26/06 -
Caminhão Lata de Sardinha
Quando nós fomos largar na especial de ontem estava um cheiro muito ruim dentro do caminhão, parecia carniça. Aí perguntamos para o Ronaldo se os macacões estavam sujos, porque havíamos lavado na noite anterior, e ele disse que devia ter entrado algum bicho no caminhão durante a especial anterior, ou algum ovo de pássaro que caiu lá e quebrou, e enfim, fomos embora assim mesmo.
No fim da prova comecei a fuçar o caminhão e achei uma sacolinha que levamos algumas comidas para caso de quebra, para nos prevenir caso fiquemos presos em algum local por muitas horas. E lá tinha uma lata de sardinha que tínhamos levado que tinha explodido, agora imagina com o calor que temos passado a sardinha cozinhando lá dentro?! Jogamos tudo fora e vamos ver se o cheiro some!
Nós levamos a comida porque no ano passado tivemos uma quebra e ficamos oito horas parados, mas esse ano não deu muito certo! (risos)
Esse ano eu vi uma coisa legal no carro 356, do Rodrigo Khezam e do Hugo Méier Hassem, que são umas comida desidratadas que é bem legal e ainda são gostosas. Vou trocar pela sardinha... pelo menos não cheira mal!
25/06 -
Santo trator!
Ontem ganhei a minha primeira etapa no Rally dos Sertões 2008. E pensei “até que enfim!”, pois o Amable já ganhou uma e o Edu Piano outras... Pelo menos uma tinha que ser minha, ou melhor, minha, do Maykel e do Ronaldo.
E foi justamente um pântano que nos ajudou. Quando eu cheguei no local, vi o caminhão do Edu Piano atolado logo no início do caminho. Com certeza ele escolheu o caminho errado. Fui indicado pelo Maykel, meu navegador, a tentar um outro cantinho, que quase deu totalmente certo. Atolei bem no finalzinho do trajeto.
E foi quando apareceu um “santo trator”, desses anjos que caem do céu mesmo. Como estávamos presos no final do pântano o trator nos tirou primeiro e, em seguida, o Edu Piano.
Tínhamos então um pouco de vantagem e o Edu nos alcançou e ultrapassou. Era uma estrada bem rápida para os caminhões. Felizmente, o Mercedes foi forte e conseguimos ultrapassá-lo de volta. Mas a vantagem que conquistamos não foi o suficiente para ultrapassá-lo também na classificação geral acumulada.
24/06 -
Quando o deslocamento é pior do que a especial
A sexta etapa do rali teve uma surpresa: um deslocamento mais difícil que o próprio trecho cronometrado. A especial era bem rápida e o piso bem gostoso, areia com vegetação baixa. No total, demoramos, aproximadamente, quatro horas e meia para terminá-la.
Quando chegamos no deslocamento é que encontramos a pior parte: trechos bem complicados, de arrebentar o veículo. Foi muito mais sacrificante o final da etapa do que o período contado no relógio. Saldo: mais quatro horas e meia de deslocamento. Impressionante!
Mas a tristeza do dia apareceu quando me deparei com o carro do meu irmão – Jean Azevedo – parado no início da especial. E, pra completar, achei o Rodolpho Mattheis também parado só que no final da especial. O Rodolpho estava esperando a picape da organização buscá-lo para o deslocamento. O Jean, no final das contas, conseguiu terminar. E o Rodolpho só chegará de madrugada para largar de manhãzinha. Um rali e tanto pra ele.
22/06 -
Curioso azar no lado do navegador
Desde que começamos com esse trio, Ronaldo, Maykel e André dentro do caminhão da Petrobras Lubrax, é a primeira vez que conseguimos terminar uma etapa maratona sem problemas. Chegamos ontem em Paraná intactos e sem nenhum reparo a ser feito. Chegamos até cedo – no pôr-do-sol – o que é raro, ainda não tinha acontecido em nenhum dos últimos três Sertões.
Sempre chegávamos com problemas sérios no caminhão, por avarias mecânicas ou por acidentes durante o percurso. Festejamos muito em Paraná essa nossa chegada.
Já na segunda parte da maratona, a especial de hoje, ficamos com alguns problemas de pneu. Não tivemos tempo de trocá-lo e acabou furando. Foi uma etapa mais travada e nós perdemos dez minutos.
O segundo furo foi quando atropelamos uma pedra. Passei com a roda meio de lado furou o flanco do pneu dianteiro. Mas esse foi mais rápido. Em três minutos conseguimos trocar.
Pouco depois em uma parte de trial estávamos em alta velocidade, com galhos batendo a toda hora. Um deles bateu forte e trincou todo do pára-brisa.
O curioso é que essas coisas só acontecem do lado do navegador... Furar pneu, quebrar o pára-brisa, nunca é do lado do piloto. Não sei por que isso (risos).
O vidro só rachou. Mas por precaução nós levamos dentro do caminhão uma viseira de motociclista e, sem vidro, podemos usá-lo para evitar a poeira nos olhos.
22/06 -
Pesos leves X Pesos pesados = categoria Caminhões?
Durante a etapa maratona, quando não tínhamos auxílio de nossa equipe de apoio, achei melhor dosar um pouco no acelerador e não forçar muito o Mercedes-Benz Atego.
Ainda mais porque os outros caminhões que estão na disputa do pódio serem realmente muito mais leves que o meu, que possui por volta de 7 toneladas. Para se ter uma idéia, os competidores estão divididos da seguinte maneira:
Caminhões T4.1 – veículos de 3.500Kg a 4.800Kg
Caminhões T4.2, da qual participo – para caminhões de 4.801Kg a 8.500Kg
Das três principais posições do pódio, apenas o meu Mercedes-Benz é que possui mais de 4.800 quilos. E não é nada fácil “brigar” nesse cenário. Com um caminhão mais pesado os obstáculos são mais difíceis de transpor e as velocidades também são inferiores. Regiões mais travadas ou sinuosas acabam sendo facilitadas para caminhões menores. Ontem, por exemplo, atravessamos uma ponte bem devagar, pois metade do pneu ficava para fora da madeira, de tão estreita.
Vamos ver se para 2009 a organização realmente faça valer as regras FIA, para caminhões acima de 7500kg. Aí sim a disputa será mais justa.
21/06 -
Como trocar os pneus de um caminhão
No caminhão, como estamos em três pessoas, cada um tem a sua função. Eu saio do meu lado esquerdo e já vou fazer o desengate do hidráulico que nós temos. O Ronaldo sai pela direita e já vai atrás das ferramentas, para tirar o toque máximo das rodas e o Maykel vai lá atrás pegar os pneus.
Depois que acabo a minha função de suspender o caminhão, eu vejo se alguém está precisando de alguma coisa, por isso conseguimos fazer a troca de 6 a 10 minutos.
O macaco hidráulico sobe o caminhão automático e isso facilita muito para a gente. A dificuldade mesmo é quando tem que tirar o pneu e colocar no eixo atrás, porque ele pesa cerca de 120 quilos. Então aí tem que ser os três para ninguém forçar a coluna ou se machucar.
E ainda o pneu da frente tem 10 porcas para desapertar e o traseiro são cinco. Mas para isso também temos uma máquina automática que nos auxilia. Somente para dar o toque inicial ou final é que precisa-se de uma alavanca e aí usamos a chave.
É um pit stop um pouco demorado, né?! Bem mais que Fórmula 1, quando os pilotos demoram 10 segundos para trocar os pneus, nós aqui demoramos 10 minutos!
19/06 -
Lembranças de Dakar
Às vezes alguns trajetos do Rally dos Sertões me lembram regiões do Dakar. Hoje, por exemplo, a quantidade de erosões e estradinhas que unem fazendas pareceu muito com Burkina Faso, na África.
Tinham erosões de vários tamanhos, profundidades ou riachos. A etapa de hoje teve um corte de 40 quilômetros em relação à especial das outras categorias, pois o resto do trajeto deveria ter muitas pedras e lugares estreitos, dificultando a passagem de um caminhão.
Mas o grande vilão dos caminhões pesados são as pontes que sofrem com a passagem dos veículos médios. Aos poucos a ponte vai cedendo e quando passamos é muito comum dela quebrar e ficarmos presos.
Aliás, esse foi o principal problema que enfrentei no Sertões do ano passado. Nesta segunda etapa o Ronaldo, terceiro integrante de nosso Mercedes-Benz, teve que descer do caminhão para abrir uma porteira ao lado da ponte para passarmos. Não íamos arriscar desta vez”
18/06 -
Sem limites de velocidade
A primeira etapa aconteceu em um local onde eu já imaginava: no meio de fazendas no sudoeste de Goiás. Em determinado momento alcancei outro caminhão, que não me deu passagem. Foi um momento perigoso, pois percebi que ele apenas me deixaria ultrapassar quando o sentinel avisasse. E isso só acontece com apenas 150 metros de distância.
De resto a etapa foi tranqüila. Atingimos uma velocidade inédita no Sertões, 165 km/h, graças a algumas alterações que fizemos no caminhão. Agora que chegamos ao Parque Fechado, iremos fazer uma revisão de praxe para garantir que a segunda etapa tenha tanto sucesso como a primeira!
17/06 -
Nova estrutura da equipe Petrobras
A estrutura da equipe Petrobas Lubrax para 2008 é completamente diferente do que foi até agora, no passado. A gente assumiu a preparação e manutenção durante as provas dos três veículos, e isso é uma novidade, porque fora a pilotagem, a navegação e a preparação em si, a gente tem que estar de olho na parte dos mecânicos, da estrutura, do planejamento de peças. É um item a mais para se trabalhar, mas aí temos mais controle e uma maior confiabilidade nas coisas, porque todo mundo que está com a gente está compromissado com o resultado. Então, quando a gente ganha, a vitória é de todos, realmente, desde a preparação ao apoio da competição.
A estrutura teve que ser aumentada para isso, então nós compramos um caminhão para fazer o transporte do carro para competições e treinos. Conseguimos um
motorhome para dar um pouco de conforto, e aí pensar em coisas que a equipe nunca pensou, como cozinheiro. Adequamos o cozinheiro, que é o nosso “faz tudo” lá na oficina em São José dos Campos (SP) , que é o Rafael, uma pessoa simpática e que se dá bem com todo mundo.
Então, são detalhes diferentes que eu tinha no passado, que era só a parte mecânica. Agora tem que pensar na família grande, chegando ao número de 22 pessoas para acompanhar o Rally dos Sertões. Isso sem considerar o pessoal da Mercedez Benz, que me dá apoio na logística de transporte de peças e um conhecimento técnico mais específico.
No
motorhome vai ficar mais quem está de moto e de carro, porque o Rally dos Sertões é um rali itinerante, e aí você não pode ficar muito tempo parado, e na categoria dos caminhões por ser a última a largar, tem a desvantagem de chegar sempre tarde, mas tem a vantagem de largar mais tarde também, então o veículo vai seguir os dois pilotos de motocicleta.
Essa é uma outra novidade também, a pilotagem das motos: o Jean Azevedo saindo da categoria das motos e indo para os carros. Ele correu em janeiro, no Cerapió, mas o Sertões será o grande rali no formato que a gente mais gosta, um rali longo. Vai ser uma grande estréia. A gente conseguiu trazer o carro da Europa e pela primeira vez iremos correr com uma Pajero Full, a gasolina, que é o carro que a gente sempre usou no Rally Dakar, e isso faz da estréia, uma estréia com muita responsabilidade, porque esse carro já teve vários bons resultados quando o Klever pilotava.
Agora o Jean está com esse carro e foi treinar com ele em Portugal, em abril. Quando soubemos que o Sertões seria uma etapa do mundial, começamos a pensar nessa possibilidade, mas como burocracia no Brasil é sempre demorada, conseguimos liberar o carro seis dias antes de começar o Rally dos Sertões. Ainda bem que o Jean já estava com esse planejamento de ir lá em abril para testar o carro e fazer a manutenção dele.