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Cicloturismo de Franca (SP) até a Serra da Canastra (MG)


Por Eliana Garcia* | 24/03/2004 - Atualizada às 11:07

Flor do cerrado.
Flor do cerrado.
Foto: Arquivo pessoal
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O caminho convencional de Franca (SP) para a Serra da Canastra (MG) seria via Passos e Piumhi (SP), mas não é indicado para bicicleta, pois as estradas são muito movimentadas e perigosas. Escolhemos um caminho mais longo, porém mais tranqüilo e mais bonito, passando por Claraval, Ibiraci e Delfinópolis (MG).

É possível ir direto de Franca a Claraval por uma estrada de asfalto, mas nós resolvemos ir por estradas de terra desde o começo. Assim, pegamos uma estradinha que segue paralela ao asfalto em direção a Cristais Paulista (SP), e que começa próximo ao Horto Florestal de Franca.

De Cristais seguimos para Claraval, já no estado de Minas (também por terra). Vale a pena demorar algum tempo em Claraval, onde há um bonito mosteiro no alto da cidade. Passamos então por Ibiraci e chegamos à estrada de asfalto que vem de Cássia. Logo se alcança a balsa que cruza a represa formada pelo Rio Grande, e se chega a Delfinópolis. É sempre bom fazer travessias de balsa, o ciclista é tratado com o devido respeito, a bicicleta tem preferência sobre os carros na entrada e na saída, além de não pagar nada!

Mais bonito e mais difícil - Para cruzar a Serra da Babilônia, escolhemos um caminho que nos indicaram ser o mais bonito, porém o mais difícil também: a estrada do rio Bateinha. Zerando o odômetro em Delfinópolis você anda 2,4 km e chega ao trevo. À esquerda segue uma estrada larga que se chama Rodovia Ecológica. Nós fomos para a direita, em direção ao Claro, complexo turístico de cachoeiras. Aos 5,6 km passamos pela entrada do Claro (aproximadamente 640m de altitude).

Cerca de meio quilômetro depois do Claro passamos por uma ponte de concreto e logo pegamos uma entrada à esquerda (tem uma casinha depois de uns 300m). A partir daqui a estrada piora um pouco. Subindo, aos 7,5 km chegamos numa entrada secundária para o Claro. Aos 8,9km passamos reto pela porteira da cachoeira do Paraíso.

As casas já começavam a escassear. Pegamos mais um ponto de GPS próximo a uma das últimas casas, aos 11,7km (UTM 0314952 / 7747712). Já havíamos subido uns 200m de altitude desde o Claro. Uma bifurcação: à esquerda seguiria até uma garganta na serra, mas pegamos à direita. Ainda faltava subir bastante. Aos 13,5km chegamos à Cidade de Pedra ou Condomínio de Pedra (UTM 0317499 / 7747616 1080m de altitude).

Acampamento - Num entroncamento em "T", num areão avermelhado, pegamos à direita (UTM 0317623 / 7748564). Durante o dia inteiro, desde que saímos de Delfinópolis, não passou ninguém por nós senão dois motoqueiros vestidos de “super-heróis japoneses”. Pegamos então um grande platô no alto da serra e começamos a avistar outras serras ao longe. Naquele ponto acampamos num gramado na beira da estrada. O nascer-do- sol, no dia seguinte, foi incrível, e descobrimos mais alguém em nossa companhia, uma égua, seu potrinho e alguns micuins (aqueles carrapatos minúsculos que têm apenas meio milímetro!).

Logo iniciamos a descida. A estrada começa a ficar intransitável em alguns pontos, comida pela erosão, principalmente nas partes mais íngremes. Isto nos custou a quebra de alguns raios da roda e de um cabo de freio. Mais adiante passamos por um portão de ferro, e logo depois uma bifurcação (não pense que haverá alguém para perguntar que rumo tomar). Pegamos à esquerda, pois já víamos o rio Bateia lá em baixo. Uns 300m depois mais uma bifurcação (UTM 0320530 / 7746259 alt 952m), onde tomamos à esquerda novamente. Pouco antes, dava para ver um povoado lá em baixo, à direita, possivelmente Olhos D'água.

Mais um pouco e um novo entroncamento em "T". Pegamos à esquerda. Já estávamos no vale do rio Bateia e entramos numa estrada melhor (UTM 0320751 / 7746692 902m). Logo adiante, na segunda ponte, há uma cachoeirinha à direita. Serve para um banho e para reabastecer de água (melhor clorar, há um pouco de gado nas proximidades).

Atenção: não pegue uma ponte maior à direita (UTM 0321067 / 7747147). É somente caminho para algumas fazendas, apesar da estrada ser grande também. Seguindo reto, uns dois quilômetros depois, chegamos a uma fazendinha na beira da estrada (pelas informações que tínhamos, achávamos que seria um vilarejo...).

Empurra-bike - De longe, há várias horas, avistávamos uma risca branca cortando a serra em zigue-zague. Enfim ela chegou, e foi terrível! Coisa como nunca tinha visto igual: areão na subida. Uma areia branca muito fofa, parecendo polvilho, que afundava até as canelas. Com as bicicletas muito carregadas, precisávamos os dois empurrar uma de cada vez, quase carregá-las. Acho que ficamos mais de uma hora até acabar esse empurra-bike (UTM 0324093 / 7748189 1161m). Então chegamos numa grande placa. Para a direita Serra Branca, Casca D'anta e Barreiro. Para esquerda Gurita e Faz. Água Limpa. À direita, então.


Clube de Cicloturismo


Esta é uma coluna do Clube de Cicloturismo do Brasil, que tem como objetivo difundir e incentivar a prática de se viajar de bicicleta. A filosofia do Clube é que qualquer pessoa pode organizar e realizar sua própria viagem de bicicleta, bastando para isso que tenha informações e planejamento necessários.

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