. Ai eu pensei: “Ai meu Deus, faltam 10 quilômetros para acabar a especial, não acredito que não vou chegar”.

Ai puxei fio daqui, fio dali, consegui remendar e fui embora, faltando tudo que era pedaço.

Depois disso, um mourão de cerca caiu no meu pára-choque, eu buzinei, mas ele não saiu (risos), e quando eu fui dar ré não ia embora porque ficou enroscado no arame farpado. Ou seja, perdi meu pára-choque dianteiro, meus dois estepes, meu gincho, que arrancou todos os meus fios, o suporte do estepe quase caiu, mas o mais engraçado dessa história ainda não é isso.

Eu estava muito preocupada porque eu não tinha roda, eu tinha os dois pneus sobressalentes, mas eu não tinha mais roda para montar, e eu já estava indo pedir roda emprestada, quando vieram me devolver os dois estepes e o gincho. Imagina, em meio de um trecho de especial de 300 quilômetros, acharam minhas coisas. Eu tenho muita sorte mesmo! Quem fez isso foi o pessoal da técnica, que faz o limpa-trilha.

Inclusive o segundo estepe que caiu, que eu vi e anotei na planilha, por volta do quilômetro 380, alguém da equipe técnica viu caindo na hora e anotou o número do meu carro. O outro me devolveram porque eu avisei o pelicano, dei até qual pneu era. E para a terceira especial meu carro já estava todo montado de novo, mas tadinho, ele estava tão bonitinho e chegou faltando a frente e a traseira inteira.
19/06 - Ajustes na navegação
No primeiro dia de especial do Rally dos Sertões, fiz alguns ajustes com a minha navegadora, Gislaine Garcia. O piloto quer ouvir navegação e eu cobrava isso dela, só que como eu cobrava muito, ela não conseguia raciocinar para me falar. E o Rally é cruel nisso, porque os trechos iam passando, os carros voando, e o piloto querendo acelerar, e o navegador muitas vezes não consegue acompanhar a velocidade do piloto, isso é normal de acontecer, principalmente na primeira vez. (Risos)

Mas hoje o Rally foi duro para a gente, foi cruel, mas sobrevivemos ao primeiro dia, eu a Gi. No segundo dia tudo vai ser mais tranqüilo, nós vamos dar risada de outra coisa.

“A história de amanhã vai ser um pássaro que passou, um cachorro que atravessou a pista, qualquer coisa assim, menos histórias de dentro do carro”, falou a Gislaine.
17/06 - Confiança na parceria com minha nova navegadora
Os preparativos para a largada do Rally dos Sertões é sempre aquela adrenalina, muita coisa para preparar. E eu cheguei ontem (segunda-feira, 16) aqui em Goiânia e a minha navegadora, a Gislaine Cristina Garcia, já estava aqui me esperando. Nós nos conhecemos praticamente aqui, praticamente, passamos essas primeiras 24 horas juntas, e o entrosamento foi muito bom. Parece que a gente já se conhece há bastante tempo.

O entrosamento é uma característica pessoal, ou você se dá bem, ou não se dá. E nós, felizmente, já demos muito bem, temos gostos e hábitos alimentares semelhantes, e foi muito legal.

Ela é como eu, tranqüila, concentrada, já sabe o que vai fazer, está concentrada em suas obrigações e acho que vai dar supercerto essa parceria. Inclusive ontem fomos para a pista do Super Prime e prólogo para fazer o levantamento, e ela não fazia idéia do que era um levantamento, e eu já estou bem acostumada com isso, até porque isso vem do rali de velocidade.

E então eu fui falando o levantamento e ela escreveu uma carta enorme. Então eu pensei “deixa ela fazer do jeito dela”, mas depois nós sentamos juntas e eu fui explicar para ela os códigos, a grafologia padrão que a gente faz. Como Esquerda usamos apenas E. O Corta não escrevemos por extenso, usamos um traço. Mostrei isso para ela, e ela ficou encantadíssima! Expliquei que dessa forma ela faz um símbolo, bate o olho e me fala o que tem que fazer.

Ela vem de onde eu vim também, de Raid, de Jipes, e esse será o primeiro Cross-Country dela e vai encarar de primeira um Rally dos Sertões. É muita novidade para ela. Mas não vai ter problema para ela algumas coisas como empurrar carro, porque ela vem de trilhas de jipes, como eu.

Quanto a navegação, está tranqüilo porque ela fez muitas provas de regularidade, como a TransParaná. Ela tem bastante experiência em Cup também, só que são provas muito curtas, que ela navega para o pai dela, e não tem aquela coisa de roteiro, de se perder em dunas de areia, que no Sertões tem. Mas a pessoa que tem esse espírito aventureiro tem mais facilidade e tira de letra. Estou superconfiante e a parceria vai dar supercerto.

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