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Confira detalhes do 5° Encontro do Clube de Cicloturismo do Brasil


Por Fernando Angeoletto* | 28/11/2006 - Atualizada às 15:45

Encontro teve cerca de 150 pessoas
Encontro teve cerca de 150 pessoas
Foto: Clube de Cicloturismo do Brasil
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Na véspera do feriado de finados, o projetista Grey Rombach deixou sua casa, em São Paulo, bem cedo. Teria onze horas de viagem pela frente, rumo a Santa Catarina. Seu carro não é pequeno, mas mesmo assim não foi nada fácil acomodar as bagagens da família toda: a mulher, Ana Lucia, e as 4 filhas, com idades entre 11 e 20 anos. Para o arsenal ficar completo, havia ainda 6 bicicletas, uma por passageiro, distribuídas ao longo do teto e na traseira do automóvel.

Assim como ele, cerca de 150 pessoas viajaram até a cidade catarinense de Timbó (SC) para participar do 5° Encontro Nacional de Cicloturismo, entre 2 e 5 de novembro. Basicamente, o assunto ali era um só: viajar de bicicleta. Mas a variedade de “tipos”, personalidades e faixa etária de quem estava ali, demonstrando um envolvimento passional com as pedaladas turísticas, foi impressionante.

Para nós, da equipe Caminhos do Sertão, o Encontro era novidade. Pela primeira vez participaríamos de tão seleta confraria. Chegamos a Timbó no clima ideal: pedalando desde Floripa numa viagem de 5 dias, totalmente autônoma, com tudo que precisávamos distribuído pelos alforjes. Cruzamos serras, e até rio sem ponte. “Chuva e sol, poeira e carvão... e alegria no coração!” A letra de Gonzagão não poderia ser mais adequada. Transborda poesia na vida do viajante.

Pois quem é que não se inspira com as flores na margem do caminho, qual jardim de conto de fadas? Ou com misteriosas e densas nuvens, docemente acomodadas sobre montanhas distantes, forradas por matas igualmente misteriosas e intocadas? “Coisas que, pra ‘mode’ se ver, o cristão tem que andar a pé...” De bici também é possível, Gonzagão, porque a velocidade do cicloturista é baixa, contemplativa, harmoniosa.

Raras figuras - No caminho para Timbó, pensava em que tipo de público iria conhecer no Encontro. Cheguei a imaginar que seriam somente viajantes gabaritados, que iriam desdobrar-se em relatar suas epopéias de milhares de km em bicicleta. Que seriam somente jovens, de pleno vigor físico, relatando suas travessias de desertos, pântanos, sítios em guerra. Me enganei redondamente. É claro que esse perfil estava presente, mas nunca imaginei encontrar algo como a família Rombach, por exemplo.

Ou o seu Loreste Voltolini, um jovem de 72 anos, morador de Timbó, que já pedalou 90 km em um só dia. Engana-se quem pensa que o veículo dele é uma Barra Forte ou similar. “Quando eu conheci a Mountain Bike, há 20 anos, joguei fora as bicicletas sem marcha”, relata, sorrindo. Sua magrela é uma full suspension, 21 marchas, toda equipada. Só o paralama traseiro lembra os modelos antigos. “Mas só uso quando chove, para não molhar a bunda”, explica. A gargalhada foi incontrolável.

Fernando Angeoletto, de 28 anos, viaja de bicicleta desde a infância, quando dava voltas de Caloi Cross ao redor da casa e assim imaginava percorrer rincões distantes. É jornalista e membro-fundador da agência Caminhos do Sertão, que opera idílicos roteiros de cicloturismo em Floripa e arredores.

Clube de Cicloturismo


Esta é uma coluna do Clube de Cicloturismo do Brasil, que tem como objetivo difundir e incentivar a prática de se viajar de bicicleta. A filosofia do Clube é que qualquer pessoa pode organizar e realizar sua própria viagem de bicicleta, bastando para isso que tenha informações e planejamento necessários.

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