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A fisiologia do Ciclismo em prol do Mountain Bike e vice-versa


Por Hugo Prado Neto | 26/07/2010 - Atualizada às 12:11

Atletas de MTB podem ter vantagens treinando de speed
Atletas de MTB podem ter vantagens treinando de speed
Foto: Caetano Barreira/ www.webventure.com.br
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Os atletas de MTB me perguntam: é interessante ter uma bicicleta de “speed” para eu treinar? Na verdade os ciclistas nunca me perguntam o oposto, mas também para o ciclista é interessante efetuar treinos de MTB?

Do ponto de vista da fisiologia do exercício, a resposta para as duas perguntas é um afirmativo SIM. Existe ainda o fator psicológico que também conta muito na hora de dar uma mudada de ares.

Vamos começar pelo uso do ciclismo (bike de speed) a favor do mountain biker. A base como todos devem saber é o primeiro componente de um treinamento metódico e bem feito. Esta fase envolve uma intensidade baixa para estimular o uso da gordura como primeira fonte de energia (isso ensina o corpo a economizar glicogênio) com um volume alto para estimular as células e enzimas responsáveis pelo sistema aeróbico. É muito mais correto efetuar a maioria dos treinos de base e em outras fase a bike de speed, pois:

1) O estímulo aeróbico é bem maior, uma vez que o treino na speed, o ritmo constante é melhor monitorado e o pedal sai redondo. Se você sai de MTB a cadência, a velocidade e a potência não serão constantes. É claro que por questões financeiras, o atleta pode “tunar” sua MTB para ser utilizada no asfalto. Melhora sim, mas não substitui totalmente pela bike de speed. Tendo falado isso, na fase de base é importante que o atleta ande pelo menos duas vezes por semana em sua MTB, considerando que um treinamento deve conter no mínimo quatro dias de treinos por semana.

2) Vários intervalos específicos devem ser efetuados na speed para ter uma maior repetibilidade e também para que o atleta não desfoque dos intervalos por causa de pedras, obstáculos que exigem técnica e terreno variado de MTB o que obviamente vai atrapalhar por completo o objetivo especifico de cada intervalo.

3) O medidor de potência é a melhor ferramenta para um treinamento ideal, mas seu alto custo impede até mesmo os atletas com condições de terem um desses na speed e na MTB. Eu, por exemplo, só tenho na minha speed e todos os meus intervalos específicos são feitos na bike de speed. Divido meus treinos em 50% de ciclismo e 50% de MTB.

4) Por fim, porque vocês acham que um atleta especialista em provas de maratona tendem a não ir bem em provas de Cross-country? Na minha opinião, o principal culpado se chama sistema neuromuscular. Os atletas de maratona tendem a girar mais e manter um ritmo constante, assim o sistema neuromuscular desses atletas foram ensinados durante anos a manter uma velocidade de perna alta (cadência) sem alterar muito o ritmo de pedal igual acontece nas provas de Cross-country. Torna-se evidente que o treinamento com uma bike de ciclismo na estrada vai ajudar muito esses atletas ou os iniciantes que querem andar bem de maratona.


Hugo Prado Neto


Hugo Prado Neto é diretor da OCE-www.treine.net, atleta profissional de ciclismo e mountain bike. Bachelors Degree em Exercise and Sports Sciences (Ciências do Exercício e dos Esportes) com ênfase em fisiologia do exercício pela Universidade da Flórida, College of Health and Human Performance. Já foi atleta profissional de Triathlon e Ciclismo no Brasil e exterior e, atualmente, é atleta profissional de mountain bike figurando entre os melhores do país. Já participou de mais de 500 dias de competições nesses esportes e possui diversos resultados expressivos.

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