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A cura de lesões pelo próprio sangue: aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP)


Por Adriano Leonardi | 30/08/2010 - Atualizada às 12:48

Plasma rico em plaquetas
Plasma rico em plaquetas
Foto: Arte Webventure
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Já algum tempo, a mídia tem voltado a atenção do público para a “cura pelo próprio sangue”. O PRP é um novo procedimento, baseado numa ideia revolucionária: injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral, uma concentração de células reparadoras do seu próprio sangue. Este concentrado que é principalmente de plaquetas (daí o nome: plasma rico em plaquetas - imagem 1), contém as substâncias que ajudam a reparar tecidos, os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular.

Logo, o tratamento, que era chamado “fator de crescimento” (hoje renomeado por levar a entender e confundir com GH - hormônio de crescimento que é doping e proibido para utilização na melhora do desempenho em atletas) foi difundido para tantos usos e tratamentos como se fosse a saída para todas as lesões.

As injeções podem ter efeitos variáveis sobre as diferentes lesões nos corpo, sobre os diferentes caracteres físicos e clínicos de cada ser humano, não podendo assim ser banalizada e indicada sem critério. Além disso, existem várias técnicas que fazem as aplicações serem mais ou menos eficazes dependendo do kit e empresa utilizada, dependendo da concentração adquirida das plaquetas, fora que muda o resultado nos diferentes tecidos, ou seja, trabalhos publicados no "American Journal of Sports Medicine" e "The Journal of American Medical Association", concluem que as aplicações podem ajudar na cicatrizações de determinadas lesões como epicondilites, rupturas musculares e tendinosas agudas, mas nem tanto em tendões de Aquiles degenerados ou tendinopatias calcáreas do ombro, por exemplo (imagem 2). Daí a necessidade de avaliação médica e indicação correta.

Técnica recente - O procedimento geralmente não é autorizado pelos convênios, já que a técnica é recente e sem comprovações científicas nacionais, apesar dos resultados positivos que temos e vemos em congressos, ainda não temos documentação e seguimentos em longo prazo o que leva ainda a falta credibilidade e aceitação pelos mais céticos. Mas o lado positivo é que o custo diminuiu bastante comparado aos anos anteriores e a aplicação é feita em regime de hospital Day (nos casos não cirúrgicos).

Corredores e atletas em geral tem muitas lesões nos tendões e músculos que é o foco da maioria dos estudos que temos no Brasil. E como essa cicatrização é lenta e faz com que permaneçam longos períodos afastados do esporte, a técnica trouxe uma esperança na aceleração da recuperação da lesão e retorno à prática.

Mas vale mais uma vez lembrar que a indicação é médica e criteriosa principalmente nos casos de lesões ligamentares, cartilaginosas e fraturas.

O comitê de traumatologia esportiva (www.abtd.org.br) está há muito tempo lutando pela implementação séria deste procedimento, com evidências, colocando todos os pontos positivos e negativos, e esperamos que esta aplicação seja realmente comprovada e devidamente autorizada, como estamos vendo nos resultados e nas discussões em congressos como sendo: mais um fator adjuvante no tratamento de lesões.


Adriano Leonardi


Médico ortopedista especialista em artroscopia, cirurgia do joelho e traumatologia do esporte. Membro da Wilderness Medical Society e mestrando em ortopedia e traumatologia pela Faculdade de ciências médicas da Santa Casa de São Paulo. É idealizador da equipe TAKTOS de Medicina esportiva e de aventura além de praticante entusiasta de esportes de aventura.

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