Tom Papp trabalha há mais de 10 anos em ralis e provas de aventura
Foto: Thiago Padovanni/ www.webventure.com.br
Tom Papp fotografando minutos antes do acidente
Foto: Arquivo pessoal/ Mariano Carmine
O fotógrafo do Webventure Tom Papp, que há mais de 10 anos se especializou na cobertura de provas de aventura e off-road, passou, no último sábado (2), por uma experiência que ele espera não repetir. Ele foi vítima do primeiro acidente do Rally Dakar 2010. No hospital em Buenos Aires, por telefone, Tom contou com exclusividade os detalhes e tudo o que aconteceu naquele dia. Acompanhe:
Direto de Buenos Aires - Estávamos no carro em quatro fotógrafos: André Chaco, David Santos Jr., Marcelo Maragni e eu. Entramos na madrugada de sexta para sábado no trecho da especial entre El Colón e Córdoba, na Argentina, e paramos para dormir perto da cidade de Alpha Corral. A ideia inicial era trabalharmos nos primeiros 50 quilômetros, onde a prova passava por três rios secos, sendo que havia um com cerca de três quilômetros de extensão. Esses pontos eram abertos para o público e ali já estavam milhares de pessoas. Na Argentina existe uma cultura de rali, principalmente em Córdoba. As pessoas vão para os trechos da prova no dia anterior e todo mundo acampa esperando a competição do dia seguinte.
Nesses primeiros 50 km, como choveu muito, o rio estava alto e, às 2h da manhã, a organização
cancelou o trecho. Ficamos sabendo somente às 4h da manhã e, quando entrávamos na especial no km 50, decidimos seguir para a frente até Alpa Corral, parar e descansar até às 6h.
Alpa Corral era um local designado para o público, mas, como o início da especial foi cortada, obviamente todas as pessoas se deslocaram para os próximos pontos, que lotaram, e foram se espalhando. Aquela curva do acidente não era divulgada como sendo "zona de público", por isso estão dizendo o público estava em uma curva proibida. Só que vimos que realmente não tinha espaço para as pessoas ficarem e chegava cada vez mais gente.
Belo trabalho - A polícia faz um trabalho impressionante na trilha. Nessa curva tinham três policias organizando as pessoas. Eles colocaram todo mundo atrás da cerca e todos obedeceram, é muito tranquilo o relacionamento. Mas quando acabaram as motos, continuou chegando gente e o pessoal sentou na pista.
Conversei com os policiais que ali estavam e expliquei quando viessem os carros seria diferente e que tinha que tirar as pessoas da área de escape. O lado interno da curva é mais seguro, mas era um local com árvores, que não comportava muita gente. Do outro lado tinha mais espaço, então as pessoas foram novamente colocadas atrás da cerca, mais afastadas da pista. O tempo todo havia três policiais para organizar as pessoas.
Começaram a passar os carros. Fiquei fazendo meu trabalho, e procuro sempre explorar diferentes ângulos. Subi em uma árvore, fiz fotos atrás de uma delas, atrás da cerca, dentro da curva, usei o reflexo em uma poça d'água, etc. Minha mochila de equipamentos estava com o
Deco Muniz e um grupo de brasileiros, que estavam no início da área de escape, atrás da cerca.
Depois de cerca de 70 carros, os veículos começaram a passar mais próximos uns dos outros, o que levantou muita poeira. Decidi mudar de local e fui pegar minha mochila com o Deco.
Entre a cerca e a pista havia uma faixa de grama com cerca de dois metros de largura e 50 cm mais alta do que a pista. Conforme as pessoas chegavam, se aglomeravam nesse gramado, e eles eram constantemente retirados pelos policiais.